Cosme Rímoli Condenação por estupro ressurge. E tumultua volta de Cuca ao Atlético

Condenação por estupro ressurge. E tumultua volta de Cuca ao Atlético

Condenação por estupro na Suíça em 1987 faz parte da torcida do Atlético rejeitar retorno de Cuca. Ambiente tenso em Belo Horizonte

  • Cosme Rímoli | Do R7

Cuca não esperava o retorno aos noticiários da condenação de estupro

Cuca não esperava o retorno aos noticiários da condenação de estupro

Atlético Mineiro

São Paulo, Brasil

Foi a ala feminina do Atlético Mineiro que se colocou contra Robinho.

No final de novembro de 2017, o atacante foi condenado na Itália.

Nove anos de prisão pelo estupro coletivo de uma jovem albanesa, em 2013.

Em seguida, no início de dezembro, começou forte campanha em Belo Horizonte para que o jogador não atuasse mais pelo clube.

"Um condenado por estupro jogando no Galo é uma violência contra todas as mulheres!", era uma das faixas que foram colocadas pela cidade. Mas a que melhor retrata a revolta contra o atleta.

A diretoria resolveu não seguir mais com ele.

E Robinho foi para a Turquia, onde ficou por dois anos.

Tentou voltar ao Santos, só que perdeu a apelação do julgamento na Itália e foi novamente rejeitado por torcedores, pela sociedade, pela condenação de estupro.

As redes sociais integram, participam destes crimes sexuais de maneira com que jamais aconteceu.

E que está na linha de fogo é Cuca.

O treinador cresceu muito na carreira.

Aos 57 anos entrou de vez na elite dos treinadores brasileiros.

Fez do limitadíssimo Santos, vice-campeão da Libertadores de 2020.

Abandonou o clube porque quis.

Sabia que teria ótimas propostas.

E a que mais desejava chegou.

A do retorno ao Atlético Mineiro, clube que foi campeão da Libertadores, em 2013.

Com uma grande diferença.

A disposição de centenas de milhões de reais para montar o time mais poderoso da América do Sul.

Para alavancar o plano de sócios-torcedores e patrocinadores da arena MRV que está sendo construída para o clube.

Rubens e Rafael Menin, donos da construtora MRV e Ricardo Guimarães, dono do banco BMG, decidiram colocar o Atlético Mineiro no mesmo nível do Flamengo.

O quarteto condenado

O quarteto condenado

Reprodução

E tentaram colocar o plano em prática com Jorge Sampaoli. O treinador argentino se mostrou problemático demais e, mesmo com uma equipe de R$ 150 milhões, não conquistou o Brasileiro.

Ele usou o clube e foi para o Olympique de Marseille, voltando para a Europa. Conseguiu realizar o sonho de voltar ao Velho Continente, depois do fracasso no Sevilla.

O caminho ficou aberto para Renato Gaúcho.

Só que o treinador outra vez se mostrou pouco disposto a abandonar o clube que domina. E seguirá, por mais uma temporada, no Grêmio.

Cuca estava confortável nesta negociação.

Se Renato Gaúcho saísse do Grêmio, poderia voltar a Porto Alegre.

Mas com a permanência do maior ídolo gremista, foi o Atlético que se ofereceu ao treinador.

Ele não só aceitou como exigiu um contrato longo, de dois anos, com a possibilidade de um terceiro.

Tudo certo para o trabalho profundo, de filosofia, que o clube mineiro precisa e o treinador quer fazer, com os centenas de milhões dos bilionários mecenas.

Só que o caminho não estará tão livre.

Já há uma forte articulação nas redes sociais.

Os torcedores e torcedoras que exigiram a saída de Robinho, querem explicações de Cuca.

Pela condenação do mesmo crime.

Estupro coletivo.

Mas de uma menina de 13 anos.

O nome dela é Sandra Pfafli.

Tudo aconteceu na Suíça, em 1987.

Ele tinha 24 anos.

Era jogador do Grêmio, que excursionava pelo país europeu.

"Cuca, o goleiro Eduardo, o zagueiro Henrique e o atacante Fernando foram detidos no hotel Metrópole, em Berna, sob a acusação de estuprar, dentro do quarto 204, uma menina que havia entrado na concentração gremista em busca de camisas e souvenirs da equipe.

"Segundo o registro policial, o grupo teria expulsado dois amigos que acompanhavam a vítima antes de cometer a violência sexual", publicou a edição brasileira do jornal espanhol El País.

"Enquanto os quatro acusados permaneceram presos por quase um mês em terras suíças, o Grêmio seguiu normalmente com seu tour, que terminou com cinco vitórias e quatro empates. “Os jogadores não conseguiram se desligar do trauma de seus companheiros e, mesmo assim, voltamos invictos”, comemorou o então técnico tricolor, Luiz Felipe Scolari.

"O caso, que ficou conhecido como o “escândalo de Berna”, gerou revolta em Porto Alegre. Não pela grave acusação que pesava contra os atletas do clube gaúcho, mas pelo fato de boa parte da opinião pública ter culpado a vítima pelo ocorrido e entendido que os jogadores eram injustiçados", seguiu a publicação.

Cuca defendia a volta de Robinho ao Santos. "Jogador exemplar"

Cuca defendia a volta de Robinho ao Santos. "Jogador exemplar"

Santos

O governo brasileiro interferiu, pedindo a liberação do quarteto.

Eles voltaram ao país.

Jamais negaram ter tido relações sexuais com Sandra.

Cuca alegou, na época, que a menina não parecia ter apenas 13 anos, mas 18 anos

Mas ele e seus companheiros acabaram condenados.

Cuca, Eduardo e Henrique foram condenados a 15 meses de prisão.

E Fernando a três meses

A sentença definitiva saiu em 1989.

Como o governo brasileiro não extradita seus cidadãos, o quarteto não foi preso.

Os jogadores apenas não voltaram ao território suíço e tiveram vidas, carreiras, sem problemas.

A pena expirou em 2004.

Cuca jamais tocou no assunto depois de condenado.

E ainda não aceita falar sobre o que aconteceu.

O polêmico caso parecia encerrado.

Mas com sua volta ao Atlético encaminhada, a articulação de protestos está acontecendo.

A intenção dos radicais é que ele não volte à Cidade do Galo.

Os mais moderados exigem explicações reais, jamais dadas, sobre a condenação pelo estupro na Suíça.

Faixas espalhadas por Belo Horizonte deixaram insustentável a situação de Robinho

Faixas espalhadas por Belo Horizonte deixaram insustentável a situação de Robinho

Reprodução/Twitter

Nem Cuca e muito menos os mecenas do Atlético previam essa situação.

Acreditavam que o retorno do campeão da Libertadores seria apenas motivo de festa, celebração.

E não de uma cobrança tão pesada.

Mas a sociedade mudou.

O que valeu para Robinho, vale para Cuca.

Para tensão na diretoria do Atlético Mineiro...

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