Guerra com o Palmeiras é teatro. Corinthians quer pagar Itaquerão
A chegada da BMG é conturbada de propósito. Quanto mais mídia, mais chance de atrair mais dinheiro para pagar a caótica dívida com estádio
Cosme Rímoli|Do R7 e Cosme Rímoli

São Paulo, Brasil
Desde abril de 2017, o Corinthians não tinha um patrocinador master para chamar de seu.
A chegada do banco BMG e seus R$ 30 milhões adiantados faz parte da retomada prometida por Andrés Sanchez e por Luiz Paulo Rosenberg.
Leia também
Sem Romero, Corinthians divulga lista para estreia no Paulistão 2019
Ramiro não vai a campo, e Sornoza treina normalmente no Corinthians
Ramiro diz que escolheu o Corinthians para jogar 'no maior centro do País'
8 a 0 foi pouco: veja as maiores goleadas da história da Copinha
Corinthians tem novo patrocinador e pode arrecadar R$ 64 milhões
O presidente e o vice de marketing sabem melhor do que ninguém: o clube precisa sair do redemoinho econômico que mergulhou por causa do estádio.
Quando, no primeiro mandato do presidente Lula, o Corinthians recebeu o enorme incentivo fiscal para ter a sua arena moderna, com a desculpa da abertura da Copa do Mundo, havia a expectativa de que a economia brasileira seguiria vivendo seu momento de ascensão.
Por isso, desde 2011, Andrés e Rosenberg alardeavam que o clube seria comparável aos maiores da Europa.
Leia também: Na seca! Times vivem jejuns de títulos estaduais pelo Brasil
Com o aporte de R$ 400 milhões na venda do nome do estádio. E mais os R$ 420 milhões que a prefeitura de São Paulo daria, em forma de CDIs, incentivando empresas a descontarem suas dívidas municipais, com desconto, comprando Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento colocados no mercado pelo Corinthians.
Assim, o estádio, avaliado no início de sua construção, em R$ 700 milhões, seriam pagos com tranquilidade.
Só que deu tudo errado.
A situação econômica do Brasil naufragou.
A Emirates, com quem Andrés e Rosenberg negociavam, decidiu não bancar os famosos naming rights. O Ministério Público questionou e ainda questiona os CDIs. Alegando que o então prefeito Kassab não poderia favorecer o Corinthians com dinheiro do município de São Paulo. O que travou a venda dos títulos às empresas.
A construtora Odebrecht, querendo receber o dinheiro do estádio, tratou de comprar alguns CDIs para incentivar. Mas também não deu certo.

Com os juros, a dívida do Itaquerão já ameaça bater nos R$ 2 bilhões.
Inacreditável por uma arena de 40 mil lugares.
Foram anos de tensão e juros sem controle.
Andrés viajou o mundo recebendo 'não' por conta da tentativa de venda dos naming rights.
Rosenberg teve a 'brilhante' ideia de colocar um jogador chinês medíocre para tentar atrair o investimento da China. Foi um fracasso. E Zizao virou um personagem folclórico, como o Biro Biro do Oriente.
E as dívidas se acumulando.
A guerra silenciosa para segurar as arrecadações já compromeetidas.
Daí, a necessidade urgente da retomada financeira.
Andrés e Rosenberg voltaram a ter cargos fundamentais no Corinthians para cumprirem o que prometaram há oito anos. Mesmo sem a ajuda do presidente do Brasil, amigo íntimo.
A chegada do BMG e seu contrato de dois anos trouxe alívio. O plano envolve a participação de sócios-torcedores na busca de mais recursos. O projeto é ambicioso, deixa claro Rosenberg.
Foi sua ideia provocar, usar o Palmeiras e seu patrocínio milionário da Crefisa, para chamar a atenção ao acordo com o BMG.
Conseguiu.
Usou a rivalidade mais ferrenha.
Tomou o troco.
Mas obteve o retorno midiático melhor que esperava.
O sonho é agora é a busca de uma empresa para bancar os naming rights.
Não mais por vinte anos pagando R$ 400 milhões.
Andrés já aceita bem menos.
R$ 100 milhões por cinco anos, por exemplo.

Ele acredita que a força da torcida forçará a todos esquecerem Itaquerão. O que seria uma façanha, porque o estádio já é conhecido pelo apelido. Como Maracanã, Pacaembu. O timing foi perdido por ganância. Andrés seguiu exigindo alto demais, mesmo depois da desistência da Emirates.
O Corinthians também trata, sigilosamente, de forçar a mudança da forma do pagamento do estádio. Foi um erro absurdo amarrar a arrecadação dos jogos na amortização da dívida com a Odebrecht.
A situação vem sendo discutida há quatro anos, desde que Andrés, responsável absoluto pelo estádio, se conscientizou da necessidade de mudança do acordo.
O Corinthians foi campeão brasileiro em 2015 e 2017, com salários atrasados.
Situação mais do que constrangedora.
A Globo seguirá parceira fiel, desde o fim do Clube dos 13. Pagará mais para o Corinthians e Flamengo do que os rivais. Pelo menos o que já é um grande alento.
O Banco BMG quer usar o Corinthians como concorrente direto do Palmeiras. Por conta de seu produto Help, financiadora tnto quanto a Parmalat.
Mas essa 'guerra' é pífia diante dos planos de Andrés e Rosenberg.
Eles querem tirar o Corinthians do caos financeiro que provocaram com o estádio.

E a chegada de um patrocinador master é apenas o primeiro passo.
Obrigatório.
Era indecente, inaceitável.
O clube mais popular do estado mais rico da América Latina não ter uma marca forte no peito de sua camisa.
O Corinthians merecia uma arena moderna e sua.
Mas não que travasse financeiramente o clube...
Curta a página do R7 Esportes no Facebook.
Corintiano, maloqueiro e romântico. Conheça história do jovem Fessin
Poucos jogadores que não começaram no Corinthians se mostram tão corintianos quanto o meia-atacante Fessin. O jogador, que teve uma fratura na tíbia da perna direita, em uma partida da Copa São Paulo de Futebol Júnior, recupera-se da lesão ao lado da n...
Poucos jogadores que não começaram no Corinthians se mostram tão corintianos quanto o meia-atacante Fessin. O jogador, que teve uma fratura na tíbia da perna direita, em uma partida da Copa São Paulo de Futebol Júnior, recupera-se da lesão ao lado da noiva Annielly Massena