Por que a história de Maguila corre risco de ser esquecida dois anos após sua morte?
Representante brasileiro na última fase de ouro do boxe mundial, o peso-pesado tem uma biografia que luta por patrocínio
Lutas|Do R7
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Neste sábado (24), completam-se dois anos da morte de Adílson Maguila Rodrigues, o lutador de boxe mais famoso do Brasil, e sua história ainda está por ser contada.
Ídolo nacional do nível de Ayrton Senna durante as décadas de 1980 e 1990, o pugilista sergipano foi atração televisiva não apenas em transmissões esportivas.
O peso-pesado, como se diz hoje, “furou a bolha” e foi atração disputada em programas de entretenimento, nas batalhas de audiência das tardes de domingo entre Gugu e Faustão, e chegou até a trabalhar como comentarista econômico no antigo telejornal Aqui Agora.
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De todas as 85 lutas que disputou no boxe profissional, pelo menos 80 delas foram transmitidas para o Brasil inteiro, ao vivo, em TV aberta e em rede nacional — marca que dificilmente outro lutador será capaz de alcançar.
Dono de uma história bastante rica, a vida de Maguila virou um livro, chamado Welcome Maguila, que, aprovado na Lei Rouanet, enfrenta dificuldades para conseguir o dinheiro necessário para seu lançamento.
O jornalista Fernando Tucori, autor do livro, passou os últimos dez anos pesquisando a vida de Maguila, fez dezenas de entrevistas com seu biografado e tem uma teoria a respeito.
“É porque é um livro, e parece que as pessoas têm preconceito com livro. Elas querem logo o filme, mas não entendem que, para ter um filme, é preciso ter um livro antes”, diz ao R7.
A diferença também está no preço: um filme, em geral, tem orçamento de alguns milhões de reais, mas um livro é algo bem mais barato de fazer.
“Ainda assim, eu falo com banco, com empresa grande, multinacional, dessas que se dizem apoiadoras de boxe, empresa que usava o Maguila como garoto-propaganda deles. Ofereço o projeto para eles e sabe o que eles falam? A gente não trabalha com livro”, afirma o autor.
Outro ponto que atrapalha o projeto, segundo Tucori, é a onda de desinformação a respeito da Lei Rouanet.
“Quando eu falo de Lei Rouanet, as pessoas acham que eu estou ganhando dinheiro do governo, mas o que o governo faz é falar: ‘legal esse projeto aí, pode pedir o dinheiro que você precisa para fazer’, porque o dinheiro da Lei Rouanet vem de imposto de renda de empresa. Se a empresa entra como patrocinadora, toda a grana que ela dá para o projeto é descontada do imposto de renda que ela paga. Nunca é dinheiro público, é dinheiro de imposto de renda”.
Mais do que a vida de um esportista
A riqueza da trajetória de Maguila revela também a própria história do boxe brasileiro.
“O Maguila é fruto do trabalho de pioneiros do boxe brasileiro, como Ralph Zumbano e Kaled Curi, que são da primeira geração de pugilistas olímpicos que o Brasil teve, aqueles que chegaram quando era tudo mato aqui. Essas histórias todas são importantes e, se elas não foram contadas, é arriscado que elas se percam”, diz o autor.
Segundo Tucori, o livro é cheio de histórias inéditas que precisam ser contadas, algumas até inacreditáveis, como a ocasião em que o pugilista citou Clarice Lispector para negar boatos de que se aposentaria.
Atualmente, o livro se encontra em fase de edição de texto, “para reduzir ao máximo o número de páginas”, diz o autor. O prazo final de lançamento é estimado para abril do ano que vem.
“Por bem ou por mal, o livro vai sair. Se não tiver patrocínio, a gente vai ter que pensar em outros jeitos, seja financiamento coletivo ou o que for, mas faria do livro uma coisa para poucos — e o Maguila não é assim. O Maguila é de todo o Brasil”, diz Tucori.
Além da publicação da obra, o autor pretende levar o livro para projetos sociais que usem o boxe como ferramenta de inclusão.
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