Cosme Rímoli Globo não quer briga com o Palmeiras por Abel tomar celular de seu produtor. Por compromissos comerciais. Já Abel pode ser punido

Globo não quer briga com o Palmeiras por Abel tomar celular de seu produtor. Por compromissos comerciais. Já Abel pode ser punido

Emissora tem acordos comerciais com o Palmeiras. De transmissão e ainda veicula propagandas da Crefisa, da Puma. Mas Abel poderá ser suspenso pelo STJD por tomar celular do produtor. E entrar em greve de silêncio

  • Cosme Rímoli | Do R7

Produtor da Globo desesperado, tentando reaver o celular, que foi tomado por Abel Ferreira

Produtor da Globo desesperado, tentando reaver o celular, que foi tomado por Abel Ferreira

Reprodução/Itatiaia

São Paulo, Brasil

A Globo não quer entrar em conflito com Abel Ferreira.

A cúpula da emissora não quer comprar briga pública com o treinador português, apesar dele ter tomado o celular de um produtor, que filmava uma discussão entre o gerente de futebol palmeirense, Anderson Barros e o quarto árbitro Ronei Cândido Alves, logo depois da partida de ontem entre Atlético Mineiro e Palmeiras.

A emissora vai aceitar o 'pedido de desculpas' que o treinador ainda no Mineirão.

E quer seguir adiante.

Seus comentaristas não irão insistir no assunto e não serão criadas matérias pesadas mostrando o gesto de censura do português.

Há vários motivos para a emissora carioca não querer aumentar a confusão. O principal deles é a relação comercial.

O Palmeiras é o quarto clube a receber mais dinheiro das transmissões do Brasileiro. Fica atrás de Flamengo, Corinthians e São Paulo. Apesar da fase excepcional, colecionando oito títulos, desde a chegada de Abel Ferreira, em novembro de 2020, a cota é apenas a quarta, situação que irrita muito a direção palmeirense.

Além disso, a Globo tem relação com a Crefisa, principal patrocinadora do clube. E empresa da presidente Leila Pereira.

Além da Puma, fabricante dos uniformes.

Uma briga pública com Abel Ferreira só traria desgastes.

A rádio Transamérica, que teve de demitir seu comentarista Paulo Roberto Morsa, por ter ofendido o treinador Abel Ferreira, no ano passado. Foi embora porque havia o receio que o clube não permitiria que repórteres da emissora cobrissem o clube enquanto a emissora não punisse Morsa. Daí a demissão.

Se a Globo recua, o STJD não.

A procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva já pediu as imagens da tomada de celular do treinador do produtor da Globo.

E o treinador palmeirense pode ser suspenso até seis partidas.

Sua atitude encaixa no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): 'assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras deste código'.

É óbvio que Abel não respeitou o trabalho do produtor, que estava na 'zona mista' do Mineirão, ou seja, um local onde ele pode circular.

Mas o português, que já recebeu 45 cartões desde que começou a trabalhar no Brasil, pode ser apenas advertido pelo STJD, desde que o tribunal acredite que o ato foi de 'pequena gravidade'.

O treinador não responderá mais perguntas sobre o acontecido.

E nem a cúpula diretiva dará qualquer sanção disciplinar ao técnico, como é de costume. Já acontece assim, em relação aos 45 cartões, por conta dos títulos.

Para irritação de Abel Ferreira, o vídeo mostrando ele tomando o celular do produtor da Globo já rompeu barreiras.

E chegou aos principais veículos de comunicação portugueses.

As análises não têm sido favoráveis a Abel, seu descontrole emocional é outra vez exposto.

Situação que irrita ainda mais o treinador.

Não será surpresa se ele decidir ficar um tempo em silêncio.

Sem dar coletivas.

A situação fugiu do seu controle.

Mas pelo menos, ele pode ficar tranquilo.

A Globo não comprará briga pública com o treinador.

Não quer ter o Palmeiras e palmeirenses como inimigos.

Já houve o tempo que torcedores amassavam carros de transmissão da emissora, quando iam transmitir jogos no antigo Parque Antártica.

Mesmo assim, no novo Allianz, carros que levam locutores, repórteres e comentaristas, não levam o logotipo da emissora estampado nas portas.

A relação é muito delicada há décadas.

Por conta da preferência de transmissão de Corinthians e São Paulo.

O Palmeiras, no início dos anos 2000, era conhecido por funcionários da emissora por um apelido cruel.

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