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Silvio Lancellotti Copa 2018
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Dia 6: a farra do Senegal e do Japão, e a classificação da Mamãe Rússia

Muitas bobagens das defesas, passes equivocados, uma expulsão relâmpago, as quedas da Polônia e da Colômbia e mais uma bela exibição da anfitriã

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

A farra dos "Leões de Teranga"
A farra dos "Leões de Teranga" A farra dos "Leões de Teranga"

Nesta terça-feira, dia 19 de Junho, com os dois primeiros cotejos do Grupo H, se encerrou a rodada inicial da fase de classificação da Copa da Rússia/2018. Em Saransk, na Arena Mordóvia, a favorita Colômbia desafiou o Japão e empacou diante de um elenco ajustado quase às pressas e no entanto capaz de um resultado surpreendente, até pelo modo como surgiu, a vitória do Sol Nascente por 2 X 1. E em Moscou, no Estádio do Spartak, Senegal e Polônia realizaram uma peleja impactante pela sucessão de falhas que redundaram nos tentos decisivos, cruciais, também o placar de 2 X 1.

A farra dos torcedores dos "Samurais Azuis"
A farra dos torcedores dos "Samurais Azuis" A farra dos torcedores dos "Samurais Azuis"

Desde 2012 sob o comando do argentino José Pekerman, os “Cafeteros” sonhavam em reprisar o seu desempenho de 2014, cá no Brasil, quando suplantaram os “Samurais Azuis” por 4 X 1 na fase de chaves, alcançaram o patamar das quartas e só perderam do anfitrião, 1 X 2, naquela triste, famigerada porfia em que uma joelhada de Zuñiga lesou uma vértebra de Neymar e o retirou da Copa, numa prévia do que viria, Alemanha 7 X 1.

No elenco do recém empossado Akira Nishino, 63, a preocupação era muito outra: a sua preparação precária em consequência do pouco tempo de contato. E Nishino não se esquecia do 18 de Junho de 2002, ou praticamente exatos dezesseis anos atrás, na Copa de Coréia do Sul & Japão, quando era um auxiliar na sua seleção, a Turquia devastou as expectativas dos torcedores locais e, por 1 X 0, eliminou o dono da casa da sua própria competição.

Aos 3', a crucial (e justa) expulsão do volante Carlos Sanchez
Aos 3', a crucial (e justa) expulsão do volante Carlos Sanchez Aos 3', a crucial (e justa) expulsão do volante Carlos Sanchez

Auxiliou Nishino e o Japão uma inadvertida pixotada do volante Carlos Sánchez que, dentro da área, desviou com o braço destro, no reflexo, um tiro que se encaminhava à meta de Ospina. Damir Skomina, o árbitro da Eslovênia, não hesitou. Aos 3’, o pênalti e a expulsão automática do desolado astro da Fiorentina da Itália. Uma exclusão que só não foi a mais veloz da História porque, em Escócia 0 X 0 Uruguai, na Copa do México/86, José Alberto Batista, um gladiador cisplatino, viu o cartão vermelho aos 51”.

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Shinji Kagawa converteu para o Japão mas a Colômbia, mesmo sem o seu craque James Rodríguez, que se aqueceu antes do prélio mas se ressentiu de fadiga muscular, reagiu e igualou, aos 39’, Quintero, na cobrança rasteirinha, no cantinho, de uma infração. Daí, mesmo em desvantagem numérica, a Colômbia pareceu mais próxima do sucesso. No entanto, aos 73’, sofreu um gol que, no Século XX, era inviável no futebol de um outro Japão, de atletas com baixa estatura: Osako, de cabeça. Também não foi nada tipicamente oriental a farra de Nishino, ao se encerrar o jogo, empilhado nos seus atletas. Farra que se repetiria, em seguida, na porfia Senegal 2 X 1 Polônia.

Fim de jogo, a euforia do time do Senegal
Fim de jogo, a euforia do time do Senegal Fim de jogo, a euforia do time do Senegal

Também chamados de “Águias Brancas”, como os atletas da Sérvia, os integrantes da seleção da Polônia seguem as orientações de uma dupla admirável de companheiros das décadas de 70 e 80, Zbigniew Boniek e Adam Nawalka, que devolveram a sua pátria à Copa depois dos fracassos nas eliminatórias da África do Sul/2010 e do Brasil/2014. Boniek assumiu a presidência da federação e Nawalka se transformou no supervisor-técnico.

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Em edições passadas da competição, a Polônia duelou com três representantes da África. Só anotou um gol, na Argentina/78, diante da Tunísia, 1 X 0. Mas não sofreu nenhum nos outros dois prélios, Camarões 0 X 0 na Espanha/82 e Marrocos 0 X 0 no México/86. Amargaria dois, agora. Quanto aos “Leões de Teranga” de Alou Cissé, 42, no encargo desde 2014, uma curiosa bizarrice em tempos de Futebol globalizado: como na presente seleção da Suécia, nenhum dos seus 23 convocados atua no País.

Krychowiak, uma falha terrível e um gol, tarde demais
Krychowiak, uma falha terrível e um gol, tarde demais Krychowiak, uma falha terrível e um gol, tarde demais

Pois os expatriados “Leões” acuaram as “Águias” mais internacionalizadas. Apenas sete dos rapazes de Nawalka estão sediados na Polônia. Dois deles, Mielik e Zielinski, vestem as mesmas cores do hoje adversário Koulibaly no Napoli da Itália. Ironia: caberia a Thiago Cionek, um brasileiro que tem o passaporte da Polônia e atua pelo Palermo da Sicília, cravar o primeiro gol da pugna, desastradamente um gol contra, aos 37’.

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Irreconhecíveis, aliás, as “Águias” só realizariam um arremate certo à meta de Khadim Ndayie aos 50’, infração batida por Lewandowski. E sofreriam o segundo gol aos 60’, noutra barbeiragem de antologia. O meia Krychowiak, a quem o treinador Nawalka honrou com o número 10, deu um chutão para trás, o zagueirão Bednarek e o arqueiro Szczesny se atrapalharam e Niang desfrutou, com a meta escancarada, 2 X 0. Krychowiak ainda se resgataria e ainda diminuiria aos 86’. Tarde, tarde demais, entretanto.

Cheryshev: como Cristiano Ronaldo, agora três tentos na Copa
Cheryshev: como Cristiano Ronaldo, agora três tentos na Copa Cheryshev: como Cristiano Ronaldo, agora três tentos na Copa

Daí aconteceu, na tarde cá do Brasil, a partida inaugural da segunda rodada da fase de chaves. Pelo Grupo A, a Rússia de Stanislav Cherchesov, 54, fantasiou a doce possibilidade de reprisar a maravilha da estreia, 5 X 0 na Arábia Saudita, de ultrapassar o supostamente frágil time dos “Faraós”, então subir aos 6 pontos na tabela e já se garantir, por antecipação, nos mata-matas.

Numa coletiva, Cherchesov manifestou a sua alegria pela performance da Rússia naquela pugna do dia 14 e ainda fez uma interessantísima revelação: Denis Cheryshev e Yuri Gazinskiy tinham anotado os seus primeiros tentos com a camisa da seleção principal. Cheryshev, aliás, havia acumuldo uma inédita dobradinha. O problema de Cherchesov: o polêmico Hector Cuper, do Egito, enfim conseguiu confirmar a escalação do seu craque maior, o devidamente recuperado atacante Mohamed Salah.

Fahti, o desvio azarado, o gol da Rússia, 1 X 0
Fahti, o desvio azarado, o gol da Rússia, 1 X 0 Fahti, o desvio azarado, o gol da Rússia, 1 X 0

Graças a Salah o time dos “Faraós” arremessou o “frágil” no Rio Nilo. Na verdade, o Egito já havia equilibrado a sua partida de estréia contra o Uruguai, derrota por 1 X 0 com um gol da “Celeste” apenas aos 89’. Sim, adeus ao “frágil” mas saudações ao adjetivo “azarado”. Aos 47’, depois de um rebote da retaguarda, Zobnin tentou um chute de 25m, equivocadamente. A pelota rumava para a linha de fundo, longe da meta de Mohamed Elshenawy. Desafortunadamente, porém, o capitão Ahmed Fathi se intrometeu e desviou contra. Detalhe: o quinto contra em dezessete prélios desta competição. Pertinho do recorde da História da Copa, seis no torneio da França/98.

Cheryshev, Rússia 2 X 0
Cheryshev, Rússia 2 X 0 Cheryshev, Rússia 2 X 0

A infelicidade de Fathi contaminou o ânimo dos pupilos de Cuper. Logo depois, aos 59’, o brasileiro Mário Figueira Fernandes, nascido em São Caetano doSul/SP e naturalizado em 2016, justificaria o passaporte que ganhou, ele que, em 2011, quando Mano Menezes era o treinador do Brasil, se recusou a aceitar uma convocação. Numa linda investida, pelo flanco direito, Fernandes propiciou a Cheryshev se ombrear a Cristiano Ronaldo no topo da artilharia, ambos nos três tentos. Aos 62’, espetacularmente, com um drible de Futsal, Dzyuba fez 3 X 0 e dobrou seu butim nesta edição da Copa.

Salah, no chão: o pênalti e depois o gol
Salah, no chão: o pênalti e depois o gol Salah, no chão: o pênalti e depois o gol

Salah, todavia, merecia inscrever a sua presença no Livro de Ouro desta competição. Aos 72’, Zobnin o derrubou numa posição que obrigou o árbitro Enrique Cáceres, da Argentina, a recorrer ao VAR. Pênalti. E gol de Salah. Placar de 3 X 1, a Rússia com seis pontos, 8 tentos pró e 1 concedido, saldo de 7. Para conquistar a liderança do Grupo 1, nesta quarta, dia 20, o Uruguai necessitará de um sucesso por 6 X 0 contra a Arábia Saudita.

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