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Documentário revela como foi construído o mito Lance Armstrong

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Por Mary Milliken

LOS ANGELES, 8 Nov (Reuters) - O cineasta Alex Gibney não estava sozinho ao ser enganado por Lance Armstrong e suas estridentes negativas sobe o uso de doping.

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Mas Gibney, como documentarista ganhador do Oscar, estava em posição privilegiada, já que havia começado a fazer um filme que descrevia como "alto astral" mostrando a vitoriosa retomada da carreira do ciclista, na Volta da França de 2009, após se curar de um câncer de testículo.

Conhecido por abordar assuntos duros, como a tortura na guerra e a queda da empresa energética Enron, Gibney poderia ter adotado uma abordagem mais leve num tema comum para ele - o sucesso a qualquer custo.

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O filme alto-astral foi abandonado quando as suspeitas de doping contra Armstrong ganharam força. Uma investigação federal foi realizada, a Agência Antidoping dos EUA concluiu que Armstrong operou uma grande rede de distribuição de substâncias proibidas, e ele teve todos os seus títulos esportivos cassados.

Quando neste ano Armstrong finalmente admitiu o uso de doping, em entrevista à apresentadora Oprah Winfrey, o filme foi retomado, resultando em uma abordagem muito diferente. "The Armstrong Lie" ("A mentira Armstrong") estreia na sexta-feira nos Estados Unidos.

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Gibney sabia que, ao refazer o documentário, acabaria por se transformar em um personagem importante. "A história agora era sobre o processo da construção do mito de Lance", disse Gibney à Reuters. "Essa foi uma mentira que estava escondida à vista de todos, porque Lance era o seu curador, e um curador muito cuidadoso com o seu próprio mito."

Cerca de um mês antes da entrevista com Oprah, Armstrong ligou para Gibney e lhe disse que havia mentido, pelo que pediu desculpas. Horas depois da entrevista agora famosa, ele voltou a se sentar com o cineasta e lhe falou sobre como foi viver "uma grande" mentira. E é assim que o filme começa, com um desconfortável Armstrong falando de um jeito balbuciante, sem jamais se explicar propriamente sobre aquele que foi um dos maiores escândalos da história do esporte.

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Gibney, no entanto, consegue fazer um bom uso do material do seu projeto original, que deveria se chamar "O Caminho de Volta". Isso leva o espectador a acompanhá-lo na Volta da França de 2009, quando o cineasta teve acesso total ao ciclista, que por sua vez ficaria com parte da renda do filme.

Gibney chegou a entrevistar o médico italiano que, segundo críticos de Armstrong, foi o mentor por trás do uso de doping que permitiu ao ciclista ter uma carreira tão vitoriosa depois de sobreviver a um câncer.

"Acho que aquilo era parte do plano para aquele ano, que era: ‘Olhem para nós, estamos absolutamente limpos, não temos nada a esconder'", disse Gibney, que admitiu ter torcido muito por Armstrong naquela competição.

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