Logo R7.com
RecordPlus
Cosme Rímoli - Blogs

Na batalha campal do Mineirão, Tite foi o vencedor. Cruzeiro é campeão e trava o hepta do Atlético. Com o título, técnico segue empregado

O balanço é simples, depois do vexame dos jogadores, trocando socos e pontapés. Na decisão do Mineiro, vencida pelo Cruzeiro por 1 a 0, Tite ganhou sobrevida. Dono do clube, Pedro Lourenço, garantiu: ‘Ele não é moleque’

Cosme Rímoli|Do R7

  • Google News
Tite comemora o título mineiro. Alívio, depois de ser sistematicamente xingado pela própria torcida cruzeirense Divulgação/Cruzeiro

Uma saraivada de socos e pontapés.

Entre os jogadores de Cruzeiro e Atlético.


Foi assim, desta maneira lastimável, que acabou o Campeonato Mineiro de 2026.

Depois de quatro anos, foi permitida a entrada das duas torcidas no Mineirão, em uma demonstração de busca de paz no futebol.


Mas foram os atletas que deram o histórico vexame.

O Cruzeiro ganhou a partida decisiva por 1 a 0.


Gol de Kaio Jorge.

Resultado mais do que justo.


Foi travada a caminhada do Atlético ao heptacampeonato estadual.

O grande vencedor do ‘campo de guerra’ que virou o gramado do Mineirão foi Tite.

Não houve o coro que o persegue em Belo Horizonte.

Os cruzeirenses, felizes pela vitória diante do rival, não cantaram o já tradicional ‘Adeus, Tite!’

O trocaram por “Olê, Tite...”

O treinador venceu seu primeiro título depois do seu grave ataque de pânico e ansiedade, em 2025.

Com a conquista do título, o dono do Cruzeiro, o bilionário Pedro Lourenço, garantiu a permanência do treinador.

“O Tite é um cara sério, não é moleque.

“O título vem para coroar o trabalho. Lá todo mundo trabalha.

“A responsabilidade não pode ser só para um cara (treinador). Isso mostra que a gente está no caminho certo.

“Aguentamos todas as pressões e, em hora nenhuma, passou na nossa cabeça em demitir ele. Então, ele tem todo o meu apoio, o apoio da nossa diretoria.

“Tite é o nosso técnico e eu espero que nós vamos (com ele) até no final do ano, se Deus quiser, com mais títulos.”

Festa no Cruzeiro pelo título. Depois da lastimável briga, a alegria por evitar o hepta do rival Atlético Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Eduardo Domínguez fez apenas sua segunda partida no comando do Atlético, na final do Mineiro, hoje.

O domínio do Cruzeiro passou por uma característica que Tite faz muito bem nos clubes: a marcação. Não houve espaço nas intermediárias para o rival jogar, o que obrigava Everson e os zagueiros apelarem para chutões, desprezando o meio-campo.

Tite não pôde fazer o mesmo na Seleção Brasileira porque a tradição obriga a montagem de uma equipe ofensiva, que jamais foi o forte dos times treinados por Adenor Bachi.

“A única coisa que posso dizer é lealdade e honestidade. O torcedor do Cruzeiro vai ter sempre isso de mim, no meu trabalho.

“Não vai ter curva, não vai ter falar uma coisa e fazer outra pelas costas. Não é da minha índole”, desabafou, entusiasmado e aliviado, Tite.

Houve quem traduziu a declaração como ironia endereçada a Leonardo Jardim, que jurou que só voltaria a treinar no Brasil se fosse no Cruzeiro. Fechou com o Flamengo.

Se Tite perdesse o título, apesar do apoio de Pedro Lourenço, sua situação seria terrível. Torcedores organizados e comuns pediam sua demissão antes da final.

O Cruzeiro articulou seus ataques com convicção, atacava em bloco, ao retomar a bola nas intermediárias.

Deu nove arremates a gol contra só três do Atlético.

Aos 14 minutos do segundo tempo, Gerson cruzou. Kaio Jorge cabeceou livre, a bola bateu na trave e havia entrado, passado a linha ‘fatal’, quando Everson a espalmou.

Gol do Cruzeiro.

A partir daí, o Atlético, que já não jogava bem, passou a se enervar. E esse desequilíbrio emocional contaminou o Cruzeiro.

As divididas passaram a ser duríssimas.

E a passividade, a insegurança e a vontade de não expulsar ninguém do árbitro Matheus Candançan só deixaram os nervos dos atletas ainda mais à flor da pele.

Até que tudo explodiu aos 51 minutos.

Matheus Pereira chutou, Everson faz a defesa. E Christian não evitou o choque. O goleiro, revoltado, se levantou, derrubou o atacante rival e deu uma joelhada no seu rosto. Além de gritar muito muito com o jogador.

Pronto...

Declarada a guerra aberta entre os jogadores.

O que se seguiu foi lastimável.

Socos, pontapés, voadoras, empurrões.

Everson chegou a bater com o rosto na trave, no meio da confusão.

Os jogadores dos dois times bateram muito.

As cenas constrangedoras rodaram o mundo.

“Não me recordo de ter participado de alguma violência assim em uma partida em que estive presente.

“É lamentável, não vou cansar de pedir desculpa. Claro que a gente está defendendo nossas cores ali, vamos defender até a morte.

“Poderia ser evitado, mas como já falei, o principal culpado de tudo que aconteceu é o Matheus (árbitro), porque eu tinha falado pra ele no segundo tempo: ‘Matheus, se você não tiver o controle do jogo, esquece.

“Tem que começar a dar cartão.’ Porque começou a ter tapa na cara, empurrão e simplesmente não fez nada”, acusou Hulk.

Matheus Pereira morde uma galinha de plástico, ironizando o símbolo do Atlético Mineiro, um galo Gustavo Aleixo/Cruzeiro

“A gente não começou muito bem o Brasileiro, mas sabia que o Mineiro iria nos dar uma confiança e esse título é pra torcida, que está sempre com a gente, nos apoiando nos momentos bons, momentos ruins e graças a Deus pude fazer o gol, minha família tá tudo aí, graças a Deus por tudo”, celebrava Kaio Jorge.

Após a conquista, jogadores cruzeirenses provocaram os rivais atleticanos. Matheus Pereira apareceu mordendo uma galinha de plástico, ironizando o Atlético.

São provocações que refletem nos torcedores, em um momento que o futebol mineiro busca a paz.

Paz que Tite tanto precisa.

Mas é fugaz.

Na quarta-feira, o Cruzeiro jogará com o Flamengo, clube no qual fracassou, em pleno Maracanã, estádio onde nasceu o famoso coro ‘Adeus, Tite’...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.