Pandemia, novo governo. Globo pagará menos por Brasileiro

A emissora carioca quer redução entre 40%  e 50%  das cotas do Brasileiro de 2020. Encurralados, sem jogos, clubes não têm saída

Em grave crise financeira, a Globo avisa aos clubes. Vai diminuir cotas de transmissão

Em grave crise financeira, a Globo avisa aos clubes. Vai diminuir cotas de transmissão

Reprodução Sportv

São Paulo, Brasil

Desde a chegada de Jair Bolsonaro ao poder, a verba publicitária, vinda do governo federal, nunca foi tão baixa para a Globo.

A emissora carioca sentiu o baque.

Demitiu mais de cem funcionários.

E promoveu uma reestruturação interna.

A determinação da cúpula da emissora carioca foi economizar, desde então.

O que atingiu diretamente o futebol.

Por vários motivos, jornalistas importantes foram afastados.

Saíram demitidos ou pediram 'licença'.

Como Mauro Naves, Tino Marcos, Marcos Uchoa.

Em 2019 foi uma guerra com o Palmeiras.

A Globo perdeu para o então campeão brasileiro, tendo de pagar mais do que esperava para ter o direito de transmitir seus jogos no Brasileiro. Na tevê aberta e no pay-per-view.

2020 começou e outro conflito perdido.

Para o Flamengo. 

O clube da Gávea, campeão da Libertadores e Brasileiro, não aceitou receber R$ 16 milhões como os rivais Botafogo, Fluminense e Vasco, pelo Carioca. Exigiu R$ 100 milhões.

E a Globo passou pela bizarra situação de não poder transmitir os jogos do Flamengo. Não mostrou a final da Taça Guanabara, conquistada pelo rubro-negro. De nada adiantou ter fechado a cota para os demais 11 equipes.

O Flamengo ainda entrou na justiça contra a Globo, questionando cálculo da remuneração, à periodicidade dos pagamentos e ao ressarcimento de despesas com viagens do Brasileiro.

Mas tudo pioraria.

Surge a pandemia do coronavírus e trava o futebol mundial.

Sem jogos, sem piedade.

Clubes estão nas mãos da Globo. Sabem que receberão cotas menores em 2020

Clubes estão nas mãos da Globo. Sabem que receberão cotas menores em 2020

CBF

A Globo parou de pagar as cotas dos Estaduais, que deseja se livrar, pelas baixas audiências. 

E também o pagamento das cotas que chegariam a R$ 22 milhões para cada clube, o que representam 40% do combinado para 2020. Os demais 60% são divididos: 30% por número de jogos e mais 30% por colocação final do Brasileiro.

Só que o que vários dirigentes já estavam esperando aconteceu. 

A informação foi dada por meu ex-colega de Jornal da Tarde, Marcel Rizzo. E depois confirmada por este blog.

A emissora pretende pagar entre 40% e 50% a menos aos clubes. Primeiro, nestas cotas atrasadas. Mas a diminuição pode chegar no número de jogos e até na colocação.

Sem partidas ao vivo e só com replays, os patrocinadores do futebol da Globo, Ambev, Casas Bahia, Chevrolet, Hypera Pharma, Itaú e Vivo, também estão pedindo redução nas cotas que chegam a R$ 1,8 bilhão.

A emissora carioca avisou aos clubes da Série A que os valores terão de ser revistos, por conta do coronavírus.

Os dirigentes estão sem saída.

Os clubes se mostram pressionados financeiramente. Sem arrecadação, com patrocinadores desistindo ou pedindo redução nos contratos, com os sócios-torcedores deixando de pagar mensalidades. E sem as cotas de transmissão da Globo.

O blog apurou que os dirigentes de clubes querem uma redução muito menor por parte da Globo. Nada de 40%, 50%. Dizem possuir contrato assinado garantindo cerca de R$ 1,2 bilhão por ano, no Brasileiro.

Mas sabem que a conciliação é o menor caminho para passarem a receber.

A Globo quer dividir R$ 8 milhões para cada equipe, como 40% dos direitos de transmissão, até dezembro.

E também acertar a redução no pagamento de número de jogos e colocação no Brasileiro.

Sem receitas, os clubes precisam urgentemente de dinheiro.

E devem aceitar.

Athletico, Bahia, Ceará, Coritiba, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos também esperam uma postura definitiva da AT&T, que comprou a Warner, que comprou a Turner, dona da transmissão dos oito clubes na tevê a cabo.

A Turner, vendida à Warner, vendida à AT&T. Rival da Globo com sérios problemas

A Turner, vendida à Warner, vendida à AT&T. Rival da Globo com sérios problemas

Reprodução EI

Os indícios são fortes. Não há apenas o desejo da diminuição das cotas, mas a rescisão de contrato até 2024.

O que já era ruim, em termos de retorno financeiro, ficou perto do inviável pela crise do coronavírus.

Ou seja, a televisão deste país jamais teve tantos problemas para poder bancar as cotas de transmissão dos Estaduais e do Brasileiro.

Por isso, a pressão, a expectativa dos clubes para que o futebol volte a ser jogado no Brasil.

Com portões fechados, mas transmitido pela tevê.

A partir do dia 16 de maio, em Santa Catarina, como o blog publicou há seis dias.

O governador Carlos Moisés ficou de dar a resposta à Federação Catarinense de Futebol ainda esta semana.

Futebol pode voltar em Santa Catarina. Depende do governador

Futebol pode voltar em Santa Catarina. Depende do governador

Julio Cavaleiro/Secom

Os clubes jamais precisaram tanto do dinheiro da tevê.

Mas não vão processar a emissora por quebra de contrato.

Um processo tão complexo poderia levar anos.

A Globo sabe disso.

Mas sua fase de esbanjar acabou...

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