Atlético permite que jogadora exponha o horror. Debinha foi estuprada dos oito aos 12 anos. Pelo padrasto, que pegou oito anos de prisão
Debinha tem recebido acolhimento psicológico da violência sexual que sofreu. Entre oito e 12 anos ela foi abusada pelo padrasto. Seu pai biológico havia abandonado a família. Ela soube que sua mãe e irmã haviam sido violadas. Para proteger as sobrinhas, ela o denunciou

A situação é terrível.
E já ganhou as manchetes de jornais da Europa.
Debinha, jogadora do Atlético Mineiro, viveu um drama inaceitável.
Ela foi estuprada pelo padrasto dos oito aos 12 anos.
Graças à sua denúncia, aos 18 anos, ele foi preso.
Cumpre oito anos de cadeia.
A situação é terrível.
Debinha só o denunciou porque descobriu que sua mãe e irmã haviam sido violadas por ele.
E ela estava com medo que suas duas sobrinhas tivessem de passar pela mesma situação.
A família, simples, de São Sebastião do Tocantins, que fica na divisa do Maranhão, nada fazia.
Ela decidiu o denunciar nas redes sociais.
A polícia investigou as denúncias, conseguiu prova das atrocidades.
E seu padrasto foi preso.
A história acabou revelada em detalhes.
A direção do Atlético não coloca obstáculos para que ela exponha o caso.
Pelo contrário.
Debinha fala com liberdade com a imprensa.
Para que sirva de exemplo e alerta às mulheres que passam pela mesma situação.
O relato é revoltante.
“Na época eu era muito criança e eu não tinha meu pai, que me abandonou, e a minha mãe, que deixou eu e meu irmão com a mesma família que a adotou. E eu também não tinha para onde ir mesmo se eu falasse (sobre os abusos). Então, correria o risco deles não acreditarem em mim e ainda assim eu ficaria sem um lugar para morar. E, daí, eu guardei isso por muito tempo, até que eu comecei a entender que tudo aquilo era muito errado.
“Comentei com a minha mãe de sangue sobre o que eu havia passado na infância. E ela falou para mim que o mesmo cara também a estuprou na infância. E aí eu fiquei muito brava. Ele tem duas filhas mulheres. Ele tem um filho homem e duas filhas mulheres. E aí eu e minha mãe resolvemos contar para as duas filhas dele. E quando a gente contou, a filha mais velha relatou que havia passado pelo mesmo com o pai dela. E que a mais nova não passou por isso, porque a mais velha protegia ela.

“Nós éramos ali quatro vítimas do mesmo cara, e ninguém havia falado nada. E o filho homem dele havia casado e tinha duas filhas, que eram crianças ainda. Eu percebi que todas as três se calaram, e eu fui a última vítima.
“Se eu me calasse, as duas netas dele seriam as próximas (vítimas) também. Ao postar um vídeo nas redes sociais, Debinha teve um apoio inesperado e necessário. Foi o pai biológico que a ajudou a levar o caso até a Justiça.
”Eu resolvi postar um vídeo no Instagram pedindo ajuda, socorro.
“Porque eu contei tudo para o pessoal da família e, como era no interior, abafou. Ficou só entre a gente e eu ia ter que dar um jeito de lidar com tudo aquilo. A minha mãe adotiva não sabia o que fazer, porque as filhas dela não queriam ver o pai atrás das grades. Eu denunciei, eu já estava com 17, 18 anos.
“E eu postei um vídeo na internet, pedindo ajuda e aí viralizou, muito rápido, chegou até o meu pai de sangue. Ele foi o único que se propôs a denunciar, a fazer o que era certo, porque ele era o único que não tinha sentimento nenhum pelo agressor, pelo cara que fez toda a maldade comigo na infância. Todo o processo acontecia enquanto eu ainda estava jogando. Então, foi uma fase bem conturbada, mas graças a Deus, eu tinha Deus e o esporte.”
Seu pai era zelador de uma escola.
Tinha acesso a crianças.
Foi condenado a oito anos de prisão.
Parte da família ficou contra a jogadora.
Debinha falou à ESPN/Brasil.
Também a veículos de Minas Gerais.
As entrevistas repercutiram em Portugal.
Fez novo relato, que foi publicado ao GE.
E, com a autorização do Atlético Mineiro, ela continuará expondo sua história de horror.
Para que sirva de exemplo para as meninas que sofrem abuso neste país.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou.
Uma mulher é atacada sexualmente a cada seis minutos no Brasil...