Cosme Rímoli A brasileira Amanda Nunes. A maior lutadora da história do UFC

A brasileira Amanda Nunes. A maior lutadora da história do UFC

Ao massacrar Spencer, Amanda manteve o cinturão dos penas. Já era seu o dos galos. Nem homem ou mulher defendeu dois cinturões na história do UFC

  • Cosme Rímoli | Do R7

Amanda Nunes se impôs do início ao final da luta. Atuação para bater recorde

Amanda Nunes se impôs do início ao final da luta. Atuação para bater recorde

Reprodução Twitter

São Paulo, Brasil

Desde 15 de maio de 2016, quando Fabricio Werdum caiu nocauteado em Curitiba, derrubado por um cruzado de direita de Stipe Miocic, nenhum homem conseguiu ser campeão do UFC.

São quatro anos de jejum.

Mas surgiu a baiana Amanda Nunes no cenário, para salvar a reputação, a tradição do Brasil no evento mais disputado de mma no mundo.

Na noite de 9 de julho de 2016, ela deu um sensacional mata-leão em Miesha Tate e se tornou campeã dos peso galo.

Foi a primeira mulher brasileira a ter o cinturão do UFC.

Desde então, não parou mais de fazer história.

Já havia sido a primeira brasileira a conseguir lutar no evento.

Depois se tornou a primeira mulher da história a ter dois cinturões, ser campeã dos galos e também dos penas.

E ontem chegou a um feito incrível.

Ninguém jamais havia defendido e mantido dois cinturões ao mesmo tempo.

Conor McGregor, Daniel Cormier e Henry Cejudo conseguiram ser campeões em duas categorias. Mas McGregor não defendeu nem o dos penas e nem o dos leves. Cormier quando defendeu o dos pesados, abriu mão dos meio-pesados. E vice-versa. Cejudo, apenas o dos galos. Desprezou o dos moscas.

Ao arrasar, e manter, sorrindo, Felicia Spencer, mantendo o cinturão dos penas, em Las Vegas, no combate principal do UFC 250, Amanda se impôs não só como a melhor lutadora de todos os tempos.

Mas seu currículo se tornou mais importante do que todos os homens, em 25 anos de UFC.

Ela venceu Germaine de Randamie duas vezes, Valentina Shevchenko duas vezes,  Holly Holm, Cris Cyborg, Ronda Rousey e Miesha Tate.

Todas foram campeãs do evento.

É a atleta mais dominante da história do UFC.

A vitória história de ontem, foi uma aula de estratégia.

Amanda sabia que é muito mais completa que a canadense Felicia Spencer. Mas não poderia se expor. Vencer significava ser reverenciada pela mundo. Conseguir algo inédito.

Servia a vitória por decisão dos jurados, por pontos.

Ela sabia que o único recurso de Spencer, faixa preta em jiu-jitsu e taekwondo, estava na luta agarrada.

Connor  não defendeu nenhum dos dois cinturões

Connor não defendeu nenhum dos dois cinturões

Jeff Bottari/Zuffa LLC/Zuffa

Em jogá-la no chão e tentar o ground and pound. Ou uma cotovelada de encontro, sua especialidade.

Só que Amanda é um fenômeno.

Ela tem alta técnica, boxe excepcional, chutes violentos, tem ótimo jiu-jitsu. Para completar, sua velocidade, força e precisão nos golpes, a torna quase imbatível.

Para fechar o quadro havia a enorme diferença de experiência entre as lutadoras. Amanda Nunes chegava a 23 combates na elite mundial. Spencer, apenas à nona luta.

E a brasileira seguiu exatamente seu plano maquiavélico.

Se manteve consciente a luta toda. Bateu sem dó e sem se expor. Manteve Felicia à distância com socos, pontapés e seu preparo físico excepcional. Não deu chance para que a canadense a derrubasse. 

Cejudo defendeu apenas o dos galos. Não o dos moscas

Cejudo defendeu apenas o dos galos. Não o dos moscas

Jeff Bottari/Zuffa LLC/Zuffa LLC

E começou, não só a mostrar sua superioridade, como a marcar pontos. Batia, saía, e minar a resistência de Spencer e fazer estragos no seu rosto.

Amanda tem uma força psicológica enorme. Sorrindo, ela tirava a confiança de Felicia.

Foi uma aula de controle de uma luta. Em todos os sentidos. E sem risco.

No segundo assalto, Amanda passou a surpreender.

A usar a arma esperada da rival.

Começou a usar golpes de judô para derrubar Felicia.

No segundo round foi um aviso do que viria pela frente.

Felicia começou a mostrar as dores que sentia com os golpes. Mais cansaço e frustração.

Amanda seguia com arrasadoras combinações de jabs e diretos. Além dos socos no estômago para diminuir a surpreendente resistência da canadense.

Cormier defendeu só o cinturão dos pesados. Dos meio-pesados, não

Cormier defendeu só o cinturão dos pesados. Dos meio-pesados, não

Facebook UFC

No quarto assalto, Amanda bateu ainda mais para valer. Usou mais velocidade e variações, com cruzados e uppers. Até que derrubou Felicia e desferiu várias cotoveladas que desfiguraram o rosto da rival. E até que encaixou um mata-leão nos últimos segundos. Felicia foi salva porque o round terminou.

Com a testa inchada, o rosto todo sangrando, Felicia Spencer quis continuar. Amanda apenas seguiu batendo sem piedade. E sem riscos.

Até conseguir a vitória por pontos, que a consagrou.

Lógico, de forma unânime.

Depois da luta confessou que se contundiu no primeiro assalto.

"Eu gosto de chutar. No primeiro round, chutei e pegou no joelho dela. Desde aquele momento, minha canela ficou destruída. Mas eu ainda consegui chutar mais durante a luta, só que agora não consigo nem ficar em pé", confessou.

Mesmo depois da contusão, deu 19 chutes em Felicia.

A baiana disse que vai pedir uma pausa.

Só quer voltar a lutar em 2021.

Amanda fez questão de desfilar com os dois cinturões no octógono.

Eles são dela.

Amanda desfigurou  o rosto de Spencer. Melhor lutadora de todos os tempos

Amanda desfigurou o rosto de Spencer. Melhor lutadora de todos os tempos

Instagram UFC

Amanda os defendeu.

Os manteve.

E deu muito orgulho ao MMA brasileiro.

Que está há quatro anos sem um homem campeão.

Mas tem a maior campeã de todos os tempos.

Ninguém ousou o que Amanda Nunes conseguiu...

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