Cosme Rímoli No auge da pandemia, CBF compra briga. "Futebol vai continuar"

No auge da pandemia, CBF compra briga. "Futebol vai continuar"

A entidade despreza o pior momento da covid-19 no país. E enfrenta até governadores que querem a paralisação do futebol

  • Cosme Rímoli | Do R7

O secretário-geral da CBF desafia governadores. "O futebol é seguro, controlado"

O secretário-geral da CBF desafia governadores. "O futebol é seguro, controlado"

CBF

São Paulo, Brasil

No dia 15 de março de 2020, o país perdeu 829 vidas por conta da pandemia de covid-19.

O Brasil atingia 14.817 mortes desde o início da doença.

E a CBF decidiu suspender o futebol em todo o país.

9 de março de 2021.

São nada menos do que 1954 mortes no país, por conta da pandemia de covid-19.

Nenhum país no mundo perdeu tantos habitantes nesta terrível segunda-feira.

O Brasil totalizou a perda de 268.568 vidas.

É o pior momento, o auge da pandemia.

Hospitais do país todo estão com suas UTIs lotadas com pessoas infectadas, entubadas.

São milhares esperando vagas.

Estados lutando para poder seguir oferecedo oxigênio.

O governo central buscando acordos por vacinas, para não parar a imunização da população, que mal começou.

Mas, hoje, dia 10 de março, a CBF acaba de anunciar.

O futebol continuará no país.

Pelo menos as competições nacionais.

"A aplicação do protocolo sanitário, com a convicção ainda mais forte que nós já tínhamos no ponto de vista teórico, em agosto, quando retomamos."

"Mas agora com convicção da aplicação na prática."

"O futebol é seguro, controlado, responsável e tem todas as condições de continuar", disse o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. Ele é médico.

E político há décadas.

Sabe que vários governadores, a começar pelo de São Paulo, João Doria, querem a paralisação do futebol. 

Clubes seguem protocolo da CBF. Mas ele não impediu inúmeros casos entre jogadores

Clubes seguem protocolo da CBF. Mas ele não impediu inúmeros casos entre jogadores

Internacional

Por trás do anúncio oficial de hoje, de manhã, da CBF, há o apoio do governo central.

Feldman tratou de garantir o apoio do Ministério da Saúde, como fez em junho de 2020, quando o esporte voltou, depois de 93 dias de paralisação.

O governo Jair Bolsonaro quer a sequência do futebol para amenizar a crise que domina o país por conta das mortes e desemprego provocados pela pandemia.

Exige que seja respeitado o protocolo que garantiu a volta do futebol, inspirado no da Alemanha.

Os principais sindicatos de jogadores do Brasil são pressionados pelos jogadores.

Eles querem que o futebol continue.

Mesmo com todos os clubes grandes deste país já tendo sido afetados pela doença.

Assim como os árbitros, muito prejudicados com a paralisação de 2020.

E como os dirigentes de clubes, também preocupados com os prejuízos.

A decisão da CBF afeta as competições nacionais.

Se governos dos estados decidirem proibir o futebol, o clubes podem ter de apelar para atuar em lugares onde estão liberados.

Como, por exemplo, se o Campeonato Paulista for paralisado, jogos podem acontecer em Minas, se o futebol estiver liberado.

O mesmo vale para competições nacionais, como a Copa do Brasil.

E a Libertadores.

Seriam medidas radicais, mas possíveis.

Legais, garantem departamentos jurídicos dos clubes.

Haveria, evidente, a pressão financeira.

Quem bancaria as viagens e hospedagem de equipes pequenas para atuarem fora dos seus estados?

João Doria recebeu do Ministério Público pedido para paralisar o futebol em São Paulo

João Doria recebeu do Ministério Público pedido para paralisar o futebol em São Paulo

Reprodução/Governo de São Paulo

A postura da CBF tem muito poder.

Mas só garante na prática a sequência de torneios nacionais.

Onde for permitido jogar.

Os Estaduais podem parar, na prática.

Estão nas mãos dos governadores...

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