'O Cruzeiro é a minha vida', disse torcedora três dias antes de morrer

Dona Salomé morreu aos 86 anos, em BH, após passar mal na partida que decretou o rebaixamento do time mineiro pela primeira vez na história

Dona Salomé levava bonecos ao estádio nos jogos

Dona Salomé levava bonecos ao estádio nos jogos

Divulgação / Cruzeiro Esporte Clube

Faltavam dois dias para o jogo que iria rebaixar o Cruzeiro para a série B do Brasileirão pela primeira vez na história e a torcedora-símbolo Maria Salomé da Silva, de 86 anos, estava confiante.

— Tenho fé que o nosso Cruzeiro não vai cair. Eu confio demais neste time. O Cruzeiro é a minha vida.

Mesmo sentido dores de uma queda que teve no início da semana, Dona Salomé, como é conhecida no meio esportivo, contou ao R7 na tarde da última sexta-feira (6) que não iria perder a partida contra o Palmeiras, no domingo (8). A idosa, que é considerada um ícone entre os torcedores do clube, só não imaginava que suas previsões não seriam concretizadas e que aquele seria o último jogo de sua vida.

Após o fim da partida que decretou a queda do Cruzeiro, Dona Salomé se sentiu mal e precisou ser atendida pelo resgate ainda dentro do estádio Mineirão. De acordo com Roberto da Silva, filho único da idosa, ela foi transferida para um hospital de Belo Horizonte ainda no dia do jogo e morreu no final da noite desta segunda-feira (9).

Sílvia conheceu Dona Salomé durante uma partida do time

Sílvia conheceu Dona Salomé durante uma partida do time

Crédito: Imagem cedida / Silvia Carvalho

A torcedora sempre era vista nos estádios com o uniforme azul e raposas de pelúcia nas mãos. A dona de casa Sílvia Marques Carvalho, de 67 anos, lembra que conheceu Dona Salomé durante uma partida disputada no Mineirão há 25 anos. Depois disso, foram inúmeros os jogos que elas acompanharam juntas.

— Salomé não virou estrela. Ela é uma estrela que foi enfeitar o céu. Jamais conheci uma pessoa tão boa quanto ela.

A relação com o clube mineiro ia além da paixão de torcedora. Dele, Maria Salomé também tirava o sustento, trabalhando como faxineira em uma das unidades do Cruzeiro, no bairro Barro Preto, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Na última entrevista ao R7, Dona Salomé revelou o que sentia em relação ao trabalho.

— Eu tenho o maior prazer em trabalhar no Cruzeiro há 26 anos. Você pode olhar lá que o meu chão é o mais limpo. Você não encontra nenhuma sujeira.

Antes de finalizar a conversa com a equipe de reportagem, a torcedora destacou a alegria que sentiu com a ligação telefônica, já que estava se sentindo “esquecida pelo pessoal da imprensa”. As últimas palavras foram de despedida, sem saber que não iria aproveitar as festas de final de ano.

— Fiquei feliz demais. Muito obrigado. Feliz Natal e feliz Ano Novo para vocês!

O Cruzeiro emitiu nota lamentando a morte de Dona Salomé nesta manhã. As fotos de perfil do clube nas redes sociais foram alteradas para imagens da torcedora-símbolo, em homenagem.

O clube divulgou que o velório acontece nesta quarta-feira (11), entre 7h e 16h no Ginásio Poliesportivo do Riacho, em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. O cortejo sairá às 15h30, rumo ao cemitério e crematório Belo Vale, onde será cremado.

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