Du du du du… Verstappen voltou: o que a equipe fez para colocar o campeão no topo
Resultado no Bahrein não nasceu no último domingo (4), mas, sim, foi construído durante semanas de desenvolvimento
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Confesso: quando a temporada 2026 começou, eu não colocava a Red Bull entre as equipes que chegariam tão rapidamente ao topo. A diferença para a Mercedes era grande, o novo regulamento trazia desafios enormes e, pela primeira vez, a equipe precisava lidar também com a responsabilidade de construir sua própria unidade de potência, em parceria com a Ford.
Só que a Fórmula 1 raramente respeita as primeiras impressões.
E foi justamente entre curvas, literalmente e também no sentido mais estratégico da palavra, que a Red Bull começou a mudar a própria história na temporada.
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A vitória de Max Verstappen no Grande Prêmio do Bahrein não foi apenas o retorno do tetracampeão ao lugar mais alto do pódio. Foi a confirmação de que o trabalho de desenvolvimento feito pela equipe finalmente conseguiu transformar um carro que começou o ano mais de um segundo atrás dos líderes em um equipamento capaz de vencer.
E talvez essa seja a parte mais interessante dessa história.
No começo do campeonato, a Red Bull estava distante da Mercedes. Não era uma diferença pequena que poderia ser corrigida com um ajuste de asa ou uma mudança de acerto.
Era um problema maior.
A equipe tinha um carro novo, um regulamento completamente diferente e ainda estreava sua própria unidade de potência, desenvolvida pela Red Bull Ford Powertrains.
Enquanto os rivais já encontravam desempenho, a Red Bull precisava descobrir onde estavam os décimos que faltavam. E, aos poucos, eles apareceram.
Laurent Mekies, chefe da equipe, na coletiva após o grande prêmio, resumiu a dimensão dessa recuperação ao lembrar que a Red Bull chegou a temer ficar presa em uma diferença de cerca de três décimos para os melhores carros: “No final, os caras fizeram um trabalho incrível no chassi e na unidade de potência para eliminar esses últimos três décimos, que achávamos que seriam os mais difíceis.”
É uma frase importante porque ajuda a colocar a vitória de Verstappen em perspectiva.
O resultado no Bahrein não nasceu no domingo. Ele foi construído durante semanas de desenvolvimento.
Baku foi uma curva importante nessa história

A atualização apresentada pela Red Bull no Azerbaijão pode ter passado despercebida em meio ao resultado apertado daquela corrida, mas teve papel importante na recuperação.
O pacote trouxe mudanças na carroceria, no difusor, nas entradas de ar laterais, nas aberturas de refrigeração, nos espelhos e na carenagem frontal.
Não foi uma espécie de “botão mágico” que transformou o RB22 em um carro vencedor. E Mekies faz questão de deixar isso claro.
Segundo ele, a atualização de Baku não foi muito diferente das anteriores. O ganho veio de um processo contínuo de desenvolvimento. É justamente aí que a história fica interessante.
A Red Bull não encontrou uma solução milagrosa. Encontrou desempenho aos poucos. E, na Fórmula 1, às vezes é isso que separa uma equipe que briga pelo pódio de uma equipe que volta a vencer.
Verstappen fez a parte dele
O carro melhorou. Mas seria injusto contar essa história como se Verstappen estivesse apenas esperando a Red Bull entregar a ferramenta certa.
O holandês também precisou atravessar um início de temporada complicado.
Na corrida anterior, no Azerbaijão, ele perdeu a vitória para George Russell por apenas 0,196s. No Bahrein, conseguiu a pole e, apesar de perder posições no início da prova, recuperou terreno até assumir novamente o controle.
Foi aí que apareceu o Verstappen que a Fórmula 1 conhece.
Mekies chamou sua atuação de “excepcional” e destacou justamente a capacidade do piloto de manter o controle em uma corrida de condições complicadas: “Em circunstâncias muitas vezes caóticas, ele manteve o controle durante toda a corrida, lidou com as condições de forma brilhante, mostrou o ritmo mais forte.”
Não é pouca coisa. Porque, quando o carro finalmente oferece condições para vencer, o piloto precisa transformar potencial em resultado.
E Verstappen fez isso.
A Red Bull aprendeu a esperar e acelerar
Existe uma característica da Red Bull que aparece novamente nessa recuperação: a capacidade de desenvolver o carro durante a temporada.
A equipe começou atrás, mas não ficou parada.
Mekies reconhece que a desvantagem inicial era enorme e que ninguém esperaria pela Red Bull enquanto ela tentava recuperar terreno: “Partindo daquela desvantagem de mais de um segundo e chegando onde estamos agora, acho que é uma marca registrada da Red Bull Racing ter esse forte desenvolvimento durante a temporada.”
É uma declaração que explica bastante do que aconteceu.
A Red Bull não precisava apenas melhorar. Precisava melhorar mais rápido que os outros.
E isso muda completamente a pressão sobre uma equipe.
Enquanto Mercedes e outros concorrentes também desenvolvem seus carros, cada atualização precisa entregar desempenho suficiente para não apenas reduzir a distância, mas impedir que ela volte a crescer.
Por isso, a vitória de Verstappen tem um peso maior do que os 25 pontos.
Ela mostra que a Red Bull entrou novamente na conversa.
E ainda tem a unidade de potência
Talvez o capítulo mais simbólico dessa vitória seja justamente o que não aparece nas imagens da comemoração.
O triunfo no Bahrein foi o primeiro da Red Bull como fabricante de unidades de potência, com a Red Bull Ford Powertrains.
Ou seja: não foi apenas a primeira vitória da equipe em 2026. Foi também a primeira vitória desse novo projeto.
Mekies classificou o resultado como um “momento histórico” e fez questão de dividir o mérito com as pessoas que trabalharam no projeto durante os últimos cinco anos: “A primeira vitória para nós como fabricante de unidades de potência com a Red Bull Ford Powertrains em sua temporada de estreia.”
Para uma equipe acostumada a vencer, pode parecer estranho falar em “primeiro gostinho de sucesso”. Mas é exatamente isso que torna o resultado tão significativo.
A Red Bull está começando uma nova era. E começou essa era vencendo.
Talvez a Fórmula 1 tenha uma mania de transformar tudo em uma fotografia do momento.
Pole. Vitória. Pódio. Pontos.
Mas, olhando Entre Curvas, a história do Bahrein é outra.
É a história de uma equipe que começou a temporada atrás, passou semanas procurando desempenho, encontrou décimos no chassi e na unidade de potência, levou uma atualização importante para a pista e, finalmente, colocou Verstappen novamente onde ele queria estar: no topo.
Ele já voltou.
A pergunta agora é: quantas vezes mais ele pretende passar por aquela curva que leva ao lugar mais alto do pódio?
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