Craques da seleção, Tarciane e Luany foram reveladas pelo projeto Daminhas da Bola
O projeto social, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, é responsável por incentivar e descobrir novos talentos do futebol feminino

O Brasil vai enfrentar os Estados Unidos em dois amistosos preparatórios para a Copa América, que acontece em julho deste ano. Ontem, Arthur Elias convocou 23 jogadoras para representar a seleção brasileira. Entre as atletas, dois nomes em especial merecem destaque. Tarciane, zagueira artilheira envolvida em uma das maiores transações da história do futebol feminino; e Luany, atacante do Atlético de Madrid, convocada pela primeira vez e muito elogiada pelo técnico da seleção na coletiva.
Além do talento e do ótimo momento em campo — o que reforça a convocação — as duas têm em comum a formação no Daminhas da Bola. O projeto social, de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, criado por Thaissan Passos (atual treinadora do Grêmio Feminino) em 2015, responsável por incentivar e descobrir novos talentos do futebol feminino.
“A ideia do projeto surgiu após o futebol transformar a vida da própria idealizadora. Desde então, ela resolveu transformar a vida de muitas outras meninas”, conta Renata Ferreira, diretora administrativa do Daminhas da Bola, ao Gol Delas.
Atualmente, o projeto tem cerca de 80 meninas, com idades entre 7 a 15 anos. Os treinos são divididos por faixas etárias e acontecem duas vezes por semana para as seguintes categorias: sub 9, sub 11, sub 13 e sub 15.
Focado no futebol como esporte, o Daminhas também se preocupa em formar não só grandes atletas, mas com a questão social. “O projeto busca falar sobre tudo aquilo que achamos importante para a sociedade, com palestras sobre assuntos como: reciclagem de lixo, racismo, saúde mental, nutrição. Mas sempre com o cuidado de como levar tais assuntos, pois elas são de idades diferentes”, detalha Renata.
“Fazemos questão da participação dos pais nestas questões sociais. Estamos sempre fazendo algo para que elas entendam o papel delas quanto atletas para a sociedade. Acima de tudo queremos transformar cidadãs do bem”, complementa.
Por conta da questão social, algumas meninas acabaram seguindo a carreira em outras áreas, que não o futebol. “Temos advogada, lutadora de MMA, atleta de vôlei, e assim vai... É Daminhas em todas as áreas (risos)”, vibra a diretora.
Missão cumprida
Tarciane entrou no projeto quando tinha apenas 13 anos após passar em um teste no Instituto Loide Martha, onde Thaissan era treinadora de futsal na época. A jogadora chegou a atuar pelo colégio e entrou para o time feminino do Daminhas na competição Conmebol de campo, aos 14 anos.
“A partir daí, veio a minha primeira convocação para a seleção. Na sequência, soube que o Fluminense estava montando um time e que havia feito o convite para o Daminhas em busca de uma parceria para o futebol feminino. Fiz os testes, passei e comecei a jogar pelo clube e na seleção brasileira. Me sinto em casa no Daminhas. Eu sempre serei grata por tudo que esse projeto fez e faz até hoje por mim”, afirmou Tarciane, durante uma visita ao projeto em 2020. Na época, ela jogava pelo Flu e falou ao site oficial do clube.
Luany engrossa o coro sobre a gratidão pelo projeto, que também a revelou. “Entrei bem novinha (aos 15 anos) e muita tímida, não conhecia as meninas, mas já sabia jogar bola. Fui aperfeiçoando a cada dia. O programa me ajudou muito, é muito especial para mim. Sou muito grata“, declarou na mesma entrevista que Tarciane.
Para Renata, a sensação ao acompanhar a trajetória de sucesso das jogadoras que viu crescer no Daminhas é de missão cumprida.
“Isso é muito legal, nos faz acreditar que estamos e continuamos no caminho certo. A essência e o DNA são os mesmos e esperamos manter por muitos e muitos anos.”
“Sempre que possível elas (Tarci e Luany) aparecem no Daminhas. As meninas [do projeto] ficam bastante felizes. Todas sabem que Tarciane e Luany passaram por aqui e veem a carreira que elas estão seguindo. Então, acaba sendo um exemplo para todas em todos os sentidos”, diz a diretora.
Como ajudar o Daminhas da Bola
Apesar do trabalho exemplar e de formar grandes mulheres, o projeto ainda depende de patrocínios, parceiros e doações para sobreviver.
“O projeto é sustentado por doações de materiais esportivos, vendas de rifas e, uma vez ou outra, aparece alguém para fazer uma doação em valores. Hoje, buscamos também patrocínio via Lei do Incentivo ao Esporte e, recentemente, fomos aprovados para iniciar a captação de recursos. Mas ainda assim, é um processo bastante difícil”, explica Renata.
Com a iniciativa “Elas nas quatro linhas”, qualquer pessoa ou empresa pode contribuir com o Daminhas da Bola. Confira, abaixo, como fazer.