Temperamental e paizão, Ferretti abre mão de salários na seleção mexicana
Mais Esportes|Do R7
Gustavo Borges. Cidade do México, 21 ago (EFE).- Ricardo Ferretti, brasileiro absolutamente adaptado ao México, onde vive e trabalha desde 1977, ganhou a confiança da federação local para comandar interinamente a seleção campeã das Américas Central e do Norte. Tuca, como é conhecido, foi atacante de Botafogo, Vasco e Bonsucesso. A chegada ao México aconteceu através do Atlas, clube de Guadalajara que o contratou. Depois, passou por Pumas, Coyotes Neza, Monterrey, Toluca e retornou para o Pumas, onde encerrou a carreira nos gramados. Em seguida, ele iniciou a carreira de técnico no banco de reservas da equipe que defendeu por duas oportunidades, exercendo a função de 1991 até 1996, sem conquistar um título sequer. O primeiro troféu veio em 1997, já no Chivas Guadalajara. Tigres, Toluca, Morelia, Tigres outra vez, Pumas em nova oportunidade, e desde 2010, a equipe de Nuevo León em terceira passagem, foram os clubes seguintes do brasileiro. No Toluca, Ferretti conquistou o maior título por clubes na Copa dos Campeões da Concacaf (atualmente, Liga dos Campeões). Neste ano, com o Tigres, o treinador terminou a Taça Libertadores como vice, derrotado pelo River Plate na decisão. Um fato insólito - ainda mais se for feita uma comparação com o cenário dos clubes brasileiros - é que, desde que iniciou a carreira de treinador, Ferretti jamais foi demitido, saindo dos clubes apenas quando optou por mudar de ares. Desde a queda de Miguel Herrera da seleção, depois do título da Copa Ouro, o nome do brasileiro aparecia como um dos possíveis sucessores. Os argentinos Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli, o mexicano Ricardo La Volpe e o colombiano Juan Carlos Osório seriam alguns dos concorrentes. Escolhido para comandar a 'Tri' de maneira interina, nos amistosos contra Trinidad e Tobago, em 4 de setembro, e Argentina, quatro dias depois, Ferretti ainda será o comandante da seleção mexicana no duelo contra os Estados Unidos, dia 10 de outubro, na decisão da vaga da Concacaf na Copa das Confederações de 2017. O brasileiro não deixará o Tigres durante o período, e talvez por isso tenha decidido abrir mão de qualquer remuneração pelo trabalho na equipe nacional. Segundo a imprensa do país, se trata de uma maneira de ganhar moral para não ser questionado e não ter que ficar limitado a qualquer regra. O técnico é conhecido por ter personalidade forte, mas seus próprios comandados o defendem, justificando que se trata de uma pessoa honesta, que olha nos olhos quando fala, e que quando está diante de jornalista procura discutir fatos mais relevantes do que boatos e especulações. No comando da 'Tri', Miguel Herrera era critidado pelas constantes aparições na televisão, inclusive para participar de peças publicitárias, e pelas constantes reclamações com árbitros. Tuca Ferretti é o oposto disso, atuando com mais descrição e impondo uma disciplina quase militar nos times que comanda. O brasileiro é famoso por seus ataques de raiva durante treinamentos, que quase sempre vão parar nos programas esportivos e viralizam nas redes sociais. Minutos depois, na mesma atividade em que é tomado pela cólera, dirige palavras carinhosas aos atletas, que o consideram um pai. A passagem pela seleção mexicana, contudo, não é a primeira para Ferretti, que comandou o time B em 1993, enquanto o "titular" Miguel Mejía Barón comandava o elenco que disputava a Copa América. Então técnico do Pumas, o brasileiro esteve no banco de reservas nas vitórias sobre a Costa Rica por 2 a 0 e Widzew Lodz, da Polônia, por 2 a 1. Depois, com a base que montou e alguns dos atletas do time A, "devolveu" o comando da 'Tri' para o treinador principal. EFE gb/bg (foto)















