Cosme Rímoli Desilusão dos que desafiaram a Globo. Agora, querem voltar

Desilusão dos que desafiaram a Globo. Agora, querem voltar

Dirigentes insatisfeitos. Canais desapareceram. EI mudou da Turner para a Warner. Depois para a AT&T. Quebrar o monopólio da Globo não rendeu

  • Cosme Rímoli | Do R7

A aposta foi alta para acabar com o monopólio. Mas não deu certo

A aposta foi alta para acabar com o monopólio. Mas não deu certo

Reprodução/Twitter

São Paulo, Brasil

Deu tudo errado para a Turner.

E sua revolução no futebol brasileiro.

Em 2013, a empresa havia comprado 30% do Canal Esporte Interativo.

Queria brigar pelo mercado brasileiro de transmissão a cabo.

Começou com transmissão aberta, por antenas UHF.

Depois, em 2014, o primeiro 'pulo do gato'.

Conquistar a Champions League, desbancando a ESPN e Sportv (Globo), que fizeram uma proposta conjunta.

O valor, até 2018/2019, bateu nos R$ 110 milhões, surpreendendo os concorrentes, que esperavam dividir, no máximo, R$ 80 milhões.

A Globo ficou apenas com jogos decisivos, só na aberta.

A ideia era mostrar força, criar uma marca no futebol brasileiro.

Com a Champions, em 2015, se oficializou como tevê fechada. 

A emissora já era 'inteira' da Turner.

O mercado recebeu de braços abertos os dois canais do Esporte Interativo.

Mais sua aposta no streaming.

A euforia vinha pelo investimento em torneios abandonados pelo Sudeste. Como a Liga do Nordeste, batizada carinhosamente de Lampions League, alusão à Champions League.

O plano era ousado: acabar com o monopólio do futebol da Globo.

Percebendo isso, o mundo corporativo fechou o quanto pôde o ingresso dos canais Esporte Interativo na Net e na Sky.

Não foi uma briga fácil, com lances pesados.

Mas o EI conseguiu, em 2016.

A empolgação era total.

Veio a 'grande jogada'.

Executivos trabalharam de forma sigilosa.

E conseguiram fechar acordo com clubes para a transmissão dos Brasileiros entre 2019 e 2024, na tevê fechada.

Conquistaram Athletico, Bahia, Ceará, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos na Série A de 2019.

Clubes que sonhavam com o fim da dependência de uma só emissora.

Era histórico.

Só que caro, R$ 140 milhões por ano.

As comemorações foram logo interrompidas.

Primeiro, porque o mercado mudou muito.

A tevê a cabo perdeu força demais, quatro anos depois.

Aí vieram as ações inesperadas de puro capitalismo selvagem.

A Turner, que havia comprado o Esporte Interativo da empresa brasileira Top Sports, foi incorporada pela Warner. 

Na negociação bilionária, a avaliação foi que quebrar o monopólio do futebol brasileiro não tinha valido a pena.

Não houve o retorno esperado dos patrocinadores.

Nem a adesão ao sistema de streaming.

Por gastos 'exagerados', executivos fundamentais para a aquisição dos clubes nos Brasileiros, até 2024, foram dispensados.

O então presidente do Esporte Interativo, Edgar Diniz, quem apostou na quebra do monopólio global, saiu da empresa.

E em agosto, tudo ruiu.

Os dois canais Esporte Interativo deixaram de existir.

Em agosto de 2018, faltando menos de um ano para começar o que seria o Brasileiro 'histórico' de 2019.

Os dirigentes que assinaram com as emissoras que pertenciam à Turner ficaram estarrecidos. Mas como a multa por rompimento de contrato até 2024 é altíssima, passa da centena de milhões para cada clube, não havia o que fazer.

A não ser aceitar que os jogos seriam mostrados pelos canais TNT e Space, especializados em filmes.

A implosão aconteceu quando ainda, por exemplo, o Palmeiras não havia fechado acordo de transmissão com a Globo. Nem na aberta ou no pay-per-view.

Turner vendida. Pior notícia

Turner vendida. Pior notícia

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Seria um grande e exclusivo trunfo na fechada.

Situação que durou as primeiras rodadas do Brasileiro.

Até porque a Globo reagiu não só dando mais dinheiro ao Palmeiras.

A emissora carioca usou muito bem a parceira CBF.

A tabela do Brasileiro de 2019 não privilegiava partidas exclusivas pelo TNT ou Space, pelo contrário, até. Além da imposição dos clubes que assinaram com a emissora, que impedia a transmissão da partida quando eles atuavam em casa.

Quando não era a aberta, era o Premiere acabando com a festa, com o sonho do Brasileiro dividido.

Tudo ficaria ainda pior com a AT&T comprando a Warner.

A decisão de não mais investir no futebol brasileiro foi mais firme.

A ordem é não fazer mais investimentos.

Manter a Champions, que foi renovada até 2021.

E seguir com o Brasileiro até 2024.

Para deixar o quadro mais desesperador, há a queda vertiginosa de assinantes de tevê a cabo.

Mais a pandemia, que espantou de vez os prováveis patrocinadores do futebol.

O jornal Estado de São Paulo publicou que os clubes que assinaram contrato com o Esporte Interativo querem rescindir contrato.

A euforia virou decepção

A euforia virou decepção

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No Brasileiro de 2020 são Athletico-PR, Bahia, Ceará, Fortaleza, Internacional, Palmeiras, Santos e o Coritiba, que subiu da Série B.

A insatisfação é grande também pelos lados da emissora da AT&T.

Embora esteja insatisfeita com o futebol brasileiro, só aceita o rompimento se receber as multas dos clubes.

Ou grande compensação financeira, para devolver os direitos de transmissão aos clubes.

Não vai desistir simplesmente, como sonham alguns dirigentes.

Tanto que enviou duas cartas enviadas aos clubes.

Convocatórias e sérias.

Informavam que a empresa cobrava privilégios dados à Globo.

Como clubes aceitando mais transmissões pela aberta do que o combinado.

O que teria gerado multas.

E ameaçava parar o pagamento mensal dos clubes e até o rompimento, com processos na justiça.

O que poderia amarrar os clubes em relação à transmissão de seus jogos na tevê fechada. Por anos.

Apesar de muitos dirigentes desejarem romper com o Esporte Interativo, a diretoria do Fortaleza é a única que assume.

Por receber R$ 9 milhões por ano. Enquanto as outras equipes da Série A ganham R$ 23 milhões. 

Santos, Athetico, Coritiba, Bahia, Internacional receberam R$ 40 milhões de luvas,  como 'adiantamento'.

O Palmeiras teria ganho R$ 100 milhões, o que irritou a diretorias dos outros clubes.

O momento é de muita tensão.

Os clubes estão descontentes.

O sonho do Esporte Interativo não se realizou.

Os jogos exclusivos foram pouquíssimos, entre os 42 exibidos.

Com a concorrência da Globo ou do Premiere, a audiência ficou muito abaixo do esperado.

O futebol haver se transformado em uma atração a mais em dois canais especializados em filmes, atingiu em cheio os dirigentes.

A vontade é a rescisão.

E negociar com o Sportv.

Mas não será tão fácil.

A emissora tem o direito de cobrar multas do clube que quiser romper o acordo.

O esquema de transmissão do Brasileiro em 2020 está pronto, por parte do Esporte Interativo.

Mascote ataca repórter. Patrocinadores não se empolgaram pelo EE

Mascote ataca repórter. Patrocinadores não se empolgaram pelo EE

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Basta a pandemia acabar.

Os dirigentes, desesperados com a paralização do futebol, buscam formas de conseguir dinheiro.

Não de gastar, por exemplo, pagando multa ao Esporte Interativo.

Daí o impasse.

Mesmo com as duas partes insatisfeitas.

E longe do que sonhavam....

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