Desastre. Ceni errou demais. Flamengo eliminado

Treinador escalou mal. Substituiu pior ainda. Tirou Arrascaeta e Everton Ribeiro. Acabou com a articulação do time. Justa eliminação para o Racing, no Maracanã

  • Cosme Rímoli | Do R7

Rodrigo Caio, Gustavo Henrique, Arão e, principalmente, Ceni sabotaram o Flamengo

Rodrigo Caio, Gustavo Henrique, Arão e, principalmente, Ceni sabotaram o Flamengo

Antonio Lacerda/EFE 01.12.20

São Paulo, Brasil

Herói e vilão.

Arão conseguiu dar esperança, onde não tinha.

O gol salvador veio de quem menos esperava.

O Flamengo caminhava para o desastre.

Com apenas dez jogadores em campo.

Rodrigo Caio foi expulso infantilmente.

Deixou seu time com dez jogadores, aos 17 do segundo tempo.

Gustavo Henrique falhou feio, de novo.

Sigali havia marcado, se aproveitando de erro absurdo do zagueiro flamenguista.

Rogério Ceni havia cometido dois pecados mortais.

Sacou Arrascaeta e Everton Ribeiro.

E manteve, por exemplo, Vitinho.

O treinador tirou o cérebro, a inteligência, o poder de articulação do time.

Perdia por 1 a 0 para o Racing até os 47 minutos do segundo tempo.

Foi quando Diego cobrou escanteio.

E Willian Arão subiu mais do que toda a zaga do Racing.

E cabeceou com força, direção, desviando de Arias.

1 a 1, no Maracanã.

A decisão da vaga para as quartas-de-final da Libertadores iria para os pênaltis.

Nas cobranças, a ironia.

O mesmo volante que havia dado sobrevida ao Flamengo foi o responsável prático pela eliminação.

Cobrou mal demais.

No meio do gol, facilitando a defesa de Arias.

O Racing venceu por 5 a 3 e se classificou para as quartas da Libertadores.

Enfrentará Boca Juniors ou Internacional.

Racing fez festa em pleno Maracanã, com a vaga

Racing fez festa em pleno Maracanã, com a vaga

Conmebol

Foi um desastre em todos os sentidos para o Flamengo.

Primeiro financeiro.

A diretoria acreditava que a competição serviria como uma compensação por um ano tão difícil, por conta da pandemia.

Rodolfo Landim acreditava piamente na conquista da Libertadores, de novo.

Jamais imaginaria a eliminação nas oitavas-de-final.

A queda refletirá também, de forma negativa, para a  sequência de trabalho de Rogério Ceni.

Ele foi mal demais na partida de hoje.

O responsável intelectual pela queda.

Tirar Arrascaeta e Everton Ribeiro em um jogo tão importante, por mais que tivesse dez jogadores, é algo inaceitável.

E que custou caro demais ao clube.

A escolha por Gustavo Henrique, ao lado de Rodrigo Caio, que estava sem ritmo, voltando de contusão, também foi um gravíssimo erro.

O técnico já havia decepcionado, com a eliminação diante do São Paulo, na Copa do Brasil.

Agora cai, diante do Racing, equipe com elenco muito mais fraco do que o seu.

Embora no início, seu trabalho pode e deve ser questionado.

Também graças a erros de Ceni, o Flamengo está eliminado da competição que mais desejava em 2020.

O especialista em perder gols, Vitinho. Ceni errou em escalar e manter o atacante

O especialista em perder gols, Vitinho. Ceni errou em escalar e manter o atacante

Alexandre Vidal/Flamengo

Acabou de vez o sonho da hegemonia na América do Sul, como prometia o ex-treinador flamenguista, Jorge Jesus.

Agora, resta apenas o Brasileiro.

E a obrigação de classificar o time para a próxima Libertadores.

Ceni terá muito o que explicar sobre a eliminação.

O Flamengo até que começou bem o jogo.

O Racing o respeitava demais, preferindo defender e apostar em contragolpes.

Rodrigo Caio fazia uma partida muito boa, transmitindo segurança ao time.

Ceni apostou errado, guardou Pedro para o segundo tempo.

Já que sabia que ele não teria condições para suportar o jogo todo, deveria ter colocado o artilheiro para começar a partida, não insistir com Vitinho, que tem insiste em mostrar duas características: correr muito de cabeça baixa e perder gols.

O time já não tinha Gabigol, contundido.

Filipe Luís tratava de não atacar tanto.

Ceni sabia que a preferência dos contragolpes argentinos era pelo lado direito.

Em compensação, o treinador liberava Isla para atacar.

Everton Ribeiro e Arrascaeta se mexiam bem, complicavam a marcação do Racing.

O jogo estava controlado.

Até que Rodrigo Caio deu uma entrada violenta em Lisandro López. E recebeu, com justiça, o segundo amarelo.

Foi expulso.

Rodrigo Caio fez falta dura, infantil, na intermediária. Expulso, corretamente

Rodrigo Caio fez falta dura, infantil, na intermediária. Expulso, corretamente

Reprodução/Fox Sports

Ceni foi imaturo, precipitado.

Tirou Arrascaeta e colocou Gomes como volante, para ocupar o lugar de Arão, que havia se transformado em zagueiro.

Um minuto depois, sem Rodrigo Caio, Gustavo Henrique errou de forma absurda, perdendo o tempo da bola, e a ajeitando para Sigali marcar. Racing 1 a 0.

Ceni, entorpecido pela necessidade de sobreviver, colocou Pedro. Mas tirou o único jogador que não poderia: Everton Ribeiro.

O Flamengo passou a viver de cruzamentos, desesperado, diante do Racing, que recuou muito, mesmo com um homem a mais.

Os argentinos também demonstravam cansaço.

O desastre parecia se consumar para os brasileiros.

Até que Arão empatou o jogo e levou a decisão para os pênaltis.

E justamente ele errou para o Flamengo.

Diego Alves não conseguiu defender nenhuma cobrança.

Nem a última do Racing, de Fabrício.

Que determinou a derrota do Flamengo por 5 a 3.

Enquanto Sebastián Beccacece comemorava, Ceni ia para os vestiários.

Sabia que sua vida não ficará fácil...

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