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Corinthians se anima. E está disposto a comprar Favela. Artilheiro se nega a mudar apelido. “Represento a rua Márcia, no Capão Redondo.” O bairro é o mais violento de São Paulo

A direção perguntou se ele não queria ser identificado como Luís Flávio. Ele pediu para que seu apelido fosse mantido. E assim foi feito. Favela marcou o gol do Corinthians ontem, na difícil estreia na Copa São Paulo, contra o Trindade, campeão goiano. 50% dos seus direitos custam R$ 300 mil

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Favela mostrou frieza ao encobrir o bom goleiro Guti, do Trindade. 1 a 0, suado e injusto, para o Corinthians Wanderson Oliveira/Corinthians

O Índice de Exposição aos Crimes Violentos é claro.

O Capão Redondo, na extrema Zona Sul, é o bairro de São Paulo com maior índice de criminalidade no estado.


E com violência.

Principalmente homicídios e latrocínios.


No bairro moram mais de 270 mil pessoas.

A rua Márcia, que fica na comunidade (favela) Jardim Irene, nunca havia sido homenageada no futebol.


Cafu nasceu em Itaquaquecetuba. Mas cresceu no mesmo bairro, Jardim Irene, que lembrou na conquista do pentacampeonato mundial em 2002.

Ele escreveu 100% Jardim Irene em cima da camisa da Seleção Brasileira.


Não citou, no entanto, a rua onde morou anos e anos, rua Terra Portucalense.

24 anos depois, o Capão Redondo vira centro da atenção.

Exatamente a comunidade de Jardim Irene.

Mais precisamente a humilde rua Márcia.

E por um garoto de 19 anos.

Centroavante, das antigas, trombador.

De estilo dos anos 60, 70.

Luiz Flávio.

Jogador emprestado pelo Capivariano.

Foi um dos 87 atletas da base que chegaram sob a administração do ex-presidente Augusto Melo.

Ele foi contratado mas deixou dúvidas no clube.

Só atuou em 11 partidas de 47 jogos do sub-20.

E não havia marcado gol

Fez o primeiro ontem, na partida mais importante que jogou.

“Represento a Rua Márcia, ali perto do Capão Redondo, no Jardim Irene. Sempre faço questão de representar de onde eu vim, porque foi ali que aprendi a ser quem eu sou, entendendo minhas origens e minha história.

“Acho que foi um sonho de infância realizado. Desde menino eu sempre sonhei com isso e, quando entrei em campo, me emocionei.

“Os olhos se encheram de lágrimas, porque eu nunca tinha vivido algo assim. É um carinho muito grande. Quero agradecer a todos pela presença. E isso é só o começo.”

Cafu homenageando a favela Jardim Irene, onde cresceu, no Capão Redondo Reprodução/Instagram Cafu

O jogador de 19 anos mostrou muita personalidade.

O departamento de futebol deu a chance para ele escolher se iria ser chamado como Favela ou Luiz Flávio.

Sem titubear, ele escolheu Favela.

Dorival Júnior o utilizou em alguns treinos.

Mas também ficou em dúvida se o incorporava ao time profissional ou não.

O problema é a falta de fundamentos.

Mas a boa partida de ontem animou os dirigentes corintianos.

Eles esticaram o empréstimo do jogador, que terminaria em dezembro do ano passado, para março deste ano.

O Capivariano só aceita vender 50% dos direitos do jogador.

R$ 300 mil.

A direção corintiana se mostra animada.

Gostou muito do comportamento do jogador, na partida de ontem.

Além do gol, em genial lançamento de Luizinho, Favela conseguiu abrir espaço na zaga goiana, usando força, trombando com os zagueiros.

Mostrou personalidade.

A trajetória na Copa São Paulo será fundamental para Favela.

Ele sabe está sob julgamento.

A perspectiva é boa.

Mas ele precisa marcar gols.

Sua permanência depende do seu aproveitamento.

Ele marcou, sim, no jogo mais importante que disputou.

Mas precisa fazer outros.

Favela ou Luiz Flávio, tanto faz, o Corinthians quer um jovem artilheiro.

O representante da rua Márcia deu um ótimo primeiro passo...

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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