Cosme Rímoli Flamengo transpira confiança. Palmeiras, tensão. A oito dias da final da Libertadores

Flamengo transpira confiança. Palmeiras, tensão. A oito dias da final da Libertadores

Erros, acertos, eliminação, entrega de cargo, desprezo à rivalidade. Flamengo e Palmeiras vivem gangorra emocional desde que chegaram à decisão da Libertadores. Os cariocas merecem, hoje, ser chamados de favoritos

  • Cosme Rímoli | Do R7

Abel e Renato Gaúcho. Gangorra técnica e emocional. A oito dias da final, muito melhor para Renato

Abel e Renato Gaúcho. Gangorra técnica e emocional. A oito dias da final, muito melhor para Renato

CBF

São Paulo, Brasil

Maracanã.

Vestiário do Flamengo.

Madrugada de 28 de outubro.

Renato Gaúcho procura o vice-presidente de futebol, Marcos Braz. Ele nunca havia sido xingado com tanto ódio pela torcida dos clubes que comandou, mesmo nos piores momentos, como foi naquela noite, na eliminação da Copa do Brasil, com o milionário elenco perdendo por 3 a 0 para o Athletico Paranaense.

Faz exatamente 22 dias.

E tudo mudou de forma incrível.

Na gangorra de emoções, desde o dia 22 de setembro, quando ficaram definidas as semifinais, com o Palmeiras eliminando o Atlético Mineiro e o Flamengo despachando o Barcelona, de Guayaquil.

Renato Gaúcho e Abel Ferreira têm se revezado como "favoritos e como treinadores derrotados antecipadamente da decisão". 

O momento, faltando oito dias para a decisão, é completamente do Flamengo.

Os dois treinadores tiveram desafios diferentes. Renato Gaúcho enfrentou a disputa da Copa do Brasil e do Brasileiro. E manter seu excepcional elenco pronto para a final da Libertadores.

Pressionado pela diretoria, principalmente pelo presidente Rodolfo Landim, que sonhava com as três conquistas, para mostrar a hegemonia rubro-negra. E assegurar, com tranquilidade, sua reeleição, no dia 4 de dezembro.

Frustração, erro grave de avaliação. Abel escolheu os reservas, ajudou o odiado rival São Paulo

Frustração, erro grave de avaliação. Abel escolheu os reservas, ajudou o odiado rival São Paulo

Rubens Chiri/São Paulo

Landim queria o tricampeonato nacional, para deixar ainda mais claro qual é o clube mais poderoso do país.

Enquanto isso, Abel Ferreira tinha só o Brasileiro, antes da decisão, já que seu clube foi eliminado pelo limitadíssimo CRB, de Alagoas, na Copa do Brasil. Ainda em junho.

O presidente Mauricio Galiotte vive seus últimos meses no poder e desejava quebrar a hegemonia do Flamengo, a quem via como grande rival nacional. 

Tanto Renato quanto Abel fracassaram no Brasileiro. Não souberam como lidar com o calendário absurdo que os clubes enfrentaram. Piorado, com os jogadores convocados para as Eliminatórias, com as rodadas dos torneios nacionais sendo disputadas. 

Por causa da filosofia de Landim, Renato não pôde repetir o que fazia no Grêmio: abrir mão do Brasileiro e focar os torneios mata-matas. Resultado: tomou várias decisões equivocadas, poupando quando não deveria e colocando seus atletas principais quando não podia. 

Assim como Abel Ferreira, com dados científicos, de todos os seus atletas. E que acabou pagando o preço alto da inexperiência com esse tipo de massacre no calendário. Não soube dosar. Como Renato, foi movido pelo medo de grandes contusões que tirassem atletas fundamentais para a decisão da Libertadores.

A confiança no Flamengo foi reconquistada com a vitória sobre o líder (e campeão) Atlético Mineiro

A confiança no Flamengo foi reconquistada com a vitória sobre o líder (e campeão) Atlético Mineiro

Marcelo Cortez/Flamengo

Melhor para o Atlético Mineiro. Cuca é um treinador muito racional. Além de ter um elenco excelente, montado com dinheiro dos bilionários mecenas já pensando no lucro do novo estádio do clube, ele sabia da pressão que Palmeiras e Flamengo enfrentariam por estarem 66 dias distantes da decisão da Libertadores. 

Cuca treinou os dois clubes e apostou, certo, na perda de rumo da dupla. Enquanto fixou o Brasileiro, que seria sensacional na vida atleticana. Uma conquista desejada, sonhada, por 50 anos.

Daí a conquista mais do que garantida do título, em uma campanha memorável.

Além do excepcional talento como jogador, e do ótimo trabalho como técnico, Renato Gaúcho sempre teve muita sorte. A direção do Flamengo não aceitou sua demissão há 22 dias porque não teria tempo hábil para que um outro treinador assumisse, para a disputa da final da Libertadores, que Renato havia garantido.

Dois dias depois de ter tentado devolver seu cargo, Renato conseguiu uma vitória fundamental para a reconquista da confiança do time, da torcida, da imprensa. Venceu o Atlético Mineiro, de Cuca, no Maracanã. Atuou de forma inesperada, fechado, marcando forte, suportando a pressão, e apostando nos contragolpes. Venceu por 1 a 0.

Escorregou feio com a Chapecoense, lanterna do Brasileiro, no empate em 2 a 2. Venceu, com a ajuda da arbitragem, o Bahia por 3 a 0. Humilhou o São Paulo, em pleno Morumbi, por 4 a 0. E ganhou do Corinthians, aos 47 minutos do segundo tempo, por 1 a 0. Massacrou o tradicional rival paulista. E teve uma apoteótica despedida da torcida carioca, antes da decisão da Libertadores.

O Flamengo ficará sediado em Porto Alegre. Jogará contra o Internacional, amanhã, e diante do Grêmio, na terça-feira. Renato vive o impasse de 2021: colocar ou não os titulares nessas duas partidas. A diretoria já aceita o que ele fizer, porque o Atlético Mineiro é o campeão brasileiro de 2021. E Landim quer o rubro-negro o mais forte possível contra o Palmeiras, daqui a oito dias.

Arrascaeta foi reservado para a final.

Maior arma do clube, curado de uma distensão na coxa direita.

O time estará completo na decisão da Libertadores.

Daí o Flamengo está muito mais confiante, e com muito mais paz, do que o Palmeiras, nesta gangorra.

O time de Abel Ferreira já esteve no lugar do Flamengo, só que se perdeu.

Já classificado para a decisão, o treinador português foi o responsável pela instabilidade palmeirense diante do calendário. Vieram a derrota para o Corinthians, em Itaquera, por 2 a 1; o frustrante empate com o Juventude, no Allianz Parque, em 1 a 1; a derrota para o América, em Belo Horizonte, por 2 a 1; a derrota para o Bragantino, por 4 a 2, no Allianz; o empate, em 0 a 0, com o Bahia, em Salvador.

A vitória contra o Internacional, por 1 a 0, no Allianz, aliviou o pessimismo. O triunfo diante do Sport, por 2 a 1, trouxe paz temporária. Mas veio novo tropeço, desta vez contra o Grêmio, em Porto Alegre, por 3 a 1. Três pontos contra o Santos, no 2 a 0 na Vila Belmiro. Goleada, de 4 a 0, no Atlético Goianiense, no Allianz.

Mas vieram os dois enormes pecados de Abel Ferreira. Ele levou os titulares, cansados, para enfrentar o estimulado Fluminense. Eles dominaram o primeiro tempo, mas acabaram cedendo ao desgaste no segundo. Derrota por 2 a 1.

Foi quando o português teve um ataque de cegueira. 

Para a diretoria e grande parte da torcida, o grande rival é o Corinthians. Mas o mais odiado é o São Paulo, que até tentou tomar o estádio palmeirense, durante a Segunda Guerra Mundial. 

O clube do Morumbi estava em uma situação muito perigosa, ameaçado do rebaixamento, e vinha de derrota humilhante para o Flamengo, no Morumbi, por 4 a 0. O clássico era no Allianz Parque. A expectativa era vencer e afundar de vez o time de Rogério Ceni entre os quatro piores do Brasileiro. 

Só que Abel Ferreira decidiu colocar todo o time reserva, com exceção de Weverton. Para frustração de 35 mil torcedores e dos dirigentes palmeirenses, no estádio. Desentrosados e com menor potencial que os titulares, a derrota por 2 a 0 para o São Paulo. 

Renato Gaúcho e Abel Ferreira sofreram as consequências da decisão distante da semifinal da Libertadores

Renato Gaúcho e Abel Ferreira sofreram as consequências da decisão distante da semifinal da Libertadores

Reprodução/Instagram

Derrota com peso para abalar a convicção na decisão da Libertadores.

Abel Ferreira ficou extremamente incomodado com a forte pressão da mídia, diante de sua decisão de colocar reservas contra o São Paulo. E não diante do Fluminense. Foi erro gravíssimo, de quem não conhece o clube onde trabalha.

A assessoria de imprensa do clube divulga que a decisão foi tomada 'há muito tempo' com o treinador e o Núcleo de Saúde e Performance. Maneira de tentar preservar Abel da maior bobagem que fez desde que assumiu o Palmeiras.

O clube tem o Fortaleza, amanhã, no Ceará. E o Atlético Mineiro, no Allianz, na terça-feira, antes da decisão de sábado, em Montevidéu.

O clime no Palestra Itália não é bom. Pelo contrário. De muita desconfiança. 

E que deixou o clima pesado para amanhã, dia que Leila Pereira será eleita presidente do clube. Só a sua chapa concorre. Não há euforia. Pelo contrário, só preocupação com a decisão da Libertadores.

Não há mais nem a certeza que Abel Ferreira seguirá em 2022, diante de tanta pressão. Leila quer a sequência do técnico. Mas ele se mostra muito desgastado, irritado.

Sob seu comando, o clube venceu a Libertadores e a Copa do Brasil de 2020, disputadas neste ano. Mas perdeu a Supercopa do Brasil, a Recopa Sul-Americana, o Paulista, a Copa do Brasil e o Brasileiro.

O Palmeiras tem potencial para vencer o Flamengo.

Mas a gangorra emocional está toda com o clube de Renato Gaúcho.

Não há como negar.

O erro diante do São Paulo trouxe sérias consequências.

Que hoje, oito dias antes da decisão, parecem quase irreversíveis.

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