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Quem é a mulher que quebrou recorde ao correr ultramaratonas durante mais de 2 anos

Quando decidiu iniciar a tentativa, Shannon-Leigh Litt tinha meta de chegar apenas aos 250 dias

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  • Shannon-Leigh Litt, da Nova Zelândia, quebrou o recorde mundial ao correr uma ultramaratona por dia durante mil dias consecutivos.
  • Inicialmente, seu objetivo era superar 200 dias, mas ela conseguiu estender o desafio para mais de dois anos e nove meses.
  • A rotina desafiadora incluiu conciliar corridas de até oito horas com seu trabalho como advogada de defesa criminal.
  • Apesar das dificuldades, Shannon destacou a importância da perseverança e o apoio da comunidade de corredores.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Shannon-Leigh Litt tem 47 anos e vive na Nova Zelândia Reprodução/Guinness World Records

Uma rotina que começou como um desafio pessoal terminou com um recorde mundial. A neozelandesa Shannon-Leigh Litt, de 47 anos, passou 1.000 dias consecutivos percorrendo pelo menos 51 km em corridas de ultramaratona. A sequência garantiu a ela o título do Guinness World Records de maior número de dias seguidos com uma distância de ultramaratona percorrida por uma mulher.

Quando decidiu iniciar a tentativa, Shannon tinha uma meta bem mais modesta: chegar aos 250 dias. O objetivo era superar a marca de 200 dias estabelecida pela americana Candice Burt. O resultado, porém, foi muito além do planejado.

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Ao longo de dois anos e nove meses, a corredora estima ter percorrido aproximadamente 52 mil quilômetros. A distância equivale a cerca de 30% a mais do que toda a circunferência da Terra na linha do Equador, calculada em 40.075 km. Segundo ela, a sequência exigiu aproximadamente 100 pares de tênis.

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A empreitada precisou ser conciliada com o trabalho. Shannon atua como advogada de defesa criminal e contou, em entrevista ao Guinness, que manter a rotina de treinos enquanto trabalhava em período integral era uma das principais dificuldades.

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“É difícil conciliar uma semana de corrida com o trabalho, porque o trabalho sempre acaba surgindo”, relatou ao Guinness. Para não interromper a sequência, ela precisou transformar as ultramaratonas em parte fixa da rotina. “Eu precisava manter uma rotina e, durante os primeiros dois anos, acordava super cedo para isso.”

Nos dois primeiros anos, ela costumava sair de casa entre 1h e 4h para iniciar os percursos. Cada ultramaratona normalmente consumia de cinco horas e meia a seis horas e meia. Com o avanço do desafio, algumas corridas chegaram a durar cerca de oito horas e meia.

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Pouco antes de começar a tentativa do recorde, a atleta viveu outra situação curiosa. Depois de 14 anos treinando para provas de 100 km, ela conseguiu se classificar para o Campeonato Mundial da distância, com o tempo de 8h29min05s — uma das melhores marcas já obtidas por uma mulher da Nova Zelândia.

Mesmo após finalmente conquistar a classificação que perseguia há anos, Shannon decidiu abrir mão da participação na competição. A prioridade passou a ser completar o desafio dos mil dias.

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A primeira corrida contabilizada para o recorde ocorreu em 1º de janeiro de 2024. No início de abril daquele ano, ela já havia ultrapassado a marca masculina da categoria, que era de 100 dias, estabelecida pelo britânico David Jackson.

Como a tentativa começou na Nova Zelândia, as regras do Guinness exigiam que Shannon respeitasse o fuso horário utilizado no início do desafio. Por isso, mesmo quando estava viajando, precisava terminar cada percurso dentro do limite correspondente.

Durante a jornada, a ultramaratonista passou por lugares como Bali, Malásia, Singapura, Dubai, Austrália e Áustria.

A mudança de ambientes, por sua vez, trouxe dificuldades adicionais. Em uma passagem pela Áustria, ela chegou perto de sofrer hipotermia. Em outros momentos, enfrentou temperaturas próximas dos 40°C.

O descanso também foi comprometido. Nos fins de semana, Shannon tentava compensar o desgaste dormindo cerca de dez horas. Durante a semana, entretanto, houve ocasiões em que conseguiu descansar somente três ou quatro horas.

Um dos últimos obstáculos ocorreu justamente quando o recorde estava prestes a ser alcançado. No 999º dia, ela saiu de casa às 5h40 para correr com uma amiga, mas percebeu que havia deixado um dos relógios para trás. Ao retornar, descobriu que também estava sem as chaves de casa.

A solução foi esperar um chaveiro, o que atrasou o início da atividade. Mesmo assim, Shannon conseguiu completar a distância prevista naquele dia. No dia seguinte, realizou a última corrida e encerrou o desafio antes do tempo que havia calculado.

A alimentação também precisou acompanhar o enorme gasto energético. Para sustentar a rotina, a corredora consumia cerca de 5.500 calorias diariamente.

O percurso, além de exigir esforço físico, teve impacto na vida pessoal. Shannon contou que parte dos familiares e amigos não entendia a decisão de continuar depois dos 200 dias e chegou a defender que ela encerrasse a tentativa naquele momento. “A reação da família e dos amigos nem sempre foi positiva”, contou.

Para Shannon, porém, a experiência reforçou a importância de manter o foco em objetivos pessoais. “Você precisa se concentrar no que é importante para você e no que é certo para você, e nem todos sempre te apoiarão”, afirmou.

Entre os aspectos positivos da jornada, Shannon destacou a convivência com outros corredores e o sentimento de fazer parte de uma comunidade.

Depois de completar os mil dias, a neozelandesa afirmou que pretende mudar completamente a rotina no próximo ano. Por enquanto, no entanto, ainda planeja manter as corridas diárias por algumas semanas. Ela também não descarta tentar, futuramente, conquistar a versão do recorde relacionada a maratonas.

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