“Um pequeno batatal”, auxiliar do Palmeiras ironiza gramado de São Januário. Estreante, Renato Gaúcho comemora a virada do Vasco. E ataca. “Prefiro nosso campo que grama sintética.’
Palmeiras joga mal e toma virada do Vasco. Perde por 2 a 1, a liderança e reparte a culpa pelo péssimo futebol na sofrida grama de São Januário. Renato Gaúcho desfruta. “Não viramos contra qualquer equipe. Foi o Palmeiras’

“Na televisão não dá para ver, mas por baixo do campo parece que plantaram batatas.
“O campo tem altos e baixos. Mas tudo bem, isso é o que é, o futebol raiz. Estamos em 2026 e algumas coisas não mudam.
“No segundo tempo, começou a chover e virou um pequeno batatal.”
João Martins, o auxiliar, que substituiu Abel Ferreira no comando do Palmeiras, reservou grande parte da culpa da derrota para o Vasco, ontem, ao gramado de São Januário. De verdade, péssimo.
“O campo do Vasco não é nota 10, mas é um bom campo. Mas eu prefiro jogar no campo do Vasco do que na grama sintética.
“Acho que o Palmeiras tem um grande treinador, me dou muito bem com ele. Tem vezes que as coisas não dão certos e não temos que procurar desculpas”, retrucou Renato Gaúcho.
A verdade é que o Palmeiras jogou mal, principalmente no segundo tempo, dando espaço para o Vasco articular seus ataques. E mereceu virar o jogo.
Flaco López fez o primeiro gol do jogo. Thiago Mendes e Cuiabano deram a vitória ao Vasco.
Renato Gaúcho, que fez sua estreia, celebrava a vitória. Ele foi contratado para tirar o Vasco do caminho para a zona de rebaixamento.
“Pelo momento que o Vasco estava atravessando e pelo lugar no Brasileirão, não adianta se desesperar, tem que começar a corrigir lá atrás. O que é corrigir lá atrás? É não dar tantas oportunidades para o adversário, entendeu?
“O Diniz tem o esquema de jogo dele, que eu respeito. Eu tenho uma outra forma de trabalhar, principalmente pelo momento que o Vasco estava passando.”
O técnico revelou seu plano de jogo, que deu muito certo.
“Na minha cabeça, era neutralizar a equipe do Palmeiras e, com a bola, jogar. Se você começa a dar muitas chances e muito espaço para a equipe do Palmeiras, é difícil.
“Então nós neutralizamos as jogadas do Palmeiras, tínhamos praticamente sempre um homem a mais no meio de campo.
“No segundo tempo, mesmo assim mudamos a equipe na parte tática, colocamos um meia e tiramos um volante. E, mesmo assim, a gente continuou pressionando e conseguiu essa vitória.”
O auxiliar João Martins confessou o óbvio. O Palmeiras não teve força física para competir com o Vasco. Por isso não conseguiu travar os ataques em bloco, ordenados por Renato Gaúcho.

O time venceu o Paulista no domingo à noite, em Mirassol. Jogadores comemoraram. O resultado foi a queda assustadora na segunda etapa. Situação que o Vasco se aproveitou.
“No segundo tempo, a equipe tentou. Se tivéssemos uma varinha mágica, teríamos feito as alterações no intervalo, não sabíamos que a equipe ia quebrar tanto.
“Entraríamos com duas ou três substituições, com mais energias. Foi isso que faltou.
“Falta de lucidez, e a parte física pesou muito.”
Sim, o Palmeiras demorou a trocar seus jogadores. Quando João Martins tentou agir, já era tarde. O Vasco estava confiante e encurralando o time paulista.
Renato Gaúcho foi contratado depois de três tentativas do presidente vascaíno, o ex-jogador Pedrinho, que aumentava a quantia de dinheiro oferecida a cada proposta. Ele aceitou quando ouviu que seu salário seria de R$ 1,7 milhão por mês.
João Martins seguiu inconformado com o gramado realmente péssimo. E lembrou que o rival ficou 11 dias se preparando para o confronto.
“Eu estava a torcer pelo Vasco no Campeonato Carioca para que o Vasco tivesse menos dias, como nós. Infelizmente, não conseguiu chegar à final, deu certo para outras equipes.
“Também foi igual no segundo tempo, uma equipe parada, a outra não. Não há milagres, mas infelizmente nós enfrentamos uma equipe com energia extra, mudou treinador e não jogava há 11 dias.
“Num campo pesadíssimo, parece que jogaram ontem neste campo e vamos continuar a falar de sintéticos. Enquanto a CBF não tomar uma atitude..”
Já Renato deixou escapar o motivo de sua contratação. Evitar que o Vasco seja rebaixado. E também mostrou o quanto os atletas estavam desgastados com as cobranças e a ameaça de o clube ir para a Segunda Divisão com Fernando Diniz.
“Quando terminou o jogo muitos jogadores se jogaram no chão exaustos. Às vezes não é só o cansaço físico, mas sim o psicológico.
“Não está tudo bem, vamos continuar tendo problemas, mas foi importante a vitória diante desse poderoso Palmeiras para elevar o moral e dar de presente para o torcedor.
“Hoje o torcedor vai para casa feliz porque viu a equipe se entregando. Já é alguma coisa estar fora do Z-4. Esse é o caminho...”












