Cosme Rímoli Cinturões, filha, esposa. Amanda Nunes usa UFC contra preconceito

Cinturões, filha, esposa. Amanda Nunes usa UFC contra preconceito

Não bastasse ser a melhor lutadora de todos os tempos, e ter massacrado Megan Anderson, ela levou a filha e esposa para celebrar os dois cinturões

  • Cosme Rímoli | Do R7

Amanda Nunes, Nina e a filha Reagan. E dois cinturões. Imagem histórica no UFC

Amanda Nunes, Nina e a filha Reagan. E dois cinturões. Imagem histórica no UFC

UFC

São Paulo, Brasil

Foi a cena mais humana, em 27 anos do UFC.

Amanda Nunes, com seus dois cinturões, que representam a dominação nos pesos galo (até 61 quilos) e pena (até 66 quilos).

A baiana, melhor lutadora de MMA da história, estava em cima do octógono, em Las Vegas, comemorando a arrasadora vitória sobre a australiana Megan Anderson.

Amanda, diante da atleta com maior envergadura, mostrou seu vasto repertório. Socos desnortearam a australiana. E depois, no chão, um espetacular triângulo invertido, com chave de braço. Anderson teve de desistir aos dois minutos e três segundos do primeiro round.

Nunes está no seu auge, sendo motivo de orgulho para a academia American Top Team, entre as melhores do mundo.

Foi a décima segunda vitória seguida da brasileira de 32 anos.

Ela está a uma luta de igualar o recorde do nigeriano Kamaru Usman, com 13 vitórias.

Nas mulheres, ninguém chega perto.

Dana White, machista convicto, teve de ceder ao poderio, ao profissionalismo das mulheres, em 2013.

Teve de engolir a frase dita com convicção em 2011.

"Mulheres jamais lutarão no UFC."

O que o fez dobrar foi o capitalismo.

O interesse nas lutas de atletas de com grande nível que disputavam outras divisões do MMA.

Quando no dia 22 de fevereiro, a bela judoca Ronda Rousey venceu Liz Carmouche com uma impressionante chave de braço, na Califórnia, Dana White descobriu outra vertente para trazer mais dinheiro, mais publicidade, mais pay-per-view para o UFC.

A bela Ronda descobriu a potência dos golpes de Amanda. O UFC chegava a outro patamar

A bela Ronda descobriu a potência dos golpes de Amanda. O UFC chegava a outro patamar

UFC

Descobriu as mulheres.

E teve de criar quatro categorias, a metade dos homens.

Elas não só lutam como assistem, são responsáveis por assinaturas. Pesquisas apontam que, nos Estados Unidos, país que mais paga pay-per-view ao UFC, as mulheres respondem por 15% dos assinantes. Número importante. Ainda mais porque o evento, que foi comprado por um bilionário grupo chinês, leva muito em conta as pesquisas.

Logo a beleza de Ronda perdeu espaço. Justamente para Amanda Nunes, que havia conquistado o cinturão de Miesha Tate, com um mata leão, no primeiro round, com direito à performance da noite.

Contra Ronda, com toda a torcida de Las Vegas, veio o nocaute devastador, aos 48 segundos de combate. Em dezembro de 2016, os norte-americanos se calaram, como mandou a brasileira, e reverenciaram a maior lutadora de todos os tempos.

A brasileira, homossexual assumida, rompia barreiras ao assumir seu amor pela também lutadora, a norte-americana Nina Ansaroff.

Amanda seguiu treinando e conquistando vitórias espetaculares.

Contra Valentina Shevchenko, Raquel Pennington, Cristiane Justino (Cris Cyborg), Holly Holm, Germaine de Randamie, Felicia Spencer e Megan Anderson. 

Todas batidas pela brasileira.

Triângulo invertido de Amanda em Megan. Jiu-jitsu no mais alto nível. Vitória da campeã

Triângulo invertido de Amanda em Megan. Jiu-jitsu no mais alto nível. Vitória da campeã

UFC

Dana White viu Amanda 'limpar' as categorias pena e galo.

São cinco anos de dominação.

Das quatro categorias femininas, ela é 'dona' de duas.

E ontem, deu um mata leão no preconceito.

Da forma mais angelical possível.

Depois de mais uma consagradora vitória, ela fez subir ao octógono sua esposa, Nina Ansaroff.

E no colo de Amanda, um prêmio muito maior do que os dois cinturões do UFC.

Reagan, filha da lutadora brasileira e de Nina.

Uma cena impensável há 27 anos, quando Royce Gracie venceu o primeiro torneio de MMA.

Uma mulher, com dois cinturões, sua esposa e filha.

Com o mundo aclamando.

Espetacular, histórico, simbólico.

O MMA vai muito além da violência dos golpes.

É o mundo também da inclusão.

Que serve para romper padrões, preconceitos.

Amanda Nunes fez história novamente.

Com a cumplicidade de Nina.

E doçura de Reagan...

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