Cosme Rímoli Manchester City 4, Real Madrid 3. Guardiola e Ancelotti dão aula ao Brasil, de modernidade

Manchester City 4, Real Madrid 3. Guardiola e Ancelotti dão aula ao Brasil, de modernidade

Na primeira semifinal da Champions League, ficou demonstrada a importância de técnicos que saibam unir estratégia, jogo coletivo e talento. Vitória do City sobre o Real por 4 a 3. Lição aos clubes e à seleção brasileira

  • Cosme Rímoli | Do R7

Gabriel Jesus se aproveitou de falha de Alaba. Jogo frenético, épico, inesquecível

Gabriel Jesus se aproveitou de falha de Alaba. Jogo frenético, épico, inesquecível

@ChampionsLeague

São Paulo, Brasil

Manchester City 4, Real Madrid 3.

O melhor jogo de 2022.

Pep Guardiola e Carlo Ancelotti mostraram o quanto o futebol evoluiu não só na tática. No físico, na mentalidade. No talento aliado ao conjunto. Por isso,o Brasil precisa de intercâmbio.

De treinadores desse potencial nos times e na seleção.

A primeira partida semifinal da Champions League de 2022, disputada em Manchester, colocou frente a frente o revolucionário treinador catalão comandando o clube inglês, controlado pela bilionária família real dos Emirados Árabes, diante do vitorioso técnico italiano, à frente da equipe espanhola, maior vencedora de títulos importantes da história.

A idade de Guardiola, 51 anos, e de Ancelotti, 62 anos, foi o que menos importou. Mas, sim a tremenda competência dos dois treinadores em organizar seus elencos recheados de estrelas. E fazer com que todas elas fizessem do futebol coletivo a prioridade. Com espaço para mostrarem seu talento com a bola nos pés.

A estratégia do Manchester City foi de muita audácia e vibração. Já se poderia imaginar que o time inglês buscaria a marcação sob pressão. Mas Guardiola foi além e fez com que seus jogadores dessem uma blitz, encurralassem o Real Madrid.

Se lançando ao ataque com velocidade, em grupo, buscando, de qualquer maneira, vantagem de gols para a partida fora, em Madri.

Apostou até em Gabriel Jesus, jogador que negocia com o Arsenal. 

Ancelotti estruturou seu sistema defensivo. Mas não podia contar com Éder Militão e Alaba mal individualmente. O austríaco entrou em campo com problemas físicos. Está na fase final da recuperação de uma contratura na coxa direita.

A ordem de Guardiola era ataques em bloco, desde os primeiros instantes de jogo. E logo a um minuto e meia de jogo, De Bruyne marcou 1 a 0 para o City, mergulhando de cabeça, após cruzamento perfeito de Mahrez.

O primeiro gol. A um minuto e meio. O City se aproveitava da fraca atuação da zaga espanhola

O primeiro gol. A um minuto e meio. O City se aproveitava da fraca atuação da zaga espanhola

@ChampionsLeague

Mas a pressão continuou e De Bruyne serviu Gabriel Jesus, que mostrou o quanto Alaba estava mal fisicamente. O brasileiro virou como quis diante do austríaco e não teve pena de Courtois, que saía do gol desesperado. 2 a 0, aos dez minutos do primeiro tempo.

O Real Madrid não conseguia reagir. 

Mahrez e Folden tiveram chances claríssimas de marcar mais dois gols. O que seria justo e desastroso para o Real Madrid. Ancelotti percebeu que tinha a necessidade de adiantar o seu meio-campo, fazer com que o time espanhol atuasse como se estivesse no Santiago Bernabéu. Rodrygo, Vinícius Júnior e Benzema estavam encaixotados na marcação britânica.

Só quando Modric e Kroos se adiantaram e passaram a subir, por trás da marcação alta do City, onde o espaço se abriu. E Benzema mostrou porque tem tudo para ganhar a Bola de Ouro de 2022. O artilheiro se antecipou e bateu com precisão, depois de bola levantada por Mendy. 2 a 1.

Benzema descontou para o Real Madrid no primeiro tempo. Gol deu ânimo aos espanhóis

Benzema descontou para o Real Madrid no primeiro tempo. Gol deu ânimo aos espanhóis

Oli SCARFF/AFP 26.04.22

O gol, aos 33 minutos, fez com que a partida se incendiasse. Com os dois times tratando de mostrar o seu melhor ofensivamente. 

Foi uma aula de modernidade. 

Triangulações pelos lados. Tabelas treinadas à exaustão. Infiltrações coordenadas. Mas com todo espaço dado pelos treinadores para jogadas individuais. Dribles, arrancadas, chutes de fora da área. Um espetáculo.

O City voltou disposto a ampliar a vantagem. Se aproveitando da postura mais aberta do Real Madrid, criou uma chance espetacular aos dois minutos. Mahrez fez o que quis com Militão e acertou a trave de Ederson. No rebote, Foden chutou e Carvajal salvou em cima da risca.

Mas o time inglês parecia que iria decidir a semifinal. Fernandinho, improvisado como lateral-direito, fez ótima jogada e cruzou na cabeça de Foden. A zaga do Real Madrid estava assustadoramente mal. 3 a 1, City, aos sete minutos. 

Se enganou quem acreditou que tudo estava decidido. Dois minutos depois, Vinícius Júnior deu uma arrancada absurda, que começou no campo do Real Madrid. Ele enfiou a bola nos meio das pernas de Fernandinho e parecia um velocista olímpico. Transformou o gramado em uma quadra de futsal. Só parou diante de Ederson, tocando, consciente, no canto do goleiro brasileiro. 3 a 2.

A euforia tomou conta do Etihad Stadium. Ninguém poderia prever o que aconteceria. O jogo se transformou em um thriller, filme de suspense.

Com chances de lado a lado.

Até que, aos 28 minutos, Zinchenko sofreu falta. Mas o árbitro romeno István Kovács, corretamente, deu vantagem, o que atrapalhou a zaga do Real Madrid. O português Bernardo Silva acertou um chute maravilhoso de esquerda. Courtois ficou paralisado. 4 a 2, City.

Bernardo Silva marcou o quarto gol do City. Lindíssimo. E que dava vantagem de dois gols

Bernardo Silva marcou o quarto gol do City. Lindíssimo. E que dava vantagem de dois gols

Oli SCARFF/AFP 26.04.22

A vantagem era sensacional para o time inglês. Ancelotti deu outra demonstração do coragem. Fazendo o Real Madrid atacar com até seis jogadores quando tinha a bola dominada.

A pressão espanhola acabou por enervar a zaga inglesa. E, aos 34 minutos, Laporte não teve concentração o suficiente. Foi para a disputa de bola no alto com os braços abertos, acima da cabeça. A bola tocou na sua cabeça, mas também no braço esticado. Pênalti bobo em um jogo tão eletrizante.

Benzema surpreendeu a todos, principalmente o goleiro brasileiro Ederson, ao dar uma cavadinha.

4 a 3, aos 36 minutos.

Só mesmo Benzema para ter coragem, sangue frio, para uma cavadinha na semi da Champions

Só mesmo Benzema para ter coragem, sangue frio, para uma cavadinha na semi da Champions

Paul ELLIS/AFP 26.04.22

O jogo seguiu aberto, com os dois times lutando, mostrando ao mundo a tradução da palavra intensidade.

A partida terminou com os sete gols.

E a decisão para qual time passa à final está completamente aberta.

A partida decisiva será na próxima quarta-feira, em Madri.

O Real Madrid precisa vencer por dois gols de vantagem.

Vitória por um, leva para a prorrogação e pênaltis.

Ao City, basta o empate.

O sobrevivente enfrentará o vencedor de Liverpool e Villarreal na final da Champions.

Ao final do jogo, os torcedores dos dois times aplaudiam de pé.

Assim como os atletas.

Todos sabiam.

Participaram de uma partida épica, histórica.

A melhor de 2022.

Culpa de Guardiola e Ancelotti.

Eles sabem misturar estratégia, futebol coletivo e talento.

Algo que o Brasil precisa nos seus times.

E na seleção...

Jesus e Vini Jr. brilham, City bate o Real em jogaço e sai na frente na semi

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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