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‘Tenho meus medos. Tenho pontos fracos. Para eu ser feliz, só preciso que o Palmeiras ganhe.’ Abel Ferreira, o técnico mais vitorioso da história verde

Após vencer ontem o Paulista, o treinador português mostrou seu lado humano para a RECORD. Com a vitória sobre o Novorizontino, Abel chegou ao 11º título, em cinco anos. Esse é o período mais vencedor do Palmeiras

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Abel Ferreira abraça seu capitão, Gustavo Gómez. Treinador português bateu recorde histórico Cesar Greco/Palmeiras

“Eu tenho medos, pontos fracos, sou normal, gosto de comer com a mão, andar descalço…

“E quando vocês olham para mim, acham que eu tenho que ser exemplo em tudo. Eu quero ser só uma pessoa normal, viver a minha vida do meu jeito, bem simples, comer o meu feijão com arroz, com a farofa, que aprendi a gostar.


“Se for com ovos, ainda melhor. Se for com picanha, ótimo. Se não for, também tá tudo certo.

“Para ser feliz, não preciso de muita coisa, preciso que o Palmeiras ganhe.”


Abel Ferreira deu essa declaração ontem, ao programa Esporte Record.

Ele acabava de comemorar seu 11º título. Se tornou o treinador mais vencedor da história palmeirense.


Em um gramado encharcado, veio a vitória sobre o Novorizontino, sensação paulista, por 2 a 1, gols de Murilo e Vitor Roque. Matheus Bianqui descontou. O Palmeiras acabou com a invencibilidade do time interiorano, sensação do campeonato, na sua casa. E conquistou o título estadual.

“Estava com abstinência de títulos”, brincou Leila Pereira, pelo clube passar 2025 sem conquistas.


Palmeiras levanta a taça Reprodução/Esporte Record

Abel Ferreira deixou escapar um lado muito mais humano falando para a RECORD.

Mas, ao dar entrevistas para outras emissoras, voltou o velho rancor vingativo.

“Esse ano mesmo (tivemos críticas). Quando perdemos de 4 a 0 aqui, parecia o fim do mundo, mas fim do mundo para quem?

“Imprensa? Torcida? Quando jogamos juntos, a torcida, organizadas, o time, somos muito mais fortes.

“Não precisamos ir para o ano passado, neste ano mesmo. Nós mantemos sempre o caminho, precisamos jogar juntos por um bem maior do que nós.”

Exclusivo: ‘Eu estava com abstinência de conquistar títulos’, brinca Leila Pereira

Abel estava especialmente feliz com a conquista. Ele correu e deslizou no gramado de joelho, celebrando o título. E, sem falsa modéstia, elogiou seu trabalho. Mesmo no ano passado, quando o clube gastou mais de R$ 700 milhões e não venceu títulos.

“Se tiver em conta só a análise dos títulos, tenho que concordar contigo, ano passado não ganhamos nenhum.

“Mas se valer a consistência do trabalho, consistência da equipe, competitividade, tenho que te dizer que fomos a equipe mais consistente ao longo dos últimos anos.

“Eu não posso prometer títulos, porque do outro lado também tem equipes com qualidade, grandes treinadores.

“Não posso desvalorizar o trabalho que foi feito no ano passado, no Paulistão, não posso desvalorizar a Libertadores do ano passado.”

Abel apelou até para a culinária para explicar as derrotas de 2027. Misturou pudim com torresmo.

“Não tem como, era um cartão vermelho que deveria ter sido dado e não deu, embora a nossa presidente não goste que falem nisso.

“De fato, a nossa performance teria que ter sido melhor, mas está lá, tudo certo, ficamos em segundo. Agora, chegar no final do ano e dizer que o ano é ruim, lamento quem pensa assim.

“Costumo dizer que nos últimos anos fomos altamente consistentes, altamente resilientes, tivemos noites mágicas.

“Vamos ganhar e perder, o futebol é como a vida, não é só comer pudim, às vezes vamos comer um torresmo. Não é por isso que somos melhores ou piores, a nossa consistência é essa. É uma atitude de não desistir, ser resiliente.”

Leila Pereira estava também muito empolgada, com o título paulista.

A dirigente segue firme, desejando um terceiro mandato. Ela tem maciço apoio dos conselheiros e sócios do Palmeiras. Leila quer seguir até 2030. E sonha com a permanência de Abel Ferreira.

O treinador, a princípio, não quer. Só que as conquistas vão se empilhando. E seu salário aumentando.

E 90% dos atletas que realmente queria foram contratados.

Gustavo Gómez ergue a taça. Palmeiras chega ao seu 27º Paulista conquistado Cesar Greco/Palmeiras

Abel era só empolgação com seus jogadores.

“O Palmeiras se tornou a minha casa. E eu quero deixar o ambiente cada vez melhor com todas as conquistas que eu puder colaborar”, disse, sereno, após o jogo.

O português chegou à quarta conquista de Campeonato Paulista. Antes já havia vencido duas Libertadores, dois Brasileiros, Recopa Sul-Americana, a Copa do Brasil e a Supercopa do Brasil.

“Vamos lutar muito para conquistar os campeonatos que disputaremos esta temporada”, promete o treinador.

Restam o Brasileiro, a Libertadores e a Copa do Brasil.

Será que alguém ainda duvida de Abel Ferreira?

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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