Cosme Rímoli Flamengo teve pena dos 50 mil são-paulinos no Morumbi. Não quis humilhar mais. 4 a 0 foi pouco

Flamengo teve pena dos 50 mil são-paulinos no Morumbi. Não quis humilhar mais. 4 a 0 foi pouco

O Flamengo não tomou conhecimento do São Paulo. Em três minutos, já vencia por 2 a 0. Calleri colaborou ao ser expulso como um garoto, aos nove minutos. Ceni errou na escalação e no jogo. Goleada deveria ter sido maior

  • Cosme Rímoli | Do R7

Jogadores do Flamengo transformaram o Morumbi no Maracanã. Festa carioca. Vexame são-paulino

Jogadores do Flamengo transformaram o Morumbi no Maracanã. Festa carioca. Vexame são-paulino

Alexandre Vidal/Flamengo

São Paulo, Brasil

"Vergonha, vergonha, vergonha..."

"Time sem-vergonha."

Esse foi o coro com que 50 mil são-paulinos resumiram o ressentimento por terem acompanhado um enorme vexame.

Deveria ser o "jogo de vingança" de Rogério Ceni.

O treinador não esqueceu a crueldade com que foi demitido da Gávea.

Mas acabou sendo a partida da vergonha.

O São Paulo foi humilhado pelo Flamengo no Morumbi. Foi goleado sem piedade. 4 a 0 foi até muito pouco diante da superioridade do time de Renato Gaúcho. 

Em três minutos, a apática, tensa, confusa equipe de Rogério Ceni já perdia por 2 a 0, gols de Gabigol e de Bruno Henrique. E aos nove minutos qualquer chance de reação acabou. Graças a uma infantil e criminosa entrada de Calleri em David Luiz. O argentino foi corretamente expulso. E deixou seu time com dez jogadores.

Michael marcou dois gols, driblou, humilhou. Fez o que quis. E se aproveitou de erro infantil de Ceni

Michael marcou dois gols, driblou, humilhou. Fez o que quis. E se aproveitou de erro infantil de Ceni

Reprodução/Twitter

A partir daí, Michael brilhou. Driblou, esnobou e ainda marcou dois gols. 4 a 0. Nada longe da rotina. No primeiro turno, no Maracanã, o Flamengo venceu por 5 a 1. Ele já tinha feito a assistência no gol de Bruno Henrique. E é o artilheiro isolado do Brasileiro.

"O Reinaldo mandou eu jogar, e eu joguei. O treinador deles me conhece. Eu sou assim. Eu sou maluco e gosto de jogar bola", ironizou Michael, que não tinha o apoio de Ceni na Gávea.

Além disso, Rogério Ceni tem enorme participação nesta goleada. Ele colocou o zagueiro Diego, improvisado na lateral, para tentar parar o grande driblador flamenguista. Diego não atuava havia cerca de três meses. Escalação incompreensível.

Além disso, com o domínio total do Flamengo, com um jogador a mais, faltou humildade de Rogério Ceni para colocar seu time mais fechado, para tentar escapar da goleada.

Entrada 'criminosa' de Calleri. Sabotou o São Paulo

Entrada 'criminosa' de Calleri. Sabotou o São Paulo

Reprodução/Twitter

O jogo segue para dar mais confiança ao time de Renato Gaúcho, que tem se mostrado hesitante. Deixando escapar a Copa do Brasil e o Brasileiro.

O São Paulo está a cinco pontos da zona do rebaixamento. O sonho de disputar a Libertadores está praticamente morto. O medo agora é da Segunda Divisão.

"É pedir desculpas a eles, que apoiaram do começo ao final. Fizemos todos um jogo ruim, precisa ter atenção em um jogo desse tamanho. Desculpas de novo", dizia, arrasado, Luciano, que começou na reserva.

Ceni montou o São Paulo de forma corajosa demais, beirando a irresponsabilidade. Ele sabia que enfrentaria um time superior em todos os aspectos. Mas quis aproveitar o clima do Morumbi lotado. E ainda matar seu desejo pessoal de vingança, pela forma como foi demitido do Flamengo, em julho.

Quatro zagueiros, com lateral direito improvisado e sem ritmo algum, por estar sem atuar. Três meio-campistas habilidosos, mas de fraca marcação. E três atacantes.

Escalação ideal para o Flamengo se aproveitar, com seu toque de bola e muito melhor distribuído em campo. No 4-4-2, com enorme movimentação do seu meio de campo e ataque.

Além disso, Renato Gaúcho adiantou sua equipe para marcar forte a saída de bola são-paulina. O time entrou focado desde o primeiro segundo. O treinador sabe que precisa fazer como o Palmeiras de Abel Ferreira, ganhar partidas no torneio nacional para entrar confiante na final da Libertadores, daqui a 13 dias em Montevidéu. Tanto o Flamengo como o Palmeiras sabem que o título é do Atlético Mineiro.

E o São Paulo foi o adversário ideal para ganhar confiança.

Com 23 segundos de jogo, Lizieiro, desatento, perde a bola na intermediária, Andreas Pereira toca para Bruno Henrique, que deixa Gabigol cara a cara com Volpi. 1 a 0, Flamengo. Mal o time paulista tentava entender o que havia acontecido, tomou o segundo gol. Everton Ribeiro serviu Michael, que invadiu a área e deu um passe maravilhoso para Bruno Henrique marcar. 2 a 0 Flamengo, aos três minutos.

Quando Rogério Ceni pensava o que fazer para escapar da derrota, Calleri age como um juvenil. Irritado com o domínio flamenguista, ele apela. Dá um carrinho violentíssimo em David Luiz, com as travas da chuteira no alto, na canela do zagueiro. Poderia ter quebrado a perna do rival. Foi corretamente expulso. O argentino sabotou o São Paulo.

A partir daí, com um jogador a mais, com dois gols de vantagem, o Flamengo controlou o jogo. Tratou de tocar a bola. Buscava marcar mais, só que sem tanto apetite. Dois atletas se destacavam. Everton Ribeiro, dono das intermediárias. E Michael.

O atacante deu um show particular de dribles e arrancadas. Mostrou a Rogério Ceni que deveria ter confiado mais nele quando era técnico do Flamengo. 

O São Paulo não tinha como reagir.

Aos 41 minutos, Gabriel, desesperado, tentando cobrir Diego, foi driblado por Michael, já que mostrava a mobilidade de um jogador de pebolim. O atacante flamenguista bateu, como todos esperavam, cruzado, pelo alto. Mas a bola foi indefensável para Tiago Volpi. 3 a 0, aos 41 minutos.

Michael imitou seu ídolo, Cristiano Ronaldo. Comemorações para mostrar
 que estava no Morumbi

Michael imitou seu ídolo, Cristiano Ronaldo. Comemorações para mostrar que estava no Morumbi

Alexandre Vidal

No intervalo, Ceni coloca Luciano e Vitor Gomes nos lugares de Rigoni e Marquinhos, com atuações  inúteis. O Flamengo segue muito melhor. E, aos nove minutos, Igor Gomes falha no carrinho, a bola sobra para Bruno Henrique. O atacante invade a área e cruza para ele, Michael, marcar 4 a 0.

Visivelmente, os jogadores do time carioca diminuem o ritmo. Param de humilhar a torcida são-paulina, calada no Morumbi, enquanto 3.500 flamenguistas comemoravam o tempo todo, calando cerca de 47 mil "donos do estádio".

No final, 4 a 0 foi até pouco para o Flamengo.

Quando a partida acabou, finalmente, a torcida do São Paulo cantou alto.

"Vergonha, vergonha, vergonha..."

"Time sem-vergonha..."

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