Nem a Libertadores comoveu Gabigol. Por 'honra' quer a Europa

O Flamengo tem encaminhada a negociação com a Inter de Milão por R$ 100 milhões. Mas o artilheiro segue sonhando em sua revanche pessoal

Gabigol. 40 gols em 53 partidas. Artilheiro do Brasileiro e da Libertadores

Gabigol. 40 gols em 53 partidas. Artilheiro do Brasileiro e da Libertadores

REUTERS/Henry Romero - 23.11.2019

São Paulo, Brasil

Após a empolgante conquista da Libertadores pelo Flamengo, em Lima, os jogadores se revezaram nas fotos com a cobiçada taça.

Gabigol, jogador que mudou o rumo da história da decisão, com seus dois gols, pegou o troféu e levou em direção à torcida flamenguista no estádio Monumental de Lima. 

Ao se aproximar, ouviu o singelo coro.

"Fica, fica, fica..."

O atacante só sorria.

Mesmo com a conquista histórica para o Flamengo, o jogador não quis definir seu futuro. 

Ele sabe muito bem.

Se dependesse dos dirigentes do clube, eles se juntariam na torcida e gritariam para ele ficar.

“Ele quer conversar depois da temporada, então conversaremos depois da temporada. É um pedido dele. Se ele quiser conversar agora, conversamos agora", disse hoje, o presidente Rodolfo Landim.

Só que Gabigol está realmente indeciso.

Sabe que a diretoria carioca está negociando com a Inter de Milão. Se mostra disposta a pagar R$ 100 milhões pelo artilheiro.

Só que, aos 23 anos, o jogador não conseguiu esquecer o fracasso no futebol europeu. Virou até motivo de piada em 2016. Foi considerado pela imprensa italiana como uma das piores contratações da história da Inter de Milão.

Fez dez partidas e apenas um gol.

Acabou emprestado para o Benfica que o devolveu antes do prazo, tamanha a decepção com seu futebol. Conseguiu entrar em campo cinco vezes e marcar apenas um gol. Um vexame.

Recuperou a confiança no Santos, em 2018.

Mas no Flamengo, neste ano, tem a melhor temporada de sua vida.

A imprensa italiana segue cruel com o atacante.

Desvaloriza o fato de ser o artilheiro da Libertadores, do Brasil.

A tentação de voltar à Europa e vencer onde fracassou é imensa.

Ele já está milionário.

Ganha R$ 1,3 milhão a cada 30 dias, desde julho de 2016, quando foi vendido do Santos para a Inter por 27,5 milhões de euros, atuais R$ 127 milhões. E tem contrato até 2022.

Na transação para a Itália, ele recebeu cerca de R$ 30 milhões por parte dos seus direitos.

Ou seja, não é dinheiro que o preocupa.

Os 40 gols que marcou no Flamengo em 54 partidas são impressionantes.

Mas o empresário do atacante, Júnior Pedrosa, se mostra preocupado. Porque seu fraco desempenho na Itália e em Portugal segue atrapalhando o interesse de grandes equipes da Europa.

Gabigol nunca foi tão feliz na carreira como no Flamengo

Gabigol nunca foi tão feliz na carreira como no Flamengo

Flamengo

E não deixou de fazer propaganda do jogador ao jornal espanhol As, na quinta-feira.

"Gabriel tem evoluído a cada ano, tanto dentro quanto fora de campo. Sua evolução se evidencia em seus números, em seu comportamento. Atualmente, ele está rodeado de profissionais que o ajudam na dieta, na regeneração muscular, além da preparação física e mental.

"Gabriel está pronto para dar outro salto em sua carreira e alcançar um novo nível", disse.

Ao lado de Júnior e Petkovic, comentaristas da Globo, Gabigol foi muito esperto.

Comemorou o título da Libertadores, mas não disse uma palavras sobre seu futuro.

"Eu poderia falar muitas coisas. Mas primeiro quero agradecer a Deus por esse momento especial.

"Momento que ficará guardado para o resto da minha vida, momento histórico para todos nós, flamenguistas, brasileiros.

"Agradecer muito minha família, ao estafe, aos jogadores, à nação que invadiu o Peru. Quero só agradecer. Momento histórico."

A direção do Flamengo está animada.

Mas só em relação à Inter de Milão.

Gabigol não conseguiu assimilar o sofrimento na Europa. Quer revanche

Gabigol não conseguiu assimilar o sofrimento na Europa. Quer revanche

Reprodução/Twitter

O clube se mostra disposto a aceitar R$ 100 milhões pelo jogador.

Mas Gabigol quer atuar na Europa.

E vai esperar até o último instante, após o Mundial do Catar.

Ele nunca foi tão feliz na carreira, como no Flamengo.

Mas quer voltar onde fracassou, a Europa.

É uma questão 'de honra'.

Só ficará na Gávea se nenhum clube importante o quiser.

Simples assim...

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