River Plate deu uma lição ao acovardado Boca. 2 a 0 foi pouco
Na primeira partida da semifinal da Libertadores, o River Plate não tomou conhecimento do Boca. Vitória da modernidade e coragem...
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli
São Paulo, Brasil
"Obviamente o árbitro (Raphael Claus) influenciou no resultado. O pênalti ninguém reclama. Sempre há alguém que chama. Estão com crédito no telefone 'os do VAR, porque chamam sempre.
"Se revisam tudo e isto complica, muda o desenrolar do jogo. Te predispõe de outra maneira.
"Palacios, Borré e De la Cruz treinam para simular essas faltas (para o VAR)."
Abila, atacante do Boca Juniors.
"Mostrei um vídeo (ao elenco do Boca) com os jogadores do River Plate. E a quantidade de simulações. Buscando o pênalti, sempre colocando o corpo, sempre buscando a falta.
"Por isso sempre a ideia de evitar o contato.
"Sabíamos que permanentemente se jogam."
Gustavo Julio Alfaro, técnico do Boca Juniors.
"Não vou contestar supostas declarações. Falo o que vejo e que todo mundo vê. O mundo fala de um River que joga bem, é dinâmico e pensa em atacar. Não em travar o jogo e fazer o tempo passar. Somos o contrário.
"Aquele que tenta desdenhar não vê a realidade."
Marcelo Gallardo, técnico do River Plate
Não há discussão.
No maior clássico das Américas, o River Plate foi muito superior ao Boca Juniors e mereceu a vitória por 2 a 0 no Monumental.
E tem uma grande vantagem na partida decisiva, daqui a 20 dias, na Bombonera, no jogo que definirá uma vaga na final da Libertadores.
Quando Alfaro e Abila tentam repassar a culpa pela derrota de ontem para o brasileiro Raphael Claus é mesmo negar a realidade.
O Boca Juniors entrou com uma formação defensiva, acovardada. Buscava claramente empatar o jogo. Sonhava com o 0 a 0, atuando no 4-1-4-1 e muitas vezes durante a partida, no 4-1-5-0. A prioridade absoluta era marcar.
O time mais popular argentino buscava o passado. Apostava na catimba, na cera, nas reclamações, na pressão sobre o juiz.
Enquanto o River buscou o tempo todo o domínio da bola, a movimentação constante do meio de campo para o ataque, a intensidade, a modernidade.
Gallardo sabia que o Boca tentaria travar o jogo, buscar abalar o Rival, jogar a torcida que lotava o Monumental contra seu time, o tornando ansioso, tenso.
Por isso, no seu móvel 4-3-3, exigiu que seu time pressionasse desde os primeiros minutos, encurralasse o Boca na defesa.
A estratégia deu certo muito rápido, graças ao pênalti incontestável, aos seis minutos de partida. Em um lance de ataque do River em bloco, Mas derrubou Borré que estava para concluir a gol.
O lance foi definido, com justiça, pelo VAR.
O próprio Borré cobrou com convicção, forte, no alto.
River Plate 1 a 0.
O jogo seguiu dominado pelo time de Gallardo.
O goleiro do Boca, Andrada, salvava o time, que seguia recuado, acovardado. Que abusava dos chutões para evitar tomar mais gols. A postura era de equipe pequena.
Em raríssimo contragolpe, aos 42 minutos, Abila deixou Capaldo cara a cara com Armani. Mas o atacante do Boca teve a coragem de chutar por cima. Perdeu um gol incrível, que poderia ter mudado o jogo.
No segundo tempo, mais pressão do River.
Andrada salvava, bola batia na trave de Montiel, até que o versátil volante Fernández chegou de surpresa, estufando as redes, depois de cruzamento de Suárez.
2 a 0, ao 24 minutos.
O River Plate tinha ótima vantagem.
E Gallardo mandou o time diminuir o ritmo e se proteger mais, para segurar os dois gols de diferença.
O Boca não teve força para reagir.
O River Plate deu um passo enorme para chegar à final.
É bom Renato Gaúcho e Jorge Jesus prestarem atenção.
Enquanto discutem qual time, Flamengo ou Grêmio, mostra o futebol mais bonito do Brasil, o River Plate tem o mais eficiente da América do Sul...
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