Cosme Rímoli O 'pai está off'. Neymar perde final da Champions. E chora

O 'pai está off'. Neymar perde final da Champions. E chora

O Bayern impôs sua força coletiva. Neymar perdeu um gol cara a cara com Neuer. O brasileiro perdeu o título. E também a chance de ser o melhor do mundo

  • Cosme Rímoli | Do R7

São Paulo, Brasil

O PSG foi até o seu limite.

Perdeu sua inédita final de Champions.

Não teve força suficiente para encarar o futebol coletivo, vibrante e experiente do Bayern.

A justa vitória alemã, em Lisboa, se confirmou com um gol de cabeça de Coman, surpresa do técnico Hans-Dieter Flick.

Foi a 11ª vitória seguida na Champions.

Os alemães chegaram à sua sexta conquista do torneio mais importante de clubes.

Neymar foi enorme decepção.

Ele teve uma chance espetacular, aos 17 minutos do primeiro tempo.

Mbappé o descobriu entre a vigorosa zaga do Bayern.

Ele estava livre.

Cara a cara com Neuer.

Mas o jogador mais caro de todos os tempos, o que deixou o Barcelona para ser melhor do mundo, não teve sangue frio para tirar a bola do excepcional goleiro alemão.

Era o seu lance decisivo.

E ele falhou.

Não só na Champions.

Mas, possivelmente, na briga para ganhar o prêmio The Best, da Fifa.

Era o palco ideal para chegar à sonhada conquista individual.

Neymar desabou em lágrimas. Sabe o quanto é amarga a derrota desta final

Neymar desabou em lágrimas. Sabe o quanto é amarga a derrota desta final

Matthew Childs/Reuters - 23.8.2020

Ele que postou nas suas redes sociais, ants do jogo que 'o pai estava on', em tradução livre do inglês, 'o pai estava ligado', ou seja, pronto para ganhar a Champions, terminou 'off', ou seja, desligado. Pelo Bayern.

A marcação alemã foi por setor. Não houve a obessão de jogadores perseguindo individualmente Neymar. Longe disso. O time alemão manteve seu 4-5-1, preenchendo os espaços no campo, com obediência tática e preparo físico incríveis. 

Neymar atuou novamente como meia, deixando o lado esquerdo do campo, onde rende muito mais, para Mbappe. E o argentino Di María, pela direita. Thomas Tuchel tentou a ousadia, manter o 4-3-3, mesmo tendo pela frente, uma equipe reconhecidamente melhor. 

As lágrimas. Ele sabe, aos 28 anos, o prêmio de melhor do mundo não será seu

As lágrimas. Ele sabe, aos 28 anos, o prêmio de melhor do mundo não será seu

Uefa/Twitter

A distribuição tática alemã, o vigor na recomposição, a seriedade, se impuseram diante do talento de Neymar. Não houve arrancadas, dribles espetaculares, jogadas geniais. Porque quando a bola chegava nele, foi muito bem vigiado.

Mas como não existe time infalível, o brasileiro teve sua chance de consagração, aos 17 minutos do primeiro tempo, como já foi exposto.

Neuer seguiu intimidando jogadores consagrados como Mbappé e Di María. Ambos também tiveram chance para marcar. Só que o francês deu um chute fraquíssimo, cheio de medo, que o goleiro alemão encaixou. E o argentino arrematou livre por cima.

Depois do gol que perdeu, Neymar foi desaparecendo da partida. Se intimidando, como todo o PSG, diante do vigor do Bayern. Fez um péssimo segundo tempo. Conseguiu se irritar, dar um pontapé em Lewandowski e tomar o cartão amarelo.

Apesar do talento, sentiu sua impotência diante de uma equipe muito melhor.

Foi bloqueado, marcado, anulado.

Ao final do jogo, não conseguiu conter o choro.

Sabia que desperdiçou uma chance raríssima.

A chance, aos 17 minutos, da consagração de Neymar. Desperdício fatal

A chance, aos 17 minutos, da consagração de Neymar. Desperdício fatal

@ChampionsLeague

A primeira final da Champions na história de 50 anos do PSG.

Não foi nada fácil chegar tão longe.

E sentir a taça escapar das pontas dos dedos.

De nada adianta um jogador, mesmo sendo tão talentoso quanto ele, garantir que está 'on'.

Era preciso muito, muito mais para derrotar o Bayern.

A Neymar, restaram as lágrimas...

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