Daniel, Dedé e Ganso mostraram a Cuca, Ceni e Oswaldo. Eles mandam

Os demitidos Cuca, Rogério Ceni e Oswaldinho pagaram caro por tentar enfrentar as estrelas do São Paulo, Cruzeiro e Fluminense. Forma para a rua

Daniel Alves. Com Fernando Diniz jogará onde quer. Sem ser questionado

Daniel Alves. Com Fernando Diniz jogará onde quer. Sem ser questionado

São Paulo

São Paulo, Brasil

Paulo Henrique Ganso, Dedé, Daniel Alves.

Os três vencedores.

Oswaldo de Oliveira, Rogério Ceni e Cuca.

Os três perdedores.

Para quem ainda ousa duvidar do poder dos jogadores no clube, basta analisar o que acaba de acontecer em três clubes gigantes brasileiros.

Fluminense, Cruzeiro e São Paulo.

Eles trocaram seus treinadores por causa direta de suas estrelas.

Ficou absolutamente impossível para os técnicos seguirem trabalhando nas Laranjeiras, na Toca da Raposa e no CCT da Barra Funda.

Está muito enganado quem acredita que a ridícula discussão ontem no Maracanã entre Oswaldinho e Ganso foi à toa.

O treinador de 68 anos estava desempregado, demitido pelo clube japonês Urawa Red Diamonds. Foi lembrado pelo diretor executivo Paulo Angioni. Por 'estar `a mão', experiente e barato.

E por Abel Braga, Dorival Júnior e Mano Menezes terem recusado assumir o time.

Oswaldinho para substituir o utópico Fernando Diniz, que encaminhava o time para o rebaixamento. O anúncio foi feito há apenas cinco semanas.

Mas o técnico que Angioni conhecia profundamente, e que havia trabalhado nas Laranjeiras em 2006, mudou muito. Em 2013, em outubro, ele teve uma arritmia trabalhando no Botafogo.

A ordem dos médicos foi parar de se calar e enfrentar as situações, se preciso for gritar, xingar. Mas parar aceitar quieto todas as contrariedades que um técnico no Brasil enfrenta.

E Oswaldinho passou, desde então, a não ter meias palavras. E tomar a atitude que considera mais justa. 

Foi assim que encarou pela frente Paulo Henrique Ganso.

O jogador vinha de uma temporada fracassada na Europa.

Chegou a um elenco limitado, mas surpreendeu a todos, por se mostrar parceiro, companheiro. 

No campo, a lentidão seguia sabotando seu futebol. O que disfarçarva no Santos e no São Paulo, por conta dos elencos, ficou mais nítido no Fluminense.

Oswaldinho sabia que tinha de encarar o problema. O clube carioca disputa o Brasileiro para não ser rebaixado. E ele precisava de atletas mais vibrantes, velozes do que o talentoso e vagaroso Ganso.

Por isso, o treinador passou a substituí-lo constantemente. 

Os dois passaram a se evitar.

O elenco ficou ao lado de Ganso.

Para piorar as coisas, o treinador colocava a culpa pelo fraco futebol do time nos jogadores.

Foi o atestado de óbito de Oswaldo.

Os dirigentes ficaram profundamente arrependidos de terem contratado o treinador. O péssimo ambiente nas Laranjeiras nascia do relacionamento entre os dois.

Até que tudo explodiu ontem com a discussão de ontem, quando o treinador ousou pedir para Ganso marcar mais. O meia retrucou. E Oswaldo decidiu tirá-lo da partida contra o Santos, seu ex-clube que não o quis de volta.

A relação entre Thiago Neves e Abel não poderia ser melhor. Juntos de novo

A relação entre Thiago Neves e Abel não poderia ser melhor. Juntos de novo

Reprodução/Twitter

"Burro. Burro pra ca...", gritava Ganso. Ouvindo como troco "vagabundo, vagabundo". E com os dois seguros por seguranças para não se agredirem.

Até que hoje, a notícia mais que esperada. A sumária demissão de Oswaldinho. E uma suposta multa em Ganso. Suposta porque multas em atletas jamais são comprovadas.

"Eu já tomei tanta multa mentirosa para agradar a imprensa. Os dirigentes só faltam que multam. No mundo todo é a mesma coisa", já disse Edmundo.

Resumo da primeira história, Ganso ficou no Fluminense, que tentou Cuca e ouviu não. Mas vai buscar outro treinador.

E Oswaldo de Oliveira de novo desempregado.

O mesmo aconteceu com Rogério Ceni no Cruzeiro.

Sua passagem foi relâmpago e contrangedora.

O treinador assumiu no lugar de Mano Menezes com a obrigação de salvar o time do rebaixamento. Mas se conseguisse reverter a desvantagem para o Internacional na semifinal da Copa do Brasil, seria carregado em praça pública.

Ele encontrou um grupo com veteranos que domina o clube. Thiago Neves, Fred, Dedé, Robinho, Edilson.

Ceni não teve o menor jogo de cintura.

Deixou claro que chegou para fazer uma reformulação noe elenco.

Lógico que sua sinceridade sabotou sua relação com os atuais atletas do Cruzeiro.

Ao não colocar Edílson para jogar, seu amigo, Thiago Neves reclamou publicamente.

Ceni acreditava, mais ingenuamente, que tinha o respaldo dos dirigentes. Mas veio a eliminação das finais da Copa do Brasil, em uma humilhante derrota por 3 a 0 para o Internacional. A partir daí, perdeu o apoio de quem o contratou.

Os dirigentes cruzeirenses não gostaram principalmente das declarações de Ceni depois da derrota por 4 a 1 para o Grêmio, em Belo Horizonte. Ele deixou claro que iria mudar grande parte do elenco. E, que, se não fosse para isso, iria embora.

O clima ficou insuportável.

Até a partida contra o Ceará, quando o treinador resolveu mexer no jogador mais protegido da diretoria e mais querido pelo elenco: Thiago Neves.

Após o 0 a 0, Dedé, amigo íntimo do meia, resolveu discursar a favor do amigo, em pleno vestiário, na frente de Rogério Ceni. Aproveitou também para defender Sassá e Edílson.

"Falei que o Thiago Neves, o Sassá e o Edilson, que são jogadores importantes para a gente, não fossem deixados de lado, pois são jogadores decisivos, tiveram uma história importante no clube. 

"Fui no Thiago e falei: “Thiago, precisamos também de um pouco mais de profissionalismo seu, que você se dedique mais para gente'", revelou Dedé.

Foi muita humilhação para Ceni.

O treinador ficou revoltado e procurou os dirigentes.

Mais especificamente o vice Itair Machado, que estava com a delegação. 

Queria uma punição para Dedé, por insubordinação.

O técnico ficou perplexo com a resposta que ouviu.

Escutou que ele deveria sair por ter 'perdido o vestiário'.

Foi essa opinão que Itair deu para o presidente Wagner Pires de Sá. Aliás, não foi opinião. Foi explicação sobre o motivo que Ceni deveria ser demitido sumariamente.

E foi o que aconteceu.

Como o blog havia apurado, o perfil que Itair queria para o Cruzeiro era o de um treinador que fosse 'respeitado pelos jogadores'.

Oswaldo de Oliveira foi xingado, humilhado por Ganso. E demitido

Oswaldo de Oliveira foi xingado, humilhado por Ganso. E demitido

Reprodução/Twitter

Tentou Felipão e acabou fechando até 2020 com Abel Braga que, por coincidência, se dá muito bem com Fred e Thiago Neves. E é adorado por Dedé.

Ceni já arrumou as malas. Viu Zé Ricardo ser demitido. E está rumando novamente para o Fortaleza, onde sua palavra é lei e os jogadores não o questionam.

A última vitória clara de um jogador sobre um técnico foi no São Paulo.

Cuca fez de tudo, conversou, mostrou vídeo, implorou para que Daniel Alves atuasse pela lateral direita. Estava disposto até a testar Juanfran como volante. E os dois se alternariam durante o jogo.

Só que o capitão da Seleção Brasileira foi muito claro. Só aceitou jogar no São Paulo porque seria meia. O inseguro Leco e Raí sabiam da imposição e a aceitaram.

O duelo silencioso foi se tornando cada vez mais incômodo, transparente. Até que Cuca cedeu de vez e fixou o jogador de 36 anos na posição-chave. O treinador tinha a esperança que o inseguro Leco e Raí percebessem o quanto ele não conseguia render.

Deu errada a estratégia.

Com o São Paulo jogando mal, despencando na tabela, os conselheiros, o grupo que dá sustentação política ao inseguro Leco, os membros das organizadas se juntaram. E passaram a exigir do presidente a demissão de Cuca.

O treinador sabia que, se o time perdesse amanhã, contra o Flamengo, seria demitido. E resolveu antecipar as coisas, no que foi rapidamente atendido.

Ceni não foi páreo. A diretoria do Cruzeiro ficou com Dedé e Thiago Neves

Ceni não foi páreo. A diretoria do Cruzeiro ficou com Dedé e Thiago Neves

Cruzeiro

Os médicos que fizeram uma cirurgia cardíaca em Cuca no final do ano passado recomendaram. Diante da angústia extrema, tensão pura, o treinador deveria simplesmente pedir para sair. Foi o que fez.

Daniel Alves foi um dos entusiastas da contratação de Fernando Diniz, de tanto ouvir sobre sua proposta moderna, ofensiva, de Tchê Tchê e Pablo, que trabalharam com ele no Audax e no Athletico Paranaense.

Hernanes também deu seu aval ao novo técnico.

Não houve uma lágrima derramada por Cuca.

Ninguém entrou em luto.

A vitória foi de Daniel Alves.

Assim como Dedé venceu Rogério Ceni.

E Ganso nocauteou Oswaldinho.

Jogador de futebol tem muito poder no Brasil.

Só não enxerga quem não quer...