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‘Esquiei com o coração.’ As lágrimas de Lucas Pinheiro são do Brasil. O país se orgulha do rebelde, dono da primeira medalha nas Olimpíadas de Inverno da história. De ouro.

Foi espetacular. Pela primeira vez, em 102 anos de disputa dos Jogos Olímpicos de Inverno, o Brasil ganhou uma medalha e ela veio de ouro. Lucas Pinheiro Braathen venceu a prova de slalom gigante. Esquiou em altíssima velocidade e perícia, em uma pista de 1.448 metros. Ninguém conseguiu as duas descidas em um tempo menor do que ele

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Lucas Pinheiro Braathen se emociona com medalha de ouro
Lucas Pinheiro Braathen ganha medalha de ouro histórica para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno Denis Balibouse/Reuters - 14.02.2026

As lágrimas escorriam.

O tema ‘da Vitória’, criado pelo grupo Roupa Nova, foi tocado em alto volume.


Lucas Pinheiro Braathen celebrava a primeira medalha de ouro na história do Brasil nas Olimpíadas de Inverno, no torneio de Milão/Cortina.

“Inexplicável. É totalmente inexplicável. Não sei como botar palavras nas minhas sensações agora. Só queria compartilhar que provavelmente esta todo mundo assistindo no Brasil, acompanhando e torcendo.


“Isso pode ser uma fonte de inspiração para crianças da próxima geração, nada impossível, não importa onde você está, suas roupas, cor da pele, o que importa é o que esta aqui dentro. Esquiei com a força brasileira aqui do coração”, desabafou, assim que venceu a prova.

No dia 27 de setembro de 2023, o Brasil começava a ganhar sua primeira medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno.


Lucas Pinheiro Braathen anunciava sua precoce aposentadoria do esqui profissional.

O motivo: seu confronto letal com a Associação Norueguesa de Esqui. Por direitos de imagem. A briga foi ferrenha e pública. Lucas, que já era um destaque internacional, exigia melhor distribuição de dinheiro aos esquiadores.


Foi acusado de egoísta e ganancioso.

Optou pela aposentadoria aos 23 anos, para fugir do domínio da associação. Mas como seu pai é norueguês e a mãe brasileira, Lucas decidiu competir pelo Brasil.

Nunca o país teve um atleta tão talentoso na Olimpíada de Inverno. Lucas vinha crescendo assustadoramente no slalom. Em 2018 foi o 18º, em 2022, o quarto colocado. E, em 2023, o primeiro do mundo no slalom, descida em rampas de neve.

Lucas é um atleta reconhecido na Europa. Tem patrocínios importantes, por suas conquistas no slalom e no slalom gigante. Seu resultado hoje não foi uma zebra Divulgação/Red Bull

Foi um presente espetacular, a sua liberação para competir pelo Brasil. A surpresa acontece para quem não acompanha os esportes de inverno, como 99,9% da população.

O seu desempenho hoje no slalom gigante foi fabuloso. Ele conseguiu somar o menor tempo contra 80 competidores. 2min25s00, 0s58 à frente do segundo colocado, o suíço Marco Odermatt.

A sua medalha de ouro pode servir como incentivo a brasileiros que sonham com o esporte, que não tem ligação com esse país tropical.

Nascido em Oslo, aos 25 anos, ele sabe que disputa um esporte que o Brasil não tem a menor ligação. E que exige que o competidor more na Europa, onde há neve e as competições são disputadas.

Lucas já havia conquistado dez medalhas em Mundiais, desde que deixou de competir pela Associação Norueguesa de Esqui.

Ou seja, é um atleta de altíssimo nível e que o Brasil não conhecia.

A especialidade, a sua prova preferida, não é o slalom gigante, que venceu hoje. Mas o slalom, que é disputado em pista menor.

Ou seja, a perspectiva de nova medalha, por parte de Lucas é enorme.

Vale lembrar a história romântica que envolve seus pais.

Bjorn Braathen viajava para Miami e ao seu lado, no avião, estava a brasileira Alessandra Pinheiro de Castro. Os dois se conheceram, se apaixonaram. E ela foi morar com ele em Oslo, onde Lucas nasceu.

Ele queria ser jogador de futebol. Mas o frio intenso da Noruega só permitia treinar em pequenos períodos do ano. Foi quando o seu pai o incentivou a esquiar, ainda com nove anos.

E mostrou enorme talento.

Logo fez parte da equipe competitiva da Noruega.

Ele era um dos rostos mais conhecidos do esporte do país nórdico.

Até o brusco rompimento.

Ele foi considerado rebelde por não aceitar se submeter aos desmandos dos dirigentes noruegueses.

Com sua saída, os direitos de imagem passaram a serem distribuídos de maneira mais digna aos atletas.

Lucas namora uma atriz brasileira, Isadora Cruz.

“Quero mostrar que é possível para um brasileiro se destacar em uma modalidade tão tradicionalmente europeia.

“Crescer entre duas culturas me ensinou que a diversidade é uma força. O Brasil é um país de várias culturas, e eu quero representar isso nas competições.

“E vou continuar fazendo enquanto entrar nas pistas de esqui”, promete, o histórico medalhista brasileiro.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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