“Ah, é mercenário... Ah, é mercenário...” Processo. Vaias. Pai xingado, obrigado a deixar a tribuna. Na derrota do Cruzeiro, mergulhado na zona do rebaixamento, Gerson conhece o rancor do Flamengo
O Flamengo venceu o Cruzeiro por 2 a 0, no Maracanã. Gols de Pedro e Carrascal. Mas quem roubou a cena foi Gerson, sendo xingado o tempo todo que esteve em campo. O ex-capitão flamenguista ouviu o coro de ‘mercenário’

“Ah... É mercenário... Ah... É mercenário...”
Quarta-feira, 11 de março de 2026.
Um dos piores dias esportivos para Gerson.
Ele conheceu todo o rancor da torcida do Flamengo.
Desde o aquecimento até o final da partida, quando ficou olhando o confronto do banco, depois de sair, por jogar muito mal, até ‘desaparecer’ no túnel que o Cruzeiro usou no Maracanã, o coro perseguiu Gerson.
“Ah... É mercenário... Ah... É mercenário...”
Ele foi o grande personagem da vitória do Flamengo por 2 a 0 contra o Cruzeiro.
Roubou os holofotes de Leonardo Jardim, alvo de muita raiva de torcedores cruzeirenses, que jogaram cédulas falsas de R$ 100,00.
Só que nelas estava escrito ‘Sem palavra’, ‘Sem vergonha’, ‘Sem caráter’ e sabor ingratidão.
Tudo porque o português jurou que só treinaria, no Brasil, o Cruzeiro. E fechou contrato com o Flamengo.
Tite, que trabalhou, e muito mal, na Gávea, também ouviu muitos palavrões.
E um coro que ele detesta, mas já ouviu várias vezes da torcida cruzeirense.
“Adeus, Tite... Adeus, Tite...”
Aos poucos, o estilo Leonardo Jardim vai aprimorando o que fez tão bem Filipe Luís.
Ele escalou Paquetá, jogador de R$ 260 milhões, e Pedro como titulares, ao contrário do que aconteceu com o ex-treinador.
O meio-campo e ataque do Flamengo estavam coordenados, compactos, vibrantes.
O Cruzeiro de Tite, espaçado e descordenado, perdeu os confrontos na intermediária.
Villareal errou feio, diante da pressão flamenguista. Pedro ganhou a bola e marcou 1 a 0, aos quatro minutos de partida.
O gol desequilibrou o time mineiro. O Flamengo seguiu pressionando, criando e desperdiçando chances de gol.
O simples 4-3-3 de Jardim se impunha facilmente ao 4-2-3-1 de Tite.
O Cruzeiro só dependia do talento individual de Matheus Pereira. Mas diante de uma marcação agressiva, ele sucumbiu. Kaio Jorge, que teve uma lesão no pé (provavelmente na lastimável briga de domingo passado, com 23 jogadores de Atlético e Cruzeiro expulsos) não atuou.
Assim como Lucas Romero, com uma costela quebrada, no confronto bélico.
Enquanto o Cruzeiro sofria, e Gerson era um dos piores em campo, seu pai, Marcão, foi reconhecido no Maracanã. Foi xingado, pressionado por flamenguistas revoltados. Foi ele quem negociou a ida de Gerson para o Zenit.
Marcão estava sendo ameaçado de agressão, quando policiais o tiraram do setor que estava acompanhando o jogo.
Carrascal fez um belíssimo gol, aos 52 minutos do segundo tempo, sacramentando mais uma derrota do Cruzeiro no Brasileiro. E o mergulho profundo na zona do rebaixamento.
“Tu olha a tabela e incomoda. Incomoda ao clube, de uma maneira geral, nos incomoda. Incomoda a todos (...)
“Tem a parcela de contribuição de todos. Escolhas técnicas, táticas, individuais, coletivas, tudo forma um contexto.
“Talvez não seja nem um sentimento de incômodo, talvez seja uma dor maior. É um sentimento mais forte que temos em função dessa posição”, lastimava Tite.

O treinador foi muito xingado pela torcida do Flamengo, quando comandou a equipe carioca, em 2023 até setembro de 2024, quando foi sumariamente demitido, depois de péssimo trabalho.
Já Leonardo Jardim se vingou da provocação dos cruzeirenses e suas notas falsas. E mostrou a diferença de seu estilo e de Filipe Luís.
“Acho que existem algumas coisas importantes a valorizar. Em primeiro lugar a equipe conseguir mais um jogo sem sofrer gols, foi importante. Entrar forte também no jogo. Tivemos os primeiros 15, 20 minutos fortes, além do gol outras duas bolas na trave.
“Do outro lado também tem uma equipe boa. Ano passado consegui excelentes resultados contra o Flamengo (quando treinava o Cruzeiro). Esse ano é uma equipe diferente, com mais posse, mais jogadores na zona central.”
O português falou sobre o reencontro com jogadores e a direção do Cruzeiro. Mas avisou. “Sou 200% Flamengo.”
“Com certeza tenho boas amizades e relações lá. Esses atletas, ajudamos a colocá-los em um nível que eles estavam um pouco perdidos. E por isso tenho proximidade com alguns.
“Antes do jogo, o presidente esteve na minha cabine para batermos um papo para verem a relação que tenho com ele. E foi bom, mas dentro de campo é outra coisa. Dentro de campo eu sou 200% Flamengo.”
O principal personagem da partida, Gerson, não quis dar entrevistas.
Se os repórter não o encontraram, oficiais de justiça, sim, no início da tarde de ontem, o notificando de um processo de R$ 42 milhões que o Flamengo move contra ele. Por ter rompido o contrato para ir ao Zenit.
Gerson não tinha mesmo ânimo para falar.
Porque a torcida do Flamengo seguia cantando, até depois da partida.
“Ah... É mercenário... Ah... É mercenário.”












