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Silvio Lancellotti Copa 2018
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Explicar a derrota do Brasil é como procurar um pelo mínimo no ovo

Não há sentido em agir como uma infinidade de comentaristas que, agora, depois da eliminação, vasculham o passado e derramam as suas regras

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

Bélgica, a celebração
Bélgica, a celebração Bélgica, a celebração

Não houve maldade do adversário, ou incompetência da arbitragem, muito menos um equívoco do VAR. E não houve erros de planejamento, equívocos de convocação, safadezas na concentração, interferência das esposas ou dos empresários. Não houve falta de apoio da torcida e muito menos as críticas azedas dos patriarcas da Mídia. Dos verbos no passado ao tempo do presente, não há explicações e nem ao menos desculpas tolas. Por mais ridícula que pareça a minha frase seguinte, o Brasil perdeu da Bélgica porque os “Rubros” fizeram dois gols e a “Canarinho” se limitou a um tento. O Brasil que finalizou 26 vezes no prélio, contra só 8 arremates da Bélgica.

Tite, a tristeza com dignidade
Tite, a tristeza com dignidade Tite, a tristeza com dignidade

Tente analisar o que aconteceu se você tivesse, como eu, perdão, perdão, meio século de jornalismo e seguisse a história da Copa do Mundo, para a Imprensa, desde aquele sucesso inesquecível do México/70. Você entenderia melhor, então, que não existem culpados a se cobrarem depois de uma eliminação obviamente triste como a desta sexta, dia 6 de Julho, na imponente Arena de Kazan, Rússia. Dos países que já bordaram ao menos uma estrelinha de campeão em seus uniformes, a Itália nem se qualificou. A Alemanha, atual detentora do troféu, sequer sobreviveu à fase inicial de grupos. A Argentina e a Espanha ficaram na etapa das oitavas. O Uruguai se despediu apenas três horas antes de o Brasil dizer adeus. A França ainda bateu o Uruguai e pegará precisamente a Bélgica no degrau das semis. De modo a não deixar os “Bleus” sozinhos na liça, a Inglaterra precisará superar a Suécia neste sábado.

Bélgica 1 X 0
Bélgica 1 X 0 Bélgica 1 X 0

E o prélio de Kazan, em si, teria pespegado surpresas em Tite, em seus pupilos, nos torcedores do Brasil? Eu sinto bastante, mas não responderia afirmativamente. Antes dos 10’ do combate de Kazan o time de Tite produziu três situações bem agudas no interior da área da Bélgica, inclusive com uma bola num poste. Então, testemunhou a inauguração do placar, aos 13’, num lance basicamente incidental quando Chadli cobrou um escanteio e, na ânsia de rebater, Fernandinho, um substituto emergencial do titular Casemiro, desviou de cocoruto e o arqueiro Alisson não conseguiu cortar.

Bélgica, 2 X 0
Bélgica, 2 X 0 Bélgica, 2 X 0

Claro que, daí, os “Rubros” se desdobraram e erigiram um sólido muro à frente da linha da sua área. Perfurá-lo, só numa invenção, numa individualidade, na inspiração. Que aconteceu às avessas, aos 31’, numa investida veloz de DeBruyne pelo flanco direito, um tiro cruzado, 2 X 0. Na sua gestão de 24 meses, jamais, antes, o elenco de Tite havia sofrido uma desvantagem de dois tentos ainda no tempo inicial de um prélio. Mais: nas campanhas dos seus cinco títulos o Brasil nunca tinha recebido 2 X 0.

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Sempre existe uma primeira vez. No intervalo, Tite fez o que podia, e o que deveria. Trocou Willian por Roberto Firmino. Gabriel Jesus por Douglas Costa. E a seleção do Brasil apertou e reapertou, conforme deveria, mas como podia, sem que a impressionante muralha vermelha se abalasse. E quando, eventualmente, a muralha se fendia, lá estava Courtois, o arqueiro atento e firme. Enfim, aos 73’ o treinador recorreu ao trunfo que lhe restava, Renato Augusto no posto de Paulinho. Deu certo. Aos 76’, Coutinho acertou um passe pelo alto, quase uma cavadinha, que Renato desviou de cabeça.

Isso, que ninguém cobre nada... a vida segue...
Isso, que ninguém cobre nada... a vida segue... Isso, que ninguém cobre nada... a vida segue...

Aos 80’ e, daí, aos 84’, Renato e Philippe desperdiçaram, por centímetros, o gol da igualdade e o passaporte que os levaria à prorrogação. Envergonhar-se por quê e de quê? Sim, eu sei, perder a Copa, para determinados brasileiros, é como perder a própria honra. Enquanto eu alinhavo este texto, à minha frente alguns comentaristas de TV buscam o pelo no ovo e destilam a sua tradicional derrama de regras, cada qual com o seu “se” e com o seu “por quê”.

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Ora, convenhamos. A vida segue e neste País existe uma infinidade de outros problemas a serem domados com determinação e competência. Por favor, que ninguém exija de Neymar & Cia. a taça que eles não arrebataram. A mim parece suficientemente lógico acreditar que, por bilionários que sejam, também se frustraram pelo sonho do topo do pódio ao qual não subirão.

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