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Com superpoderes, Infantino enterra independência de investigações da Fifa

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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, ganha superpoderes, acaba com a independência das investigações e, para especialistas, enterra a proposta de reformas da entidade. Nesta sexta-feira, por 186 a favor e apenas um contra, o Congresso da Fifa, no México, aprovou mudanças no estatuto dando poderes à cúpula que nem o suíço Joseph Blatter tinha.

Como forma de dar um sinal positivo ao mundo, porém, a Fifa anunciou a escolha de uma mulher como sua primeira secretária-geral, rompendo um tabu de mais de cem anos.

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Mas os atos de Infantino enfureceram os auditores e investigadores independentes. Alguns deles, como Domenico Scala, que liderou a reforma da Fifa, abandonaram a sala de reuniões em protesto.

Pelas novas regras, o chefe da auditoria independente da Fifa, assim como o juiz independente, Hans-Joachim Eckert, e o investigador independente, Cornel Borbely, poderão ser simplesmente demitidos pela direção da entidade, sem qualquer justificativa. Antes, para que fossem afastados, todos os 211 membros da entidade precisariam votar.

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Agora, basta o círculo mais próximo de Infantino. Foram esses dirigentes quem conseguiram limpar de uma certa forma a Fifa de personalidades suspeitas, com decisões duras e que desagradaram a muitos, inclusive Blatter e Michel Platini. Entre os dirigentes investigados estão Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira.

Criticado, Infantino se defendeu. Ele alegou que o processo foi feito "de forma democrática" e apelou para que seus opositores aguardem para ver como a nova lei será implementada.

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Mark Pieth, ex-consultor da Fifa e um dos principais especialistas em combate à corrupção, criticou a manobra de Infantino e o acusou de ter operado uma "revanche" diante da recusa de Scala de permitir que o presidente da Fifa recebesse mais de US$ 2 milhões por ano.

Num esforço para agradar a opinião pública, porém, Infantino anunciou a escolha de uma mulher negra e africana para o cargo de CEO da Fifa, substituindo ao francês Jérôme Valcke. A senegalesa Fatma Samoura será quem comandará um dos postos mais cobiçados do mundo do futebol, responsável pela Copa do Mundo.

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Mas seus críticos alertam que ele sequer seguiu os critérios apontados pela auditoria de Scala para anunciar o nome, num sinal de que poderia ter escolhido alguém com um perfil menos conhecido para diminuir seus poderes.

A escolha da senegalesa também cai como uma luva na estratégia de Infantino. Ele precisa dar provas de que, mesmo sendo europeu e aliado de Michel Platini, vai conduzir a Fifa como uma entidade global, atendendo aos interesses de todas as regiões. Um dos temores era de que, ao assumir, Infantino acabaria transferindo a Uefa para o controle da Fifa.

Nesta sexta, Infantino ainda anunciou o aumento do dinheiro distribuído pela Fifa a cada entidade, passando de US$ 400 mil por ano para U$ 1,2 milhão. Ovacionado ao fazer o anúncio, ele apenas respondeu: "Não cometam uma traição, usem bem o dinheiro".

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