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Argentina que cresceu em comunidade indígena, Mimi Sosa brilha no vôlei do Brasil

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A central Mimi Sosa, do Pinheiros, é um dos destaques da equipe na Superliga Feminina de Vôlei. Aos 29 anos, ela é considerada baixinha para a função - tem 1,76m -, mas compensa com forte impulsão e velocidade. "Eu me sinto em casa no Brasil e estou contente de disputar mais uma vez a Superliga", contou a atleta.

Ela nasceu na Argentina, em Ibarreta, uma pequena cidade na província de Formosa, próxima da fronteira com o Paraguai. O município fica a 1.253 quilômetros de Buenos Aires. Cresceu em Las Lomitas, na mesma região, só que aos 8 anos se mudou com os pais, professores rurais, para estudar em uma escola indígena no Lote 1. Foi ali que cresceu e conviveu com os indígenas da etnia Wichí.

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"Eu morei lá. Meus pais são professores de comunidades indígenas, morei seis anos lá, fui na escola com minha mãe. Passei minha infância lá e foi muito lindo", contou a atleta, lembrando de uma rotina muito diferente. "Lá não tem nada. É tipo um deserto, só tem as pessoas, casas, e vivíamos bem próximos da natureza. Não tem luz elétrica, não tem água para beber, é bem diferente."

Orgulhosa de sua trajetória, Mimi nunca escondeu suas raízes indígenas. Seu avós eram de uma comunidade quechua e ela fez questão de tatuar no braço a frase na língua wichí "Otetsel ta n'am talakis", que significa "minhas raízes, minha história". Na cabeça, sempre coloca uma faixa. "Eu acostumei, desde pequena. É uma marca minha", revelou.

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Sempre que pode, ela vai até a comunidade wichí fazer visitas. O ponto alto de sua carreira foi nos Jogos do Rio, quando ajudou a seleção da Argentina a disputar a competição após 52 anos de ausência. "Foi o sonho da minha carreira. Estou desfrutando muito e mais relaxada porque não tenho mais esse peso nas costas. Se hoje eu parasse de jogar, me sentiria realizada", disse.

Quando estava entre os indígenas, conheceu o vôlei por influência do pai, que mostrava as diferentes modalidades para as crianças, já que não existia televisão no local. Ela se apaixonou logo de cara pelo futebol e só trocou pelo vôlei quando tinha 16 anos e já morava em Córdoba. "Meu sonho sempre foi jogar Superliga, estou no terceiro ano aqui e quero manter o nível".

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Ela mora com Tania Costa, uma outra argentina que joga no Brasil. "Minha família sempre me acompanha, quando podem vem para cá, foram aos Jogos do Rio, e assistem aos jogos pela internet. Sinto falta deles, mas o resto é bem parecido", afirmou, comparando morar em São Paulo com as grandes cidades da Argentina.

Para ela, a maior diferença está no nível de treino e jogo. "É preciso estar 100% e estou contente em corresponder. Para mim, jogar no Pinheiros é muito legal. Desde que cheguei o clube me deu tudo, a gente treina de forma profissional e lá na Argentina é muito difícil encontrar um clube assim", concluiu.

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