Cosme Rímoli Sem Raphael Veiga e Gustavo Gómez, mas com ambição de sobra. Palmeiras vence Juventude e já é vice-líder do Brasileiro

Sem Raphael Veiga e Gustavo Gómez, mas com ambição de sobra. Palmeiras vence Juventude e já é vice-líder do Brasileiro

O Palmeiras de Abel Ferreira se impôs, com tática e atitude, contra o Juventude, em Caxias. Foi superior em tudo. Venceu por 3 a 0. Três pontos para levar à segunda colocação no Brasileiro

  • Cosme Rímoli | Do R7

Na comemoração do gol de Zé Rafael, Palmeiras exala confiança, certeza da vitória

Na comemoração do gol de Zé Rafael, Palmeiras exala confiança, certeza da vitória

Cesar Greco/Palmeiras

São Paulo, Brasil

Abel Ferreira cumprindo sua palavra.

Conversando com o elenco e com a direção, o treinador português havia avisado, vê condições de o Palmeiras também lutar para ser campeão brasileiro, sem abrir mão da Libertadores.

E sem seu jogador mais cerebral, Raphael Veiga, e seu melhor zagueiro, Gustavo Gómez, o treinador português montou o Palmeiras com eficiência, vibração, seriedade e talento. Ainda poupou seu time para a partida importante, diante do Deportivo Táchira, onde a vitória é obrigatória para assegurar a melhor campanha na fase de grupos da Libertadores.

Domou um adversário que costuma ser muito perigoso. Venceu o Juventude, em Caxias do Sul, por 3 a 0, gols de Zé Rafael e Rony, no primeiro tempo. E no final do segundo tempo, Gabriel Menino, sem querer, marcou o seu.

Resultado que leva o time à vice liderança do Brasileiro.

De forma impressionante, de tão firme, resoluta.

"(Eu estou) Muito feliz pelo trabalho que tem sido feito. A equipe está muito consistente. Temos objetivo de vencer todas as competições. Hoje estreamos mais um moleque da base (o zagueiro Naves).

"Sabíamos que uma vitória nos colocaria próximo dos quatro primeiros. Pela qualidade que temos, podemos fazer a qualquer momento. Se segurar ali, podemos sair com a vitória. A nossa defesa é a menos vazada por ter uma equipe muito qualificada à frente", explicava o experiente Marcos Rocha.

O Palmeiras tem 11 gols a favor e cinco contra, em sete partidas. Venceu três, empatou três e perdeu apenas um jogo no Brasileiro. Além disso, já está classificado para as oitavas-de-final da Libertadores, com a melhor campanha em cinco rodadas. E também está nas oitavas da Copa do Brasil.

Eduardo Baptista, segue ainda com a mesma mania, dirija qual time for. Quando enfrenta o Palmeiras, ele coloca seus jogadores adiantados tentando marcar a saída de bola. Talvez até seja um trauma por sua passagem relâmpago pelo Palestra Itália, de apenas quatro meses, em 2017.

Foi o que aconteceu em Caxias. Mesmo diante de um adversário muito superior, ele tentou fazer com que o Juventude sufocasse, buscando abrir o placar, para jogar nos contragolpes. Só que a inferioridade técnica, física e tática da equipe gaúcha eram grandes demais. 

Com autoridade, o Palmeiras se impôs na defesa, com seus quatro zagueiros, três meio-campistas de enorme movimentação e mais dois atacantes velozes pelos lados de campo. E um finalizador.

Rony teve até a chance de tentar marcar seu gol de bicicleta. Que vem ensaiando há mais de um ano

Rony teve até a chance de tentar marcar seu gol de bicicleta. Que vem ensaiando há mais de um ano

Cesar Greco/Palmeiras

Bastou manter a estrutura tática e logo o Palmeiras passou a se aproveitar do meio-campo adiantado do Juventude. E bastaram 30 minutos para o atual bicampeão da Libertadores abrir a vantagem de 2 a 0.

O primeiro gol veio aos oito minutos, em um lance 'de manual' treinado à exaustão por Abel Ferreira. Marcos Rocha serviu Dudu. Habilidoso, ele foi para linha de fundo e serviu para Zé Rafael que estava entrando livre da entrada da área. O chute foi mortal, sem chance de defesa para o ótimo goleiro César. 

A partida foi ficando cada vez mais previsível. Com o Juventude atormentado, buscando correr, lutar, mas parando diante da postura de um time moderno, centrado, ciente do que tinha de fazer. A empolgação da torcida de Caxias foi diminuindo, porque era evidente a covardia do confronto.

Raphael Veiga não jogou por ter uma virose. Gustavo Scarpa teve a chance de atuar centralizado e fez uma partida digna dos seus melhores tempos de Fluminense. Distribuindo a bola, fazendo infiltrações, tabelas e dando belos arremates para fazer César trabalhar.

O segundo gol era uma questão de tempo. 

E ele veio nas bolas aéreas, outra especialidade do Palmeiras. O zagueiro chileno Kuscevic ganhou no alto e ajeitou para Rony empurrar para as redes. 2 a 0, aos 30 minutos.

Todas as pessoas que estava no estádio Alfredo Jaconi sabiam. A partida estava decidida. O time de Eduardo Baptista não teria força para marcar dois gols no Palmeiras. E o time de Abel poderia fazer muitos mais, se o Juventude se abrisse de vez.

Os próprios palmeirenses sabiam que não havia mais motivo para correrem desesperadamente. E passaram a trocar mais passes seguros, manter o controle do jogo. Não havia motivo para desgaste. 

Abel  só cometeu um erro. Bobo, desnecessário. Reclamou de uma falta no meio-campo. Amarelo e suspensão

Abel só cometeu um erro. Bobo, desnecessário. Reclamou de uma falta no meio-campo. Amarelo e suspensão

Cesar Greco/Palmeiras

Daí a importância da consciência tática. Manter os espaço preenchidos, dominar a bola. O jogo. 

O único descontrole bola do Palmeiras foi com o comportamento de Abel Ferreira. Uma falta não foi marcada a favor do seu time, no meio-campo. E ele se descontrolou, reclamou, xingou. E tomou o terceiro cartão amarelo de Marcelo de Lima Henrique. Não trabalhará no clássico do domingo, dia 29, contra o Santos, na Vila Belmiro. Completamente desnecessário.

"Eu com este árbitro não tenho tido muita sorte. É muito fácil dar amarelo, e eu aceito que ele me deu, mas era uma falta clara, que não sei por que não marca. E depois, esta que fico mais... como não dá amarelo ao jogador do Rony. Aceito, disse que ele era fraco, não devia ter chamado, talvez o quarto árbitro ouviu.

"É clara a falta no Zé, mas eu só fico puto porque não é consistente. Às vezes marca faltas que não são, faltas claras para amarelo e não dá. Mas já falei muito de arbitragem, senti o árbitro cansado, sempre longe das jogadas", desabafou Abel Ferreira, após o jogo. Sabendo que não iria comandar, no banco, o Palmeiras contra o Santos.

Depois, do previsível novo ímpeto do Juventude, para tentar diminuir a desvantagem, nos primeiros minutos do segundo tempo, o Palmeiras seguiu sua missão de forma obstinada de sair do Rio Grande do Sul com os três pontos. Sem expor os jogadores à pancadas ou desgastes.

Abel foi poupando seus principais atletas para a Libertadores, fez estrear Naves. E ainda viu Gabriel Menino, jogador que tenta recuperar a confiança e o bom futebol, marcar seu gol. Aos 46 minutos do segundo tempo. Ao tentar cruzar, a bola desviou no zagueiro Foster e enganou César. 

3 a 0.

Jogo definido até mesmo antes de ser disputado.

Três pontos importantes e que traz ainda mais confiança a este grande Palmeiras.

Clube que passou a acreditar, de verdade.

Poder ganhar a Libertadores, a Copa do Brasil e a Libertadores...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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