Rival do São Paulo na semi, Atlético Nacional tem passado de glórias e mistério
Mais Esportes|Do R7
O adversário do São Paulo na semifinal da Copa Libertadores guarda um passado ganhador e misterioso na competição. O Atlético Nacional foi o primeiro time colombiano a ganhar o torneio, em 1989, período em que o clube e o país vivenciavam o temor de estar sob o auge do domínio do narcotraficante Pablo Escobar. O criminoso, morto em 1993, morava em Medellín e gostava de futebol. A relação com o bandido até hoje incomoda os habitantes da cidade e quem tem relação com a equipe.
"Eu vivi aquela época, sei o que se passou. Todo o que dizem não passa de histórias. Se fosse do jeito que falam, nós não teríamos nos esforçado para trabalhar", afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo o técnico da equipe de 1987 a 1990, o colombiano Francisco Maturana.
A ligação entre o clube de maior torcida da Colômbia e o principal traficante do mundo está relatada também no livro escrito por Juan Pablo Escobar, filho do criminoso. Em Pablo Escobar: Meu pai, o autor relata a visita de jogadores de futebol em sua casa para festas.
O cineasta Michael Zilberstain lançou em 2010 um documentário sobre o tema. Em Dois Escobares, o norte-americano colheu depoimentos com ex-jogadores e autoridades para investigar a relação entre a violência no país causada pelo tráfico comandado por Pablo Escobar e a morte de Andrés Escobar, defensor do Atlético Nacional e da seleção colombiana assassinado após marcar gol contra na Copa do Mundo de 1994. "O futebol não era apenas o esporte que os traficantes gostavam, mas sim o que dava mais oportunidades para lavar dinheiro", comentou.
Segundo o cineasta, a aproximação de Pablo Escobar com o futebol se deu em resposta ao cartel de Cali, rival do grupo de Medellín na comercialização de drogas. O América de Cali é suspeito de ser o primeiro a receber dinheiro do tráfico, apoio decisivo para disputar três finais seguidas de Libertadores.
O temor do vínculo entre o Atlético Nacional e o tráfico forçou o Vasco a pedir na Libertadores de 1990 o cancelamento de um jogo contra o time colombiano, em Medellín. "Tinha caras com metralhadora no vestiário, tinha cartel de Medellín no meio", contou o presidente do Vasco, Eurico Miranda, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo em 2014. A partida teve de ser jogada novamente, mas no Chile.












