Cosme Rímoli Destino castigou o Corinthians. Vitória injusta do Flamengo. Mas derrota 'honrosa' salvou Luxa. Ele não será demitido

Destino castigou o Corinthians. Vitória injusta do Flamengo. Mas derrota 'honrosa' salvou Luxa. Ele não será demitido

Direção estava pronta para demitir Luxa, caso o time desse vexame no domingo, no Maracanã. O Corinthians, no entanto, dominou o Flamengo. E perdeu por um lance inesperado, no fim do jogo. Derrota injusta salvou o treinador

  • Cosme Rímoli | Do R7

Léo Pereira, contundido, marca, aos 48 minutos. O Corinthians foi muito melhor. Mas o Flamengo venceu

Léo Pereira, contundido, marca, aos 48 minutos. O Corinthians foi muito melhor. Mas o Flamengo venceu

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Inimaginável.

O destino foi o responsável por enorme injustiça no Maracanã.

Que transformou a revolta da torcida flamenguista em uma festa incrível.

O grande personagem do confronto contra o Flamengo foi Léo Pereira.

O zagueiro sofreu uma lesão na coxa esquerda, deveria ter sido substituído, mas Jorge Sampaoli não poderia tirá-lo do jogo.

O treinador argentino mandou que fosse atuar na frente, como um centroavante dos anos 1960, 1970: parado na área corintiana.

E, aos 48 minutos do segundo tempo, Everton Cebolinha recebeu ótimo passe de Gerson, cruzou. A bola chegou "carregada" pelo destino, na direção do contundido Léo Pereira, que se antecipou a Murilo. E cabeceou no canto direito de Cássio.

1 a 0, Flamengo.

Um castigo terrível para o Corinthians, que fez a melhor partida sob o comando de Vanderlei Luxemburgo. O time até se impôs durante todo o segundo tempo. 

Chegando a 15 finalizações, contra dez do Rubro-Negro.

Mas não marcou e continua, amargo, na zona de rebaixamento.

Foi a sétima partida sem vitória do Corinthians seguida. 

E a sexta sob o comando de Luxemburgo.

A quarta derrota, com dois empates.

Só que a diferença é que a coragem — o domínio corintiano no segundo tempo — garantiu a sobrevida ao treinador de 71 anos, que corria sério risco de ser mandado embora hoje, caso o seu time passasse por um vexame.

O que realmente não aconteceu.

A derrota "honrosa" o manterá no cargo.

"Mais uma vez, a vitória não veio. Mas hoje eu saio mais feliz, porque a gente jogou. A gente estava deixando de jogar (para apenas se defender). Eu conversei sobre (a necessidade de) agredir o adversário. E a gente conseguiu.

"E, infelizmente, em um lance eles foram felizes. Nós temos de evitar esses gols no final de jogo, enfrentando um adversário favorito, excelente time, no Maracanã lotado. A gente poderia ter saído com o empate. Sabemos que temos de ganhar. Infelizmente é o sétimo jogo sem vitória.

"Temos uma decisão na quarta-feira (contra o Argentinos Juniors, na Argentina, pela Libertadores). É levantar a cabeça e continuar trabalhando para sair dessa situação", lastimava Róger Guedes.

"Primeiramente, muito feliz. Mesmo tendo sentido o (músculo da coxa esquerda) posterior. Se tivesse mais uma substituição, eu teria saído.

"Estava tudo escrito que teria que ter um gol meu hoje para a vitória do Flamengo.

"Jogo muito difícil contra uma boa equipe do Corinthians, independente do que estão vivendo. Estou muito feliz", dizia, empolgado, Léo Pereira.

O Flamengo chegou à terceira vitória seguida no Brasileiro. E já é o sexto colocado, com 12 pontos. Enquanto o Corinthians é o 17º colocado, ganhando apenas cinco pontos de 21 possíveis.

O Maracanã viveu mais um domingo imprevisível.

A expectativa era de goleada do Flamengo de Jorge Sampaoli, contra o fraco, e até então acovardado, Corinthians de Luxemburgo.

Mas não foi o que se viu em campo.

Coragem, atitude, personalidade.

O Corinthians de Vanderlei reagiu.

Chegou a imprensar o Flamengo em pleno Maracanã.

Depois de travar o time de Sampaoli no primeiro tempo, no segundo o Corinthians percebeu quanto estava desarrumado o Flamengo sem meias. Arrascaeta e Everton Ribeiro não puderam atuar.

Léo Pereira dizendo que não tinha condições de continuar jogando. Estiramento na coxa esquerda
Léo Pereira dizendo que não tinha condições de continuar jogando. Estiramento na coxa esquerda Reprodução/Twitter

Com três volantes, Thiago Maia, Gerson e Pulgar, e mais o garoto Victor Hugo na armação e com Wesley e Ayrton Lucas mal, Gabigol e Pedro foram grande desperdício, isolados.

Em compensação, Luxemburgo acertou em cheio ao trocar seus dois laterais veteranos, Fagner e Fábio Santos, por Bruno Mendez, como terceiro zagueiro, ao lado de Gil e Murilo. E Bidu, que ganha confiança.

Outro acerto foi improvisar o veterano Paulinho mais atrás, fechando o lado direito. 

Fausto Vera, Maycon tinham função defensiva. E tinham o reforço de Adson, Róger Guedes e até Yuri Alberto ajudando na marcação.

O Corinthians, amedrontado, no primeiro tempo, chegou a ter a disposição tática que Carlos Alberto Parreira previa em 1994. 5-5-0. Sim, nenhum atacante, nenhum jogador mais adiantado.

O Corinthians, que entrou com duas linhas de cinco atletas na marcação, para não tomar gol de jeito algum no início do jogo, conseguiu frustrar o Flamengo. De nada adiantou a equipe de Sampaoli chegar a ter 73% de posse de bola. Não havia penetração.

Na etapa final, o Corinthians adiantou suas linhas e, aí sim, os contragolpes passaram a encaixar, e o time criou três chances reais. Yuri Alberto chegou a ficar cara a cara com Santos, que o abafou.

Mas o futebol é o esporte mais encantador, surpreendente de todos, pelas reviravoltas inesperadas, injustiças.

A situação que seria inacreditável, se passasse em um filme para adolescentes, se concretizou.

Jorge Sampaoli não poderia fazer mais substituições quando, aos 41 minutos do segundo tempo, Léo Pereira, que teve ótima atuação na zaga, mostrou ao seu treinador que não poderia seguir jogando. Tinha uma lesão no músculo posterior da coxa esquerda.

Sampaoli foi cruel.

Não permitiu que ele saísse e deixasse o Flamengo com um atleta a menos. Ordenou que fosse para o ataque. Atuasse como ponto de referência, como centroavante antigo, na área corintiana. E o volante Thiago Maia passaria a zagueiro.

Foi o que aconteceu.

E quando os dois times se acomodavam com o 0 a 0, diante das vaias e palavrões da decepcionada torcida flamenguista, o cronômetro chegou aos 48 minutos.

A bola chegou a Cebolinha, na esquerda.

O cruzamento.

E a cabeçada do contundido Léo Pereira foi para as redes de Cássio.

Léo Pereira saltando, à vontade, diante da zaga paralisada do Corinthians. Sétimo jogo sem vitória

Léo Pereira saltando, à vontade, diante da zaga paralisada do Corinthians. Sétimo jogo sem vitória

Flamengo

Vitória injusta do Flamengo.

Arrancada que dá mais segurança a Sampaoli.

Castigo para o Corinthians.

Mas a derrota "honrosa" teve duas consequências.

Deu esperança, confiança ao time que vai para a Argentina.

E garantiu sobrevida, o emprego de Luxemburgo.

Mesmo sem vencer nas suas seis primeiras partidas no Corinthians.

O futebol é mesmo apaixonante...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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