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Por que a história de Maguila corre risco de ser esquecida dois anos após sua morte?

Representante brasileiro na última fase de ouro do boxe mundial, o peso-pesado tem uma biografia que luta por patrocínio

Lutas|Do R7

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  • Maguila, famoso pugilista brasileiro, faleceu há dois anos, mas sua história ainda não foi amplamente divulgada.
  • O livro "Welcome Maguila", aprovado na Lei Rouanet, enfrenta dificuldades financeiras para ser lançado.
  • O autor Fernando Tucori destaca o preconceito contra livros e a desinformação sobre a Lei Rouanet como obstáculos.
  • A obra pretende também apoiar projetos sociais de inclusão através do boxe, contando histórias inéditas de Maguila e do boxe brasileiro.

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Maguila era amigo de Hortência, do Gugu, do Sócrates e até de Mike Tyson
Maguila era amigo de Hortência, do Gugu, do Sócrates e até de Mike Tyson Reprodução/Instagram @adilsonmaguilarodrigues

Neste sábado (24), completam-se dois anos da morte de Adílson Maguila Rodrigues, o lutador de boxe mais famoso do Brasil, e sua história ainda está por ser contada.

Ídolo nacional do nível de Ayrton Senna durante as décadas de 1980 e 1990, o pugilista sergipano foi atração televisiva não apenas em transmissões esportivas.

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O peso-pesado, como se diz hoje, “furou a bolha” e foi atração disputada em programas de entretenimento, nas batalhas de audiência das tardes de domingo entre Gugu e Faustão, e chegou até a trabalhar como comentarista econômico no antigo telejornal Aqui Agora.

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De todas as 85 lutas que disputou no boxe profissional, pelo menos 80 delas foram transmitidas para o Brasil inteiro, ao vivo, em TV aberta e em rede nacional — marca que dificilmente outro lutador será capaz de alcançar.

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Dono de uma história bastante rica, a vida de Maguila virou um livro, chamado Welcome Maguila, que, aprovado na Lei Rouanet, enfrenta dificuldades para conseguir o dinheiro necessário para seu lançamento.

O jornalista Fernando Tucori, autor do livro, passou os últimos dez anos pesquisando a vida de Maguila, fez dezenas de entrevistas com seu biografado e tem uma teoria a respeito.

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“É porque é um livro, e parece que as pessoas têm preconceito com livro. Elas querem logo o filme, mas não entendem que, para ter um filme, é preciso ter um livro antes”, diz ao R7.

A diferença também está no preço: um filme, em geral, tem orçamento de alguns milhões de reais, mas um livro é algo bem mais barato de fazer.

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“Ainda assim, eu falo com banco, com empresa grande, multinacional, dessas que se dizem apoiadoras de boxe, empresa que usava o Maguila como garoto-propaganda deles. Ofereço o projeto para eles e sabe o que eles falam? A gente não trabalha com livro”, afirma o autor.

Outro ponto que atrapalha o projeto, segundo Tucori, é a onda de desinformação a respeito da Lei Rouanet.

“Quando eu falo de Lei Rouanet, as pessoas acham que eu estou ganhando dinheiro do governo, mas o que o governo faz é falar: ‘legal esse projeto aí, pode pedir o dinheiro que você precisa para fazer’, porque o dinheiro da Lei Rouanet vem de imposto de renda de empresa. Se a empresa entra como patrocinadora, toda a grana que ela dá para o projeto é descontada do imposto de renda que ela paga. Nunca é dinheiro público, é dinheiro de imposto de renda”.

Mais do que a vida de um esportista

A riqueza da trajetória de Maguila revela também a própria história do boxe brasileiro.

“O Maguila é fruto do trabalho de pioneiros do boxe brasileiro, como Ralph Zumbano e Kaled Curi, que são da primeira geração de pugilistas olímpicos que o Brasil teve, aqueles que chegaram quando era tudo mato aqui. Essas histórias todas são importantes e, se elas não foram contadas, é arriscado que elas se percam”, diz o autor.

Segundo Tucori, o livro é cheio de histórias inéditas que precisam ser contadas, algumas até inacreditáveis, como a ocasião em que o pugilista citou Clarice Lispector para negar boatos de que se aposentaria.

Atualmente, o livro se encontra em fase de edição de texto, “para reduzir ao máximo o número de páginas”, diz o autor. O prazo final de lançamento é estimado para abril do ano que vem.

“Por bem ou por mal, o livro vai sair. Se não tiver patrocínio, a gente vai ter que pensar em outros jeitos, seja financiamento coletivo ou o que for, mas faria do livro uma coisa para poucos — e o Maguila não é assim. O Maguila é de todo o Brasil”, diz Tucori.

Além da publicação da obra, o autor pretende levar o livro para projetos sociais que usem o boxe como ferramenta de inclusão.

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