Atração principal no UFC Barueri, Demian Maia revela que pensou em parar de lutar após última derrota
Brasileiro passou por sequência de situações ruins pouco antes de descer de categoria
Mais Esportes|Diego Ribas, do R7

Apesar dos 35 anos de idade, o meio-médio (77 kg) Demian Maia atravessa o melhor momento de sua carreira, vitalidade rara em atletas de alto rendimento. No entanto, o que poucos sabem é que o paulista de fala mansa passou por situações complicadas em 2012 e chegou a pensar em parar de lutar.
Em janeiro passado, época da “maré de azar”, o então peso médio (84 kg) foi superado por pontos por Chris Weidman, atual campeão da divisão, em duelo monótono que motivou críticas de fãs. Derrotado e com a mão esquerda fraturada, Demian se viu obrigado a fazer uma cirurgia. E, dias depois, sua vida se tornou um turbilhão de emoções.
Ao lado de Erick Silva e Jake Shields, rival com quem travará seu próximo desafio no octógono, Demian participou de uma coletiva com os jornalistas na manhã desta terça-feira (20), em São Paulo, onde se sentiu confortável, pela primeira vez, para tocar no assunto publicamente.
— Aconteceram várias coisas que poucas pessoas sabem. Quebrei e operei a mão. Minha esposa perdeu um filho, e quando saímos do hospital ainda fomos assaltados por cinco ou seis caras armados. Foi a única vez na vida em que pensei em parar de lutar. Baixar de peso foi um recomeço, porque teve tanta coisa que nem lembro. Se eu tinha carma para pagar, já paguei tudo [risos].
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A volta por cima não poderia ter sido em melhor estilo. Na nova divisão, Demian venceu três duelos seguidos, incluindo triunfos sobre os temidos americanos Jon Fitch e Rick Story,o que o credenciou, como número quatro do ranking dos meio-médios, a fazer a luta principal da edição do dia 9 de outubro, na cidade de Barueri.
Disposto a abraçar a responsabilidade de ser a atração principal do show, uma vez que em 2010, quando fez o duelo principal do UFC 112, claramente o nome de destaque era Anderson Silva, o atleta faz questão de agradecer o empresário, responsável pela retomada do caminho das vitórias.
— Foi mesmo um renascimento. Decidi que, já que iria continuar, iria fazer direito. Eu controlava muito as minhas coisas, mas não estava dando conta de contratar treinadores e me organizar com tudo. Acabei passando tudo para o Edu [Eduardo Alonso], que tem uma visão impressionante. Ele controla tudo para mim, monta meu camp, organiza a minha planilha, faz a relação com a mídia e a negociação com o UFC. Sou controlador, mas quando você confia tanto em alguém, você consegue. E eu tenho essa pessoa.
A mudança tão rápida e positiva, tanto profissional como pessoal, que inclui o nascimento do filho Lorenzo – “que não tem nada a ver com o Fertitta [sócio do UFC]” -, parece dar confiança e estabilidade suficiente para que o atleta busque o cinturão do evento, provavelmente o único título que ainda não tenha conquistado dentre aqueles em que se propôs como profissional.
E nada melhor do que coroar o auge da carreira com uma vitória em casa, onde poderá confirmar o crescimento de sua popularidade, fator fundamental para levar seu nome junto ao do evento como aposta da organização para atrair o público necessário para lotar os cinco mil assentos do Ginásio José Corrêa.
— Eu estava lutando por isso, e tenho condições de fazer main event. É bom lutar aqui. Não precisa se preocupar com viagem, alimentação, mudança de clima. É mais fácil lutar aqui.
Para aqueles que acreditam em algo mais místico, como frisa o próprio lutador, vale lembrar que em outubro de 2006, Demian, provavelmente o único que já competiu naquela arena, venceu três lutas na mesma noite no evento Super Challenge e afivelou seu até então único cinturão de MMA.












