Choque de realidade: a revolução de Cuca esbarra no abismo tático do Santos
A estreia entregou a intensidade exigida pela arquibancada, mas escancarou que a vontade de vencer, sem um ajuste fino, pode ser o caminho mais curto para o desastre
Blog do Fabiano Farah|Do R7
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O retorno de Cuca à Vila Belmiro foi, acima de tudo, um banho de cafeína em um paciente que parecia em coma. O Santos que entrou em campo nesta estreia não lembrava, nem de longe, a equipe letárgica das últimas semanas.
Houve pressa, houve suor e, finalmente, houve uma ideia clara das necessidades.
No entanto, o futebol de alto nível é um ecossistema frágil: quando se puxa o cobertor para aquecer os ombros (o ataque), os pés (a defesa) costumam ficar descobertos.
Cuca injetou o “caos planejado” que é sua marca registrada, mas o choque de realidade veio rápido. A revolução emocional é um ótimo ponto de partida, mas ela não corrige, por si só, o buraco tático que o Santos carrega na sua transição defensiva.
A Face do Otimismo
O Resgate do Ímpeto
Coragem nas Linhas: O Santos finalmente parou de “esperar” o adversário. A marcação alta sufocou a saída de bola rival, forçando erros e criando chances que nasceram da pura pressão física.
Verticalidade Sem Medo
O time abandonou o toque de bola protocolar. Com Cuca, a ordem é progredir. O aproveitamento dos corredores laterais deu ao Peixe uma profundidade que há muito não se via.
Gestão de Talentos
O treinador parece ter identificado rapidamente quem são os pilares criativos, dando liberdade para que os pontas flutuassem, confundindo a marcação em bloco.
O Abismo Tático e o Preço do Arriscar
O “Buraco” no Meio-Campo
Ao projetar os laterais e os volantes para o ataque, Cuca deixou um hiato perigoso entre a linha de defesa e o restante do time. Um convite ao contra-ataque que times organizados punirão com crueldade.
Descompactação
O time esticou demais. Em diversos momentos, a distância entre o último defensor e o centroavante passava dos 40 metros, tornando a recomposição uma tarefa hercúlea para atletas que ainda buscam o ápice físico.
A vulnerabilidade aérea
Velho fantasma da Vila, o posicionamento em bolas paradas e cruzamentos laterais continuou confuso, expondo uma falta de sincronia que nem o melhor discurso motivacional consegue resolver sem treino exaustivo.
A “Era Cuca” começou com a voltagem certa, mas o Santos precisa entender que intensidade sem inteligência posicional é apenas correria.
O técnico terá que provar que seu repertório vai além do “abafa” para evitar que o ímpeto da estreia se transforme em frustração tática nas próximas rodadas.
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