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Por que a reação de Neymar contra Nestor é compreensível

Entre o peso de um trauma histórico e os erros de campo, a revolta do camisa 10 diante do protocolo tem explicação

Arena Atual|Daniel RiveraOpens in new window

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Neymar durante partida contra o Bahia na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro
Neymar durante partida contra o Bahia na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro Mauricio De Souza/AGIF/Estadão Conteúdo - 24.10.2026

A polêmica envolvendo Neymar e Nestor deu o que falar no cenário esportivo, movimentando debates sobre fair play, arbitragem e os limites da rivalidade em campo.

O lance começou quando Neymar dominou a bola, sofreu a falta de Nestor e, no momento do contato, acabou recebendo uma leve joelhada nas costas. O que não foi comentado e pode gerar tudo isso.

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Mas vou falar primeiro da cronologia pós-lance.

A partir daí, a cronologia do jogo pegou fogo: o camisa 10 jogou a bola em Nestor, tentou dar a mão depois, mas teve o aperto de mãos negado.

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O cartão amarelo foi bem aplicado, embora seguido pela encenação de Nestor. No calor da confusão, Neymar ainda empurrou o técnico Rogério Ceni, momento em que poderia ter sido expulso.

Na saída de campo, Nestor declarou que foi insultado e que o Bahia havia sido menosprezado por Neymar.

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Na etapa complementar, a tensão continuou. Neymar seguiu azucrinando Nestor até fazer o gesto do protocolo Vini Jr.

Nestor indicou o ato, o árbitro revisou no VAR e expulsou Neymar. O craque ficou indignado, foi para cima de Nestor e, contido por companheiros e rivais, foi afastado em direção ao vestiário — não sem antes disparar que “ia pegar o Nestor” e que a expulsão era um “absurdo”.

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Em vídeo publicado posteriormente, Neymar argumentou que ambos os atletas defendem seus clubes, mas criticou o uso do protocolo, afirmando que ele é voltado para casos de racismo e que sua utilização por Nestor foi imoral e simulada.

Vale lembrar que o protocolo também abrange outras formas de preconceito e discriminação, como homofobia e ofensas graves, episódios que infelizmente rolam nos gramados a todo momento, muitas vezes sem que os jogadores sequer coloquem a mão na boca.

A incoerência dos atos: defender ou prejudicar o clube?

Convenhamos, o discurso do jogador teve sua dose de incoerência. Se por um lado ele alegava defender o clube, por outro acabou prejudicando a equipe de forma drástica:

  • Simulou uma falta na entrada da área que gerou o gol do Bahia;
  • Prejudicou o time ao tomar o cartão amarelo por jogar a bola em Nestor, ficando de fora do jogo contra o Palmeiras;
  • Foi expulso e agora desfalcará o Santos por dois jogos.

Isso definitivamente não é fazer tudo pelo clube, mas sim prejudicá-lo em momentos cruciais.

O detalhe que ninguém comentou: a memória do trauma

Apesar desses deslizes, este post vem para chamar a atenção a um detalhe que passou despercebido pela maioria dos comentaristas: a joelhada nas costas.

Muitos atletas que sofrem lesões sérias carregam marcas profundas na memória corporal e emocional. Neymar sentiu isso na pele na Copa do Mundo de 2014, quando sofreu uma fratura na vértebra após uma joelhada criminosa de Zuniga.

Diante disso, a reação de Neymar se torna compreensível. Por mais impensável que pareça à primeira vista, um impacto na mesma região do corpo remete diretamente a um trauma gravíssimo que quase encerrou sua carreira precoce.

Esse fenômeno psicológico e físico não é exclusivo dele. Grandes astros do esporte mundial já relataram o impacto devastador que a memória de uma lesão causa no comportamento dentro de campo.

O ex-jogador de basquete Paul George, estrela da NBA, sofreu uma fratura exposta terrível na perna durante um treino da seleção americana em 2014. Anos após sua recuperação, ele declarou abertamente:

“O desafio mental é muito maior que o físico. Toda vez que alguém cai perto da minha perna ou há um contato mais forte naquela área, meu corpo trava e o cérebro revive o trauma instantaneamente. É um reflexo involuntário de autopreservação.”

No esporte de alto rendimento, relatos como o de Paul George mostram que atletas que passaram por traumas graves desenvolvem reações instintivas de pânico ou agressividade defensiva ao sofrerem entradas nas mesmas áreas afetadas.

O corpo lembra, o cérebro reage por sobrevivência, e o lado psicológico fala mais alto antes mesmo que a razão consiga ponderar a situação.

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