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BRASILEIRO 2022

Treinador português encanta Araraquara no Paulistão

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O técnico português Sergio Vieira é uma figura rara no futebol brasileiro. É o único treinador europeu nos 20 clubes da elite de São Paulo e um dos poucos no Brasil - além dele, apenas o italiano Amedeo Mangone se arrisca no Gama. É o técnico mais jovem de São Paulo, com 33 anos. E também se diferencia pela formação. Ele tem o diploma de Treino Desportivo de Alto Rendimento de Futebol, obtido em Portugal, além das certificações obrigatórias da Uefa. Para ser técnico em Portugal, são necessárias mais de 800 horas em uma sala de aula. Ele é um estudioso da bola.

Todos esses diferenciais começaram a dar as caras dentro de campo no empate entre Ferroviária e Corinthians, por 2 a 2, no último domingo. Cumprimentado pelo técnico Tite após o jogo pela organização tática da sua equipe, Sergio já conquistou a admiração da torcida de Araraquara com apenas cinco rodadas do Campeonato Paulista.


Depois de 19 anos fora da elite do Campeonato Estadual, o time faz boa campanha no Grupo C, o mesmo do São Paulo. A meta de se salvar do rebaixamento está bem encaminhada. O time soma uma derrota, um empate e três vitórias - todas com qualidade, como faz questão de salientar, e busca uma vaga na Série D nacional.

"Até hoje pouquíssimos treinadores portugueses fizeram sucesso no Brasil. Nossos mercados principais eram Ásia e África. Recentemente, conquistamos respeito também no futebol da Europa", explica Francisco Silveira Ramos, diretor técnico da Federação Portuguesa de Futebol.


Neste sentido, Sergio Vieira se sente um desbravador. Inspirado pelo sucesso de José Mourinho, abandonou uma carreira mediana de atacante aos 21 anos para tentar ser um técnico da elite. Durante dez anos, foi auxiliar técnico em diversos clubes de Portugal. Chegou ao Brasil no ano passado para trabalhar no sub-23 do Atlético-PR, passou pelo Guaratinguetá e, a partir de uma parceria com a Ferroviária, está na elite paulista. Depois de um ano vivendo sozinho no CT do clube paranaense, conseguiu trazer a mulher e a filha neste mês.

O cenário está tranquilo e favorável para realizar seu plano ambicioso: ser o primeiro treinador português a fazer sucesso no futebol brasileiro. "Quero deixar um legado de conquistas no Brasil", explica.


Sergio não inventou a roda em Araraquara. O que a Ferroviária faz com frequência e organização já está na cartilha dos grandes técnicos, como a marcação na saída de bola do adversário e a presença de zagueiros e volantes que sabem o que fazer com a bola. A diferença é fazer isso todo o tempo, criando um estilo de jogo. "É questão de estímulo e treinamento. Os primeiros a atacar são os zagueiros. Por outro lado, os primeiros a defender são os atacantes", explica.

Também existem outras diferenças. "A gente percebe que ele está mais preocupado com o jogo coletivo. O individual fica em segundo plano, como faz o Tite", explica José Manuel, diretor de futebol da Ferroviária. Sergio também avalia que é preciso querer ganhar o jogo. "Fizemos um grande jogo contra o Corinthians porque o adversário saiu para jogar. Quando os times se fecham, a partida não flui", explica.

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