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BRASILEIRO 2022

‘Ainda estou processando’, diz Luana Silva ao ganhar a Tríplice Coroa do surfe com Medina

Surfista de 22 anos soma a maior pontuação nas três etapas do circuito mundial, na Austrália, e assume o topo da WSL 2026

Mais Esportes|Monise Souza, do R7*

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Luana Silva, de 22 anos, conquista a Tríplice Coroa Australiana e lidera o ranking mundial da WSL 2026.
  • A surfista se destaca ao somar a maior pontuação nas três etapas do circuito mundial na Austrália.
  • Em entrevista, Luana expressa sua gratidão e surpresa com a conquista, refletindo sobre sua jornada no surfe.
  • A atleta já representou o Brasil nas Olimpíadas de Paris 2024 e espera competir novamente em 2028, aspirando inspirar futuras surfistas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dois surfistas posam sorridentes diante de painel amarelo repleto de logotipos de patrocinadores, cada um segurando troféu de campeão em evento da World Surf League.
Luana Silva e Gabriel Medina conquistam a Tríplice Coroa Australiana Beatriz Ryder/WSL - 04.04.2026

A surfista Luana Silva, de 22 anos, alcançou um feito inédito na carreira ao assumir o primeiro lugar no ranking mundial da WSL (World Surf League) 2026, na Austrália, e conquistar a Tríplice Coroa Australiana ao lado de Gabriel Medina. Com um desempenho consistente, a atleta somou a melhor pontuação nas três primeiras etapas do circuito.

Na primeira fase, em Bells Beach, Luana fechou a competição na quinta colocação. Já em Margaret River, ela sofreu uma virada nos minutos finais da bateria decisiva contra a americana Lakey Peterson e ficou com o vice-campeonato. Por fim, na etapa de Bonsoy Gold Coast Pro, a surfista levou o segundo lugar ao ser superada pela australiana Stephanie Gilmore.


Em entrevista exclusiva ao R7, Luana expressou gratidão pela conquista da Tríplice Coroa e o primeiro lugar no ranking:

É difícil colocar em palavras. No ano passado, eu estava lutando para passar o corte, para me manter no circuito, e agora estou aqui, número um do mundo. Ainda estou processando!

(Luana Silva)

Para ela, ver o Brasil liderando os dois rankings, no masculino e no feminino, ao mesmo tempo é “um presente”, assim como dividir o pódio com Medina. “Eu era muito fã, e agora estou dividindo o pódio com o meu ídolo”, diz.


O resultado consolida a brasileira como uma das principais surfistas do circuito e a coloca na elite do surfe. Agora, a atleta se prepara para a quarta etapa do circuito, a Corona Cero New Zealand Pro, na Nova Zelândia, entre os dias 15 e 25 de maio.

Apesar da vitória, o segundo lugar em Margaret River, depois de liderar boa parte da final, incomodou a atleta. “No começo da bateria, eu vou assumir, eu cometi vários erros, perdi umas ondas muito boas também. A minha adversária, Lakey, trabalha com o mesmo técnico [Leandro ‘Grilo’ Dora] que eu. Se não fosse eu a ganhar, eu queria que ela ganhasse. Mas, claro, o objetivo é ganhar”, revela.


Além do circuito mundial, a surfista já representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, e espera voltar a defender o país nas próximas Olimpíadas, em Los Angeles (EUA), em 2028: “Eu nem acredito que eu sou atleta olímpica até hoje. Foi incrível ser parte daquele time. Eu senti que a galera meio que me abraçou porque eu estava representando o Brasil.”

Trajetória no surfe

Mesmo sendo jovem, Luana abandonou o título de promessa e passou a figurar como uma das referências no surfe feminino. “Não é fácil, é trabalho, sacrifício, dias longe da família, dias longe dos amigos, é falta de aula, você sente muita falta de casa. Então eu sei o quanto fiz para chegar até aqui”, conta a surfista.


Entre treinos, competições e deslocamentos, o prazer de surfar segue como o principal combustível da atleta, que vê no esporte uma extensão de sua identidade: “Eu adoro ficar na água, ficar embaixo do sol, eu adoro esse estilo de vida, então, pra mim, é pura diversão, não tem muito o que explicar. Pra mim é muito fácil, eu adoro o meu estilo de vida, o que eu faço na minha vida e, por ser meu trabalho, é muito mais legal.”

Confira a entrevista na íntegra:

R7 Entrevista — Como é ganhar a Tríplce Coroa pela primeira vez e, de quebra, ocupar o topo do ranking mundial?

Luana Silva — É difícil colocar em palavras. No ano passado, eu estava lutando para passar o corte, para me manter no circuito, e agora estou aqui, número um do mundo. Ainda estou processando. Isso é o resultado de muito trabalho e de uma equipe incrível por trás de mim.

Dividir esse momento com o Medina é superespecial também. Ele é um ídolo meu desde pequena, sempre me inspirou a acreditar que o surfe brasileiro podia chegar ao topo. Fomos para as Olimpíadas de Paris no Time Brasil, em 2024. Ver a bandeira brasileira liderando os dois rankings ao mesmo tempo é um presente.

(Luana Silva)

R7 Entrevista — Nas últimas semanas, compartilharam nas redes sociais uma foto sua antiga, ainda criança, ao lado de Medina. Como é para você, agora, dividir o pódio ele?

Luana Silva — Eu fico muito nervosa, fico tremendo. Daí, só conversando de boa, falei: “Cara, ele é normal também”. Ele tem uma vida normal, é super de boa. Ele é ‘só’ um surfista que ganhou três títulos mundiais. Mas eu fico de cara que isso foi quando eu tinha 8 anos de idade e, agora, eu estou dividindo o pódio com o meu ídolo. É bizarro. Para mim é bizarro.

R7 Entrevista — Você vinha liderando boa parte da final em Margaret River. Como analisa o momento decisivo em que a bateria virou nos minutos finais?

Luana Silva — No começo da bateria, eu vou assumir, eu cometi vários erros que poderia ter feito melhor. No começo da bateria, eu perdi umas ondas muito boas também. A minha adversária, Lakey, também trabalha com o mesmo técnico [Leandro ‘Grilo’ Dora] que eu. Então, se não fosse eu a ganhar, eu queria que ela ganhasse. Mas, do mesmo jeito, dá esse gostinho de ‘Ai, que raiva que não fui mais uma’. Cheguei até o final, mas, claro, o objetivo é ganhar. Ela ficou liderando a bateria por um bom tempo, até que eu virei com uns cinco minutos faltando. Daí, quando voltei para o pico, foi quando ela tinha prioridade e a última onda veio.

Surfista comemora boa performance ao lado do técnico Leandro 'Grilo' Dora Beatriz Ryder/WSL

Mas também eu estava sentindo que ela não fez tanto, poderia ser ou poderia não ser, e os erros que eu cometi poderiam ser feitos melhor, então é um grande aprendizado para mim. O coração está partido, mas, ao mesmo tempo, estou muito orgulhosa de onde eu cheguei, porque o ano passado era completamente diferente.

Eu estava lutando para passar o corte pela primeira vez e, agora, estou começando com um quinto e um segundo lugar, e isso aí é uma grande diferença comparado com o ano passado, então eu estou feliz. Mas, três dias atrás, se tu perguntasse para mim, eu estava com raiva.

R7 Entrevista — Que impacto você quer gerar para novas surfistas?

Luana Silva — Ah, eu penso que, se eu mudar uma cabeça só de uma menina para estar aqui, já fez meu dia, porque todas essas meninas [outras surfistas] me inspiraram desde pequena. Então, se eu faço só o mínimo que elas fizeram para inspirar uma outra garota para estar aqui, eu ia ficar muito feliz, porque eu sei como é difícil para chegar aqui, eu sei como não é fácil.

É um trabalho, é sacrifício, são dias longe da família, dias longe dos amigos, é falta de aula, você sente muita falta de casa. Eu sei o quanto eu fiz para chegar até aqui. Então, se eu só faço uma diferença na vida de uma menininha, vai fazer meu dia.

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R7 Entrevista — Como foi a experiência de representar o Brasil nas Olimpíadas?

Luana Silva — Ah, foi muito louco. Não sei, eu queria viver um pouquinho mais da experiência olímpica mesmo e estar em volta dos outros esportes também, porque a gente estava afastado, a gente estava no Taiti, e as Olimpíadas, o centro estava em Paris, né?

Mas eu nem acredito que eu sou atleta olímpica até hoje. Eu até esqueço. Alguém fala “Você foi para as Olimpíadas, né? Ah, eu fui”. Foi incrível ser parte daquele time, incrível representar o meu país. Eu senti que a galera meio que me abraçou porque eu estava representando o Brasil.

O Brasil é um país cheio de paixão, cheio de amor, de energia, de alegria. Então eu senti todo esse povo me abraçando desse jeito para representá-los, o que eu achei muito legal, e espero que eu os represente nas próximas Olimpíadas.

R7 Entrevista — Se você pudesse falar alguma coisa para incentivar que mais meninas surfem e conheçam esse universo, o que diria?

Luana Silva — Além de ser o meu trabalho, eu amo surfar, estar lá de dia até de noite. Eu adoro ficar na água, ficar embaixo do sol, esse estilo de vida. Então, para mim é pura diversão, não tem muito o que explicar.

Eu acho que, para falar para as meninas, para incentivar mesmo, vai para se divertir mesmo. Não se importa com as coisas de patrocínio, de resultado. Faz o que tu ama e faz para pura diversão. Porque eu não estaria aqui sem amar o que eu faço. Tem que amar mesmo, porque é difícil.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Júlia Ramos, editora

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