Cosme Rímoli Flamengo sofre para ganhar do fraco Botafogo. E Ceni desabafa

Flamengo sofre para ganhar do fraco Botafogo. E Ceni desabafa

Com 25 dias de trabalho e eliminações na Libertadores e Copa do Brasil, Ceni sente a pressão. A obrigação de vencer o Brasileiro. E defende seus jogadores

  • Cosme Rímoli | Do R7

Everton Ribeiro comemora o gol contra o Botafogo. Flamengo venceu. Mas jogou mal

Everton Ribeiro comemora o gol contra o Botafogo. Flamengo venceu. Mas jogou mal

Alexandre Vidal/Flamengo

São Paulo, Brasil

Outra vez o Flamengo não jogou bem.

O time, que vem das eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores, pelo menos venceu o clássico contra o Botafogo, que tem uma das equipes mais fracas da sua história.

E que caminha firme para a Segunda Divisão.

Com forte pressão para que a conquista do Brasileiro seja obrigatória, o Flamengo ganhou três pontos indispensáveis. Pela fragilidade do rival.

Sofrido 1 a 0, gol de Everton Ribeiro.

Teve Gustavo Henrique expulso.

Chegou à terceira colocação, com 42 pontos, dois do líder São Paulo.

Rogério Ceni fez o óbvio.

Colocou seu time para marcar sob pressão o rival, esperando as inevitáveis falhas de um elenco limitado.

O que resultou no gol flamenguista, na falha de Marcinho, que errou o passe. A bola ficou com Gerson, que atuou mais adiantado. E ele, aos nove minutos do segundo tempo, serviu Everton Ribeiro. O chute foi colocado, Diego Cavalieri não defendeu.

Mas chamou a atenção a falta de objetividade flamenguista, quando tinha a bola dominada. Muita troca de bola e poucas infiltrações, finalizações. Mesmo contra uma equipe inferior, faltou convicção.

Após o jogo, como é costume seu, desde quando treinou o São Paulo, Rogério Ceni fez questão de falar como se o time que dirige tivesse feito uma partida marcante. O que esteve longe de acontecer.

"Era importante jogar bem. Acho que o time controlou o jogo como um todo. Vamos ficar com a imagem daquela falta, a expulsão no fim do jogo (expulsão de Gustavo Henrique).

"Mas, como um todo, o Flamengo teve o controle do jogo, propôs, tentou, teve as melhores oportunidades.

"O finalzinho do jogo teve um suspense grande, se a gente tivesse feito o segundo gol teríamos definido. Eu queria mais gols, mas acho que o time controlou bem o jogo, teve a posse, o controle. O Botafogo se defende muito em linha baixa, é difícil penetrar", disse Ceni.

A diferença gritante entre os dois elencos não se viu no Nilton Santos. Vitória magra

A diferença gritante entre os dois elencos não se viu no Nilton Santos. Vitória magra

Alexandre Vidal/Flamengo

Só para lembrar, os botafoguenses tomaram 30 gols em 23 jogos.

Rogério Ceni segue mostrando muita teimosia.

Como apostar em Gustavo Henrique, em péssima fase.

O zagueiro mal colocado, não teve outra saída hoje, a não ser agarrar Lucas Campos, aos 42 minutos do segundo tempo, evitando que ele entrasse na área flamenguista com a bola dominada.

Sua expulsão acabou com a vantagem de um homem a mais que o Flamengo tinha, com o cartão vermelho que Victor Luiz recebeu por ter dado um pontapé em Rodrigo Muniz.

"Num dos momentos cruciais, ele (Gustavo Henrique) fez o correto no momento correto. Tivemos um pequeno erro, e ele corrigiu mesmo tendo de se sacrificar. Eu acompanho o treinamento de todos os zagueiros.

"Trabalho a linha de quatro atrás, tenho me dedicado bastante. Hoje foi um dia importante, porque há muito tempo o Flamengo não fechava um jogo sem tomar gols", dizia, tentando se justificar.

Com 25 dias no Flamengo, o treinador já perdeu muito do prestígio que trouxe, ao abandonar o Fortaleza e substituir Domènec Torrent.

As eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil foram muito pesadas.

A pressão para vencer o Brasileiro segue enorme.

A vitória magra, e com o time jogando mal, diante do fraco Botafogo não passou confiança.

Pelo contrário.

As milhares de críticas nas redes sociais servem como parâmetro da desilusão.

Ceni tenta compensar a sua falta de inspiração tática alegando trabalho. Até em demasia.

Gustavo Henrique, mal colocado, é obrigado a agarrar Lucas Campo. Vermelho justo

Gustavo Henrique, mal colocado, é obrigado a agarrar Lucas Campo. Vermelho justo

Reprodução/Premiere

"Duas vezes por semana, eu, pessoalmente, cruzo de 200 a 250 bolas eles", enfatizou, para destacar que tenta consertar um erro que considera crônico, a perda exagerada de gols do Flamengo.

Ceni aproveitou uma pergunta sobre um possível pacto que teria feito com os jogadores, para conquistarem o Brasileiro e tocou em um ponto que incomoda não só torcedores, como a diretoria.

Uma possível acomodação do time por tudo que conquistou em 2019.

"O pacto que se tem aqui é com o Flamengo.

"Tanto meu com o clube e os atletas com o clube.

"Na figura de treinador, eu me incluo nesse pacote.

"O que posso falar desses caras...

"Sei que o torcedor pode pensar em falta de interesse, acomodação.

"Isso não existe..."

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