Seleção alemã conquista brasileiros, antes de levantar taça do tetra mundial
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Bruno Guedes. Redação Central, 23 dez (EFE).- Em terras brasileiras, quem mostrou mais jogo de cintura foi a Alemanha, que venceu longos deslocamentos, enfrentou o calor sem reclamar, se adaptou muito bem ao país, passou por cima dos adversários - com direito a acachapante 7 a 1 sobre os anfitriões - e conquistou a Copa do Mundo pela primeira vez em 24 anos. A 'Mannschaft' chegou ao tetracampeonato no Brasil graças a um futebol eficiente e ofensivo, mas também pela organização para a campanha. A delegação alemã se instalou em Santa Cruz de Cabrália, em um complexo hoteleiro na Bahia. Se as acomodações eram isoladas da agitação urbana, os "frios" europeus trataram de se aproximar da população que os cercava. Pediram desculpas pelo transtorno que causavam, com vias fechadas, visitaram escolas, festejaram vitórias do Brasil com torcedores. No fim, ganharam o coração de um país inteiro. Viraram febre e fizeram da seleção alemã o segundo time dos donos da casa. No campo, o desempenho esteve à altura, começando a campanha com goleada sobre Portugal por 4 a 0, no grupo G. O empate com Gana e a vitória sobre os Estados Unidos valeram a liderança da chave. Depois veio o sofrido triunfo sobre a Argélia, na prorrogação, e a classificação diante da França. Nas semifinais, no Mineirão, veio o grande resultado dos alemães, o fatídico 7 a 1 sobre a seleção de Felipão. Como se não bastasse o resultado, declarações de jogadores deram a entender que depois de abrir 5 a 0 na primeira etapa, houve um pacto para não ampliar ainda mais a catástrofe para os brasileiros. Além de carismáticos, ganhavam assim a fama de piedosos. Na decisão, em jogo duro com a Argentina, em que a marcação se sobressaiu a técnica, a Alemanha só conseguiu balançar a rede aos 8 minutos do segundo tempo da prorrogação, com o meia-atacante Mario Götze. Os torcedores alemães no Maracanã entraram em êxtase e ficaram nas arquibancadas até o último atleta sair de campo, o que aconteceu mais de uma hora após o apito final. O título colocou o futebol alemão, que já vinha vivendo período de alta entre clubes, com Bayern de Munique e Borussia Dortmund, no topo do mundo, sucedendo a Espanha, que aliás, deu vexame, caindo na primeira fase, com uma rodada de antecipação. Depois da Copa, o técnico Joachim Löw foi mantido, mas perdeu peças importantes como Phillip Lahm, Per Mertesacker e Miroslav Klose. Novidades como o goleiro Ron-Robert Zieler, o zagueiro Antonio Rüdiger, o meia-atacante Karim Bellarabi, entre outros, ganharam espaço. Nos resultados, a seleção alemã mostrou instabilidade, perdendo amistoso para a Argentina, caindo diante da Polônia pelas Eliminatórias para a Eurocopa de 2016 e empatando em casa com a Irlanda, pela mesma competição. Nada, no entanto, para preocupar os felizes campeões do mundo. A 'Albiceleste', que terminou em alta a Copa após início de mau futebol, enfim viu Lionel Messi se apresentar em grande estilo, com os quatro gols marcados, que o deixaram na terceira colocação na classificação de artilheiros, ao lado de Neymar e o holandês Robin Van Persie, e atrás do colombiano James Rodríguez, que fez seis gols, e do alemão Thomas Müller, que balançou as redes cinco vezes. Outros destaques do Mundial foram a Holanda, principalmente pela goleada sobre a Espanha por 5 a 1, que abriu a campanha que resultou na terceira colocação do Mundial, e também a Colômbia, uma das referências em futebol bem jogado no torneio e quinta colocada, além da Costa Rica, que superou "grupo da morte" com Uruguai, Itália e Inglaterra, e só caiu nas quartas de final diante dos holandeses. Italianos, ingleses, além de espanhóis foram as principais decepções da competição, assim como a queda precoce de Cristiano Ronaldo com Portugal. O craque chegou ao Brasil com condições físicas abaixo do ideal, devido a lesão sofrida no fim da temporada. Lutou muito, mas não conseguiu fazer mais do que um gol. Além da Copa do Mundo, as seleções europeias começaram a disputa do torneio classificatório para a Euro de 2016, que terá 24 participantes pela primeira vez e acontecerá na França. Em quatro rodadas, algumas surpresas são Holanda e Rússia na zona de repescagem, Bélgica virtualmente fora, e Islândia, Israel, Eslováquia e Irlanda do Norte ocupando posições que valeriam vaga. No fim deste ano, ainda foi sorteado o chaveamento da próxima edição da Copa América, que acontecerá no ano que vem, no Chile. O Brasil está no grupo C, ao lado de Colômbia, Peru e Venezuela. Os anfitriões estão no A, com Bolívia, Equador e México. Já o grupo B é o mais complicado, com Argentina, Jamaica, Paraguai e Uruguai. A competição sul-americana será disputada entre 11 de junho e 4 de julho, um anos antes da Copa América Centenário, que acontecerá em 2016, nos Estados Unidos, com 16 seleções, um recorde. A edição especial marcará os 100 anos da disputa. Na África, o futebol ficou ofuscado pela epidemia de ebola, que provocou mais de 6,3 mil mortes até o início de dezembro. A próxima edição da competição de seleções do continente, a Copa Africana de Nações, teve sede trocada. O Marrocos desistiu de ser sede, temendo que a doença chegasse ao país, que não registrou casos da doença em 2014. Com isso, a seleção do país acabou excluída da disputa, e foi substituída por Guiné Equatorial, que ainda ganhou o direito de receber a Copa. Curiosamente, a equipe da antiga colônia espanhola havia sido desclassificada das Eliminatórias para a competição por ter utilizado um jogador irregularmente. A Copa Africana de Nações, que terá 16 participantes, acontecerá entre 17 de janeiro e 8 de fevereiro do próximo ano. EFE bg/id





