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Quem é a pugilista irlandesa assistida por 74% da população do seu país em sua despedida

Considerada uma lenda do boxe, Katie Taylor disputou título mundial com a brasileira Rose Volante e tem incrível história de vida

Lutas|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Katie Taylor, uma lenda do boxe irlandês, se despediu dos ringues aos 40 anos, com 74% da população irlandesa assistindo sua última luta.
  • Começou no boxe aos 12 anos, enfrentando desafios como a proibição do boxe feminino na Irlanda, e se tornou a primeira campeã mundial irlandesa na categoria peso-leve.
  • Além de seu sucesso no boxe, Taylor também se destacou em outros esportes, como futebol e camogie, e conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.
  • Fora dos ringues, Katie é conhecida por seu trabalho beneficente e por ter ajudado a transformar o boxe feminino em um espetáculo global, abrindo portas para futuras gerações de atletas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tida como uma das melhores pugilistas da história, Katie Taylor lutou contra a brasileira Rose Volante
Uma das melhores pugilistas da história, Katie Taylor lutou contra a brasileira Rose Volante Reprodução/Instagram @katie_t86

Quando a boxeadora irlandesa Katie Taylor subiu ao ringue pela última vez em sua carreira, no sábado (5), 74% dos seus compatriotas sintonizaram a emissora pública RTÉ para torcer por ela.

Em sua luta de despedida, Taylor, aos 40 anos, subiu ao ringue montado no Croke Park, de Dublin, na Irlanda, diante de 83 mil irlandeses que não pararam de cantar seu nome.


Ao vencer sua adversária, Flora Pili, por decisão dos juízes, Katie se aposentou como campeã indiscutível também na categoria superleve, mas a sua importância para o esporte é muito maior do que seus títulos.

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Quem é Katie Taylor?

Nascida em 1986 na cidade de Bray, na Irlanda, Katie Taylor cresceu em uma família apaixonada por esportes. Seu pai, Pete Taylor, foi campeão amador irlandês dos meio-pesados, enquanto sua mãe, Bridget Taylor, tornou-se uma das primeiras juízas de boxe do país.


A futura campeã começou a praticar boxe aos 12 anos. Na época, o boxe feminino ainda era proibido na Irlanda. Então, para competir, ela escondia os cabelos sob o capacete e se inscrevia em torneios como “K Taylor” e, fingindo ser menino, bateu em muito marmanjo.

A situação mudou em 2001, quando as autoridades do boxe irlandês passaram a permitir oficialmente a participação de mulheres. Katie Taylor protagonizou então a primeira luta feminina oficialmente sancionada do país, derrotando Alanna Audley.


Além do boxe, a irlandesa também se destacou no futebol. Entre 2006 e 2009, disputou 11 partidas internacionais e marcou dois gols pela seleção de seu país. Ela ainda praticou outras modalidades, como camogie (jogo irlandês de taco praticado só por mulheres), futebol gaélico feminino (esporte que mistura futebol, rúgbi e basquete) e atletismo.

No boxe amador, os resultados vieram rapidamente. Em 2005, conquistou o ouro no Campeonato Europeu Amador, na Noruega. No ano seguinte, tornou-se a primeira campeã mundial irlandesa da história na categoria peso-leve.


Seu maior momento olímpico aconteceu nos Jogos de Londres, em 2012. Depois de anos defendendo a inclusão do boxe feminino no programa olímpico, Katie Taylor conquistou a medalha de ouro e se tornou um ícone nacional.

A carreira profissional começou em novembro de 2016, com uma vitória por nocaute técnico sobre Karina Kopińska. Desde então, a irlandesa consolidou seu nome entre as maiores da modalidade e integrou o seleto grupo de pugilistas que já reuniram simultaneamente os cinturões das organizações WBO, WBA, IBF e WBC, as quatro mais importantes do esporte.

Entre suas principais conquistas estão seis títulos mundiais femininos, cinco medalhas de ouro em Campeonatos da União Europeia, a vitória nos Jogos Europeus de 2015 e a medalha de ouro olímpica de 2012. Ela também foi eleita sete vezes Lutadora do Ano pela WBAN (Women Boxing Archive Network, principal responsável por registrar a história do boxe feminino no mundo).

Luta com brasileira campeã mundial

Em uma luta marcante para o público brasileiro, Taylor venceu a também campeã mundial Rose Volante em 2019, unificando os títulos da WBA (Associação Mundial de Boxe) e da IBF (Federação Internacional de Boxe).

O confronto foi importante para o boxe brasileiro. Rose Volante era a primeira pugilista brasileira a conquistar um título mundial nesta nova fase do boxe feminino. Contra a irlandesa, ela foi também a primeira brasileira a disputar uma unificação de títulos, o que tem seu lado bom (quem ganha fica com dois) e seu lado ruim (quem perde fica com nenhum).

A derrota de Rose foi ainda mais dolorida porque, depois de um choque de cabeças, ela sofreu um ferimento muito grande e o juiz do combate interrompeu a luta, dando a Taylor a vitória por nocaute técnico.

Em entrevista exclusiva para o R7, nossa campeã mundial falou sobre essa noite:

“Lembro de sair do ringue com a cabeça baixa e o coração apertado, mas algo que aconteceu naquela noite jamais saiu da minha memória. Enquanto eu deixava o ringue, os irlandeses me aplaudiam pela bravura, e eu me lembro da mãe da Katie se aproximando, colocando a mão em meu queixo e erguendo minha cabeça. Ela apontou para as pessoas que estavam me aplaudindo, como quem dizia: ‘Olhe para eles. Você tem motivos para levantar a cabeça.’ Aquele gesto ficou comigo porque, às vezes, uma derrota dentro do ringue não representa uma derrota na vida”, diz Rose.

Para a brasileira, Katie foi uma das pioneiras que ajudaram a abrir caminhos para o boxe feminino, construindo um legado enorme dentro e fora dos ringues.

Rose também teve papel semelhante no boxe feminino do Brasil porque, depois dela, mais duas conquistaram títulos mundiais: Danila Ramos e Beatriz Ferreira.

Fora dos ringues, Katie Taylor é reconhecida por seu trabalho beneficente, apoiando instituições voltadas para crianças, famílias em situação de vulnerabilidade e pessoas afetadas pela falta de moradia, dependência química e doenças graves.

Religiosa, ela costuma afirmar que família, fé e boxe são os três pilares de sua vida. Seu impacto na sociedade irlandesa foi tão grande que, em 2010, visitou a Casa Branca em encontro com o então presidente Barack Obama, e, no ano seguinte, foi escolhida como destaque no tradicional desfile de St. Patrick’s Festival Parade em Dublin.

Para muitos especialistas e fãs, Katie Taylor fez mais do que acumular títulos. Ela ajudou a transformar o boxe feminino em um espetáculo global e abriu portas para gerações futuras de atletas.

Depoimento exclusivo ao R7

Leia abaixo a íntegra da declaração de Rose Volante sobre o legado que Katie Taylor consolidou em sua carreira e na história do boxe feminino.

“Ser a primeira brasileira a lutar por uma unificação de títulos mundiais na Filadélfia, diante de Katie Taylor, foi um dos capítulos mais marcantes da minha trajetória no boxe.

Olhando para trás, parece que esse encontro já estava sendo escrito muito antes de acontecer. Eu me lembro de ter visto Katie lutar no Mundial da China, em 2010. Uma atleta extremamente talentosa, rápida e diferenciada. No ano seguinte, nas Olimpíadas em Londres/2012, presenciei ela lutar contra Adriana Araújo (medalha de bronze). Naquele momento, eu jamais poderia imaginar que, alguns anos depois, o meu próprio destino me colocaria frente a frente com ela dentro de um ringue.

Em 2017, conquistei o título mundial na Argentina. Depois, fiz duas defesas do cinturão. Dois anos mais tarde, estava ali, na Filadélfia, disputando uma unificação mundial contra uma das grandes referências do boxe feminino.

Foi uma luta muito dura. No decorrer do combate, sofri um choque de cabeça que atingiu meu nariz. O árbitro decidiu encerrar a luta.

Lembro de sair do ringue com a cabeça baixa e o coração apertado. Naquele momento, para mim, significava muito ter perdido o título e, com ele, parte de tudo aquilo pelo que eu havia lutado durante anos.

Mas algo que aconteceu naquela noite jamais saiu da minha memória.

Enquanto eu deixava o ringue, os irlandeses me aplaudiam pela bravura. E eu me lembro da mãe da Katie se aproximando, colocando a mão em meu queixo e erguendo minha cabeça. Ela apontou para as pessoas que estavam me aplaudindo, como quem dizia: “Olhe para eles. Você tem motivos para levantar a cabeça.”

Aquele gesto ficou comigo.

Porque, às vezes, uma derrota dentro do ringue não representa uma derrota na vida. Há lutas que não terminam com a mão levantada, mas que deixam um legado, respeito e uma história que ninguém pode tirar de você.

Katie foi uma das pioneiras que ajudaram a abrir caminhos para o boxe feminino e construiu um legado enorme dentro e fora dos ringues.

Para mim, foi uma honra dividir o ringue com ela.

Anos depois, quando olho para aquela noite, não vejo apenas a derrota. Vejo a coragem de uma brasileira que chegou até ali, depois de tantos anos de trabalho, para enfrentar uma das maiores atletas da história e, hoje, com a cabeça erguida, como a mãe dela falou, eu posso dizer: eu estive lá, eu lutei e eu resisti.

Nossa história faz parte de todo esse legado".

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