‘Cafu só virou Cafu porque eu me machuquei. Jogadores fizeram o Telê me escalar. E ganhamos o Brasileiro.’ Exclusiva com Zé Teodoro
Um dos melhores laterais da história do São Paulo. Ele faz revelações dos times que conquistaram dois Brasileiros para o São Paulo. Como o clube estava à frente dos demais. E dá detalhes como convenceu Cafu a jogar na lateral direita, o que mudou a vida do capitão do penta

Ele foi um dos melhores laterais da história do São Paulo.
Bicampeão brasileiro.
Tetra paulista.
Além de tricampeão goiano.
Nascido há 61 anos, no interior de Anápolis, não só seguiu o caminho dos irmãos Fernandinho e Gilson Bonfim.
Foi muito além dos dois. Conseguiu a independência financeira que a família precisava.
Veloz, vigoroso, inteligente e com cruzamentos precisos, ele se impôs no Goiás. Moderno para a década de 80. Mas a projeção nacional veio no São Paulo, que conseguiu vencer o duelo com o Flamengo e contratá-lo.
“O São Paulo era, disparado, o melhor clube do Brasil. Infraestrutura, dirigentes. Tive muita sorte. Peguei a geração ‘Menudos’: com Muller, Silas, Sidney. O Cilinho, que era fantástico, como treinador. E ainda o time que ganhou a Libertadores e o Mundial. Fui um privilegiado. Vejo hoje como as equipes eram modernas, à frente do seu tempo.”
Em rara entrevista exclusiva, Zé Teodoro faz revelações. “O São Paulo era um time de muita raça na minha época. E eu não me intimidei. Ia para cima mesmo dos adversários. Leal, como sempre fui na minha vida, mas ninguém tinha moleza comigo. Nem com o São Paulo.
“O Cilinho me obrigava a dar 30 cruzamentos por jogo. 15 no primeiro tempo e 15 no segundo tempo. Eu marcava muito bem, passei a atacar também. Era um ala, posição que não existia.
“O Cafu só virou Cafu porque eu me machuquei, fraturei o tornozelo. Vou explicar: ele era um ótimo jogador, mas coringa. Ou seja, atuava como lateral, volante, meia, ponta. Eu o chamei para conversar e falei que coringa é a pior coisa no futebol. Ele concordou.
“Eu passei a ajudá-lo a cruzar com precisão. Apesar de ser meu rival pela lateral. Por coincidência, fraturei o meu tornozelo. E o Cafu assumiu a lateral do São Paulo. E virou o Cafu.”
“Na final do Brasileiro de 1991, os líderes do time tiveram uma reunião com o Telê Santana. E disseram que para garantir o título contra o Bragantino, do Parreira, eu precisava voltar a ser titular. E o Cafu jogaria como ponta esquerda. O Telê aceitou. E ganhamos o título.”
“O Guarani reclama até hoje de um pênalti no João Paulo, do Vagner. Mas o João Paulo era especialista em simulação. Não foi pênalti. E ganhamos o Brasileiro de 1986, em Campinas.
“Eu deveria ter disputado a Copa de 1986. Mas o Telê Santana não me convocou. Preferiu levar um meia que atuava improvisado na lateral, o Josimar. Naquele tempo tinha aquela rivalidade entre São Paulo e Rio de Janeiro na Seleção. Foi muita injustiça comigo.
“O maior erro da minha carreira foi não ter empresário. E eu pedi para ir embora em 1992, antes de o São Paulo ganhar Libertadores e o Mundial. Sabia que era um timaço. Poderia ter ficado quieto. Na reserva. Teria esses títulos. Mas queria ser titular e fui para o Fluminense. Errei”.
Com personalidade forte, ótima visão tática, Zé Teodoro decidiu seguir como treinador.
Foi tricampeão em Pernambuco.
Dois títulos com o Santa Cruz e um com o Náutico.
E bicampeão cearense. Uma conquista com o Ceará e outra com o Fortaleza.
“Outro erro que cometi foi não ter empresário como treinador. Isso faz toda a diferença.” Zé Teodoro se tornou coordenador técnico. E agora quer trabalhar descobrindo jovens atletas.
“Sou treinador, mas tenho esse dom de saber se o garoto vai virar bom jogador. Ou não.”
A entrevista completa de Zé Teodoro está no canal do Cosme Rímoli no YouTube.
Uma parceria com o portal R7.
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