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Silvio Lancellotti Copa 2018
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CR7 na Juve, a fantasia dinástica da Família Agnelli em busca da CL

Andrea, filho de Umberto e sobrinho de Gianni, na Itália ganhou até o hepta inédito. Mas lhe falta a "Orelhuda", um sonho que agora pode se realizar.

Silvio Lancellotti|Do R7 e Sílvio Lancellotti

A capa do site oficial da Juventus
A capa do site oficial da Juventus A capa do site oficial da Juventus

E eis que madrugada dessas a bela Emma Winter acordou sobressaltada ao perceber que o seu marido Andrea não estava ao seu lado na cama. Levantou-se, viu que os dois filhos, Baya e Giacomo Dai, dormiam sossegados, e saiu a procurá-lo através da sua lindíssima propriedade numa das colinas vizinhas a Turim, no Piemonte da Itália. Encontrou Andrea no escritório, sentado à sua mesona de trabalho doméstico, a meditar solitário. Sem incomodá-lo, percebeu que o marido cofiava as barbas ralas e fitava, sem piscar, duas figuras emolduradas em porta-retratos de filigrana: Umberto e Gianni, respectivamente o pai e o tio de Andrea. Então, o marido se apercebeu da presença solidária da mulher, suspirou, suspirou e desabafou:

Andrea Agnelli
Andrea Agnelli Andrea Agnelli

“Eles conseguiram. Meu babbo e meu zio ganharam tudo aquilo a que se propuseram. Foram campeões do Calcio, da Champions League e até do Mundial Interclubes. E eu, por que razão, eu que cheguei ao recorde inacreditável de sete títulos consecutivos em meu país, não consigo levantar aquela taça a que todos chamam de ‘Orelhuda’?” Emma, lógico, não soube responder. Porém, de algum recanto do seu pensamento Andrea capturou a obviedade. Porque o pai e o tio dispuseram do melhor do planeta.

Umberto e o jovem Andrea
Umberto e o jovem Andrea Umberto e o jovem Andrea

Claro que a historieta que eu acabo de contar não passa de uma terna fantasia. Marido e mulher já não moram na mesma casa desde Abril. De todo modo, trata-se de uma fantasia baseada na verdade. Umberto e Gianni, pai e tio de Andrea, conquistaram tudo aquilo que se propuseram. Porque, além de um esquadrão formidável de atletas, além de excelentes treinadores e correlatos, além de uma extraordinária organização desde a base até o time de cima, dispuseram, digamos, do melhor do planeta.

Sivori, John Charles e Boniperti
Sivori, John Charles e Boniperti Sivori, John Charles e Boniperti

Bem, senão o melhor, um ou mais do que um dos principais talentos dos seus tempos de comando da agremiação. Os dinamarqueses John Hansen, Karl Hansen, Praest e Laudrup. O galês John Charles, O espanhol Del Sol. O argentino Omar Sívori. Os alemães Haller e Koehler. Os franceses Platini e Zidane. O polonês Zibi Boniek. O holandês Davids. O tcheco Nedved. E quando não havia estrangeiros no mercado, a Juve estruturou elencos nativos de magia, como aquele em que predominava Giampiero Boniperti, seu futuro presidente, e os que municiaram as seleções da Bota nas décadas de 70 e de 80: Dino Zoff, Gentile, Cuccuredu, Cabrini, Tardelli, Causio, Bettega, Benetti, Scirea, Paolo Rossi. Ou, mais recentemente, Roby Baggio e Del Piero.

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Baggio e Del Piero
Baggio e Del Piero Baggio e Del Piero

Neste Século XXI, por causa de um escândalo nas intermediações de arbitragens, a Juve chegou a perder dois de seus títulos (um, revogado; outro, entregue à Internazionale de Milão). Mas, humildemente, desceu à Série B e, com um certo Didier Deschamps como o seu treinador, reconquistou o direito de disputar a primeira divisão. A queda aconteceu em 2006. Depois do seu reacesso, na temporada de 2007/08, a agremiação de novo arrebatou um scudetto em 2011 e desde então não mais deixou o topo do pódio.

A celebração do Hexa
A celebração do Hexa A celebração do Hexa

Faltou, porém, a Champions. Em 2015 e 2017, quase, se limitou à vice colocação e a olhar por baixo os sucessos do Real Madrid. E que melhor vingança seria, claro, tirar dos “Merengues” o seu astro maior, Cristiano Ronaldo? Evidentemente, só a contratação do CR7 não significa a automática posse da “Orelhuda”. Mas, convenhamos, no mínimo, garante a continuidade dinástica do poder da Juve dentro do Calcio. Ou, da Itália dentro da Itália.

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Importante: a Família Agnelli comanda o futebol da Bota desde os anos 20 do século passado. Os seus rivais de Milão, o Milan e a Internazionale, hoje, estão nas mãos de estranhos bilionários do Oriente. A Lazio já sofreu com a falência e inclusive com a condenação judicial de proprietários. Manda na Roma um grupo ligado aos esportes típicos dos EUA, como o Beisebol. Na Itália, apenas o Nápoli, do clã De Laurentiis, permanece com as suas raizes financeiras em casa. Criticar a Juve por esbanjar na contratação do CR7 é estupidez.

O CR7, por CR7
O CR7, por CR7 O CR7, por CR7

Até porque, desde que a suspeita da contratação subiu à superfície, as ações da Juve na bolsa se valorizaram em mais de 50 milhões de Euro. Sem dizer que um simples pré-estoque de camisas zebradas com o nome e o número de Cristiano Ronaldo, 100.000 unidades, já se esgotou apenas por compras virtuais. E sem dizer que os direitos de transmissão dos prélios da “Velha Senhora”, agora rejuvenescida, fatalmente subirão à estratosfera.

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