Pandemia. Caos no futebol da Globo. Redução nos salários nos clubes

Emissora carioca já suspendeu pagamento dos Estaduais. Dirigentes sabem: segunda parcela do Brasileiro segue mesmo rumo. E diminuirão salários

Coronavírus atingiu em cheio a dona do monopólio do futebol neste país

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Reprodução/Sportv

São Paulo, Brasil

A TV Globo tem imensa responsabilidade sobre a redução, ou não, do pagamento dos jogadores durante a pandemia.

Por um simples motivo.

A emissora é a grande investidora no futebol do país.

Preço de ser a dona do monopólio.

A Globo suspendeu o pagamento dos Estaduais.

E tem tudo para suspender também a verba do Campeonato Nacional. 

Ela pagou a primeira parcela do Brasileiro da Série A, em março.

Mesmo em dificuldade financeira, bancou os 40% do acertado, comum entre os vinte clubes. 

A dúvida está nos 60% restantes. 

Seguindo o modelo inglês, 30% são número de jogos transmitidos.

E os outros 30% de acordo com a colocação no Brasileiro passado.

O critério vale para a tevê aberta e para a fechada.

No pay-per-view, R$ 550 milhões devem ser divididos da seguinte forma. Uma quantia como 'luvas' para todos os clubes e, depois, a maior parte leva em conta pesquisa sobre os clubes de preferência dos assinantes.

Há grande probabilidade que a emissora não pague a segunda parcela da aberta, marcada para este mês.

A Globo está renegociando valores com seus patrocinadores do futebol. Porque não há partidas. Não há nem mais noticiários específicos de esporte. 

Novos assinantes de pay-per-view desapareceram.

Não há jogos para transmitir.

E começam também os cancelamentos.

Athletico-PR, Bahia, Ceará, Internacional, Palmeiras, Santos e Fortaleza, que assinaram com o Esporte Interativo, nos jogos do Brasileiro na tevê fechada, sabem que receberão apenas no final do ano, como foi em 2019.

Mas a quantia é 'pequena' em relação à Globo, chega a R$ 170 milhões.

A  emissora carioca, dona do monopólio, gasta cerca de R$ 1 bilhão com os clubes por ano. Só o Flamengo recebe nunca menos de R$ 120 milhões por ano, até 2024. Isso, por contrato. 

Só que a pandemia trouxe imensos prejuízos à emissora carioca, que já sentiu o baque da mudança na presidência, com suas cotas de publicidade federal sendo drasticamente reduzidas.

Em 2017, por exemplo, ela recebia 48,5% da publicidade federal. Em 2019, passou a receber 16,3%.

Não, por acaso, demitiu mais de 100 funcionários.

Agora, veio a crise no esporte.

A Globo contava com mais de R$ 3 bilhões dos patrocinadores. 

Só que o coronavírus já adiou as Olimpíadas de Tóquio.

Ela havia colocado à venda seis cotas de R$ 96,9 milhões cada. São menos R$ 581,2 milhões em 2020.

A Fórmula 1 está suspensa. O número de GPs deverá ser reduzido.

A Globo havia vendido as cotas para 22 corridas.

Duas já foram canceladas: Austrália e Mônaco.

Baren, Vietnã, China, Holanda, Espanha e Azerbaijão, entre março e junho, estão suspensas.  E com sérias dúvidas se serão disputadas este ano. As demais 14 provas, entre 14 de junho e 29 de novembro, por enquanto, estão mantidas.

São mais R$ 495 milhões correndo sério riscos.

Assim como no futebol, não há provas e nem material para ser mostrado nos noticiários, como prevê o contrato com os patrocinadores.

O futebol vale R$ 1,8 bilhão em patrocínio para a Globo. 

Depende da Globo, o Corinthians reduzir ou não salários

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Corinthians

Os Estaduais estão parados.

Assim como a Copa do Brasil.

Libertadores. 

Sem previsão de volta.

O Brasileiro deveria começar no dia 2 de maio.

A CBF não leva mais esta data em consideração.

A Copa América, marcada para a Argentina, ficou para 2021.

As Eliminatórias para a Copa de 2018, que deveriam ter começado, foram suspensas. 

A Globo ofereceu 85 partidas transmitidas para Ambev, Casas Bahia, Chevrolet, Hypera Pharma, Itaú e Vivo.

Desde o dia 18 de março não acontecem jogos no Brasil.

Fórmula 1 suspensa. Assim como a Olimpíada. Mais prejuízo para a Globo

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Reprodução/Twitter

Os grandes clubes já deram férias aos seus atletas. Entre o dia primeiro até 20 de abril.

A previsão otimista de especialistas em pandemia é que a vida volte ao normal, no final de maio, início de junho. Com muito otimismo.

Será impossível, em um calendário normal, a Globo ter 85 jogos para mostrar em 2020.

Os clubes já combinaram entre si.

Não haverá jogos encavalados, três por semana, como defendem as Federações, que desejam os Estaduais terminados.

Copa América na Argentina. Também suspensa. Só em 2021. Outro golpe

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CBF

Diante desse cenário, os dirigentes têm sim razão em se preocupar.

E insistir na possibilidade de reduzir salários dos atletas, durante a pandemia, como já fizeram Grêmio, Atlético Mineiro, Ceará e Fortaleza.

A Globo já suspendeu o pagamento dos Estaduais.

Tem toda a chance de suspender também do Brasileiro.

A tensão nas equipes se justifica.

A principal fonte de renda, da esmagadora maioria dos clubes, é da televisão.

Da dona do monopólio neste país...

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