Palmeiras e a incrível arte de perder gols
Apesar da vitória na Libertadores, o ataque de R$ 100 milhões do Verdão enfrenta uma queda brusca de pontaria que preocupa dentro e fora de casa

Mesmo com o resultado positivo contra a LDU no jogo de ida pela Copa Libertadores da América, o torcedor alviverde saiu de campo com uma sensação incômoda e familiar. O Palmeiras, mais uma vez, sofreu para transformar seu volume ofensivo em redes balançando.
Esse travamento na hora do arremate não é de hoje: desde o retorno da pausa para a Copa, a equipe demonstra uma dificuldade quase crônica em converter suas oportunidades.
Conforme analisado anteriormente em publicação do Blog Arena Atual, o problema central do time de Abel Ferreira não está na articulação das jogadas, mas sim no momento do chute final. Como foi examinado nos confrontos recentes no Nubank Parque — excluindo partidas atípicas (como a goleada sobre o Fortaleza na Copa do Brasil) e jogos como visitante —, os números mostram com clareza o descompasso entre criação e conversão:
A baixa eficiência fica evidente ao analisar o desempenho do clube jogo a jogo. Contra o Cerro Porteño, o Palmeiras precisou de 21 finalizações e 7 chutes no alvo para balançar a rede apenas uma vez.
A situação foi ainda pior diante do Internacional, partida em que a equipe tentou 22 arremates (3 na direção do gol) e saiu de campo sem marcar.
Já no confronto com o Atlético Mineiro, o alto volume de 21 finalizações e 6 chutes certos resultou em somente um gol. Por fim, encarando a Chapecoense, foram 13 tentativas — sendo 4 no alvo — para conseguir comemorar apenas um tento.
O saldo dessa amostragem é alarmante: em 77 finalizações tentadas nesses quatro jogos, 20 foram no alvo, resultando em apenas 3 gols marcados.
Depois dessa sequência, o Verdão venceu e marcou gols em casa. Frente ao Vasco, na vitória por 4 a 1, e o Santos, por 3 a 0. Graças a Flaco López, que em ambas partidas abriu o marcador para as goleadas.
Porém, a situação atual conseguiu ficar ainda mais delicada. O fantasma da baixa eficiência deixou de ser um problema exclusivo das partidas diante da sua torcida e começou a assombrar também as atuações como visitante.
Nos últimos três jogos fora de casa, o Verdão marcou apenas dois gols, registrando uma média tímida de 0,66 por partida. Para balançar as redes duas vezes, foram necessários 9 chutes diretos no alvo — o que significa que o ataque precisa acertar a meta quase 5 vezes para conseguir comemorar um único gol.
Na temporada completa, o Palmeiras ostenta 90 gols em 53 jogos, o que gera uma média de 1,79 por partida (ou 1,69 ao isolar os últimos quatro confrontos). Esse recorte recente escancara uma queda severa de rendimento de um setor altamente valorizado.
De acordo com dados do portal especializado Transfermarkt, o setor ofensivo palmeirense está avaliado em cerca de 100 milhões de reais, impulsionado por um trio de destaque que vive momentos distintos:
Vitor Roque: foi fundamental ao gerar a jogada do primeiro gol contra a LDU e fez uma boa partida, mas segue numa incômoda falta de gols.
Jhon Arias: teve um início animador com a camisa alviverde, mas também atravessa um momento de oscilação e dificuldades para definir.
Flaco López: é o único que vem salvando o setor. O atacante argentino se consolidou como o grande pilar do ataque e ostenta a artilharia do clube na temporada com 21 gols.
Para seguir firme no sonho da Libertadores e na busca por títulos no restante do ano, o Palmeiras precisa recalibrar urgentemente a pontaria. Criar chances com frequência é uma virtude, mas desperdiçar tanto volume em jogos decisivos é um risco que o Verdão não pode continuar correndo.
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