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Quem é Julio Mamute, influenciador de 200 kg que participa de corridas pelo mundo

Pernambucano transformou a própria jornada contra a obesidade em fonte de inspiração para milhões de pessoas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Júlio Mamute, influenciador de 200 kg, inspira milhões com sua jornada de emagrecimento e superação.
  • Ele perdeu mais de 100 kg sem cirurgia bariátrica, focando em mudanças de hábitos e atividades aquáticas.
  • A participação em maratonas internacionais, como a da Europa, simboliza sua determinação e resiliência.
  • Júlio documenta sua luta contra a compulsão alimentar e promete doar alimentos conforme perde peso, reforçando seu compromisso social.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Júlio Mamute completa prova em Aveiro, Portugal Reprodução/Instagram/@mamuteofficial

A cena sintetiza uma transformação iniciada muito antes das corridas internacionais. Aos 35 anos, Júlio se tornou um dos rostos mais conhecidos do país na luta contra a obesidade severa. Depois de ultrapassar os 300 quilos, ele já eliminou mais de 100 quilos sem recorrer à cirurgia bariátrica, apostando em natação, fisioterapia, musculação, alimentação controlada e acompanhamento terapêutico.


Mais do que a perda de peso, o que atrai a atenção do público é a dimensão humana da história. Júlio transformou um processo íntimo e doloroso em um relato público de superação, documentando cada etapa em vídeos marcados por sinceridade, bom humor e vulnerabilidade.

O influenciador começou a engordar ainda na adolescência, por volta dos 11 ou 12 anos. Segundo ele, não houve um fator isolado ou trauma específico que explicasse a obesidade. O ganho de peso ocorreu gradualmente, impulsionado por rotinas desorganizadas, noites sem dormir, alimentação descontrolada e uma relação cada vez mais compulsiva com o açúcar.


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Em entrevistas, Júlio descreve esse processo como um afundamento lento. Para ele, chega um momento em que comer deixa de ser uma escolha racional e passa a funcionar como um vício, em que o corpo e a mente parecem perder o controle.

Durante a pandemia de Covid-19, o quadro atingiu o ápice. Morando em Recife, a poucos metros da praia de Boa Viagem, ele se isolou completamente. Evitava abrir a janela e limitava a vida ao interior do quarto. Nesse período, chegou a pesar entre 288 e mais de 300 quilos.


As limitações físicas passaram a comprometer sua autonomia. Entrar e sair do carro exigia esforço extremo. Em alguns momentos, precisou usar muletas. Tarefas simples, como caminhar ou abrir uma porta, tornaram-se desafios diários. Em certas ocasiões, dependia da ajuda de outras pessoas para realizar atividades básicas.

Virada de chave

Um episódio envolvendo a família se tornou decisivo. No dia em que seu primeiro sobrinho nasceu, coincidindo com seu aniversário, Júlio comprou um presente, mas não conseguiu sair de casa para entregá-lo. Precisou pedir que a irmã buscasse o brinquedo. A situação o fez refletir sobre o futuro.


Foi nesse momento que surgiu uma pergunta que mudaria sua vida: como poderia brincar com um filho se mal conseguia cuidar de si mesmo? O desejo de ter filhos, acompanhar o crescimento da família e, um dia, conhecer os próprios netos tornou-se uma poderosa motivação.

Antes de encontrar um caminho sustentável, Júlio tentou praticamente todas as alternativas disponíveis. Utilizou medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. Em 2021, colocou um balão gástrico, mas continuou ganhando peso. O dispositivo se rompeu e precisou ser removido em caráter de urgência.

As experiências frustradas reforçaram sua convicção de que o problema não poderia ser resolvido apenas com ferramentas externas. Por isso, descartou a cirurgia bariátrica como solução imediata. Seu objetivo passou a ser a mudança definitiva de hábitos e o tratamento da compulsão alimentar.

Natação como recomeço

Sem condições de iniciar atividades de impacto, Júlio encontrou na água um recomeço possível. Primeiro tentou hidroginástica e depois se apaixonou pela natação. Na piscina, conseguiu se movimentar sem dor e com menor sobrecarga nas articulações.

Ele atribui à natação a perda dos primeiros 90 a 100 quilos. Posteriormente, incorporou musculação, caminhadas e fisioterapia, sempre com acompanhamento médico e respeito aos limites do próprio corpo.

A jornada, no entanto, não foi linear. Em 2024, após a morte do pai, Júlio voltou a ganhar peso e enfrentou um período de autossabotagem. Mesmo assim, retomou o processo e seguiu em frente.

Influenciador digital de emagrecimento

Em janeiro de 2025, incentivado por amigos, decidiu compartilhar sua rotina nas redes sociais. O crescimento foi rápido. Em poucos meses, os vídeos acumulavam dezenas de milhões de visualizações. Hoje, ele reúne cerca de 3 a 4 milhões de seguidores.

Nos conteúdos, Júlio mostra treinos, refeições, dificuldades e reflexões sobre compulsão alimentar. A frase “Eu quero viver” tornou-se uma espécie de lema pessoal e um resumo de seu propósito.

A exposição pública ampliou o alcance de sua mensagem, mas, como ele próprio ressalta, não substitui o esforço cotidiano. “Internet não emagrece ninguém”, costuma dizer.

Outro gesto que marcou sua trajetória é a promessa de doar dez vezes mais alimentos do que cada quilo perdido. Com dezenas de quilos eliminados, a iniciativa já representa centenas de quilos de comida destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Participação na São Silvestre

O interesse pelas corridas surgiu quando o emagrecimento já havia avançado. A participação na Corrida Internacional de São Silvestre, em dezembro de 2025, foi um divisor de águas. Mesmo sem correr a maior parte do percurso, ele completou os 15 quilômetros após mais de seis horas.

No quilômetro 7,5, pensou em desistir. Exausto e com fortes dores nos pés, chegou a se deitar no asfalto. Um vídeo enviado pelo sobrinho lhe deu forças para continuar. Nos metros finais, conseguiu trotar e cruzou a linha de chegada quando o pórtico já estava sendo desmontado.

A experiência aumentou sua confiança e abriu portas para novos desafios. Em 2026, Júlio passou a participar de provas nacionais e internacionais, como a Maratona da Europa, em Portugal, e a Maratona Internacional de Mendoza, na Argentina.

Seu calendário incluiu ainda etapas em Santiago, no Chile, Rio de Janeiro, Phuket, na Tailândia, e Tromsø, na Noruega. Em menos de 60 dias, ele se propôs a enfrentar seis maratonas ao redor do mundo.

Júlio faz questão de explicar que não se considera maratonista no sentido convencional. Durante as provas, ele caminha, usa bengala, faz pausas e respeita seu próprio ritmo. O objetivo não é competir, mas provar que é possível avançar mesmo diante de limitações extremas.

A preparação exige cuidados constantes. Antes de viajar a Portugal, por exemplo, precisou descer 21 andares de escada após uma queda de energia em um prédio no Recife. O esforço levou-o ao ortopedista, onde realizou um procedimento com ácido hialurônico no joelho para reforçar a articulação.

Em Aveiro, viveu um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória. Enquanto gravava um vídeo comparando a cidade portuguesa ao Recife, foi surpreendido por um conterrâneo que o reconheceu e o abraçou emocionado, em lágrimas.

Situações como essa reforçam a dimensão coletiva de sua jornada. Júlio acredita que sua luta pode incentivar não apenas quem deseja emagrecer, mas qualquer pessoa em busca de coragem para enfrentar desafios pessoais.

Sua visão sobre o processo envolve três pilares inseparáveis: mente, corpo e espiritualidade. Para ele, a obesidade não se combate apenas com dieta ou exercício, mas com uma reconstrução profunda da relação consigo mesmo.

Mesmo após perder mais de 100 quilos, Júlio reconhece que a compulsão alimentar continua presente. Alguns dias são de vitória; outros, de dificuldade. A diferença, segundo ele, é a disposição para seguir adiante.

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